Internacional Gravidez de menina de 11 anos após estupro levanta debate sobre aborto no Uruguai

Gravidez de menina de 11 anos após estupro levanta debate sobre aborto no Uruguai

Criança engravidou de homem de 41 anos; ela tem doença psiquiátrica

Ministra da Saúde elenca risco de gravidez nessa idade

Ministra da Saúde elenca risco de gravidez nessa idade

Reprodução

Organizações a favor e contra o aborto no Uruguai protagonizaram nesta sexta-feira um debate em relação à situação de uma menina de 11 anos, que ficou grávida após ser estuprada por um homem de 41, argumentando se a jovem deve ou não levar sua gravidez adiante, que já chegou na 15ª semana.

O movimento contrário ao aborto conhecido como Pro-Vida publicou hoje um comunicado no qual rejeita as declarações de um grupo de seis ONGs de defesa dos direitos humanos que se pronunciaram favoráveis ao aborto da menina. O Pro-Vida denuncia que "as organizações promotoras do aborto adquiriram níveis alarmantes de autoritarismo" e alegam que a própria menina manifestou o desejo de levar adiante a gravidez.

Além disso, a menina tem uma patologia psiquiátrica, o que vem alimentando ainda mais a polêmica no país sobre quem deve decidir sobre o futuro do feto. Em entrevista à Agência Efe, Lilián Celiberti, coordenadora da Cotidiano Mujer, uma das organizações que se manifestaram sobre o assunto, opinou que "uma menina de 11 anos não pode ser depositária de uma decisão que não vele por sua segurança".

Por sua vez, a ex-ministra da Saúde e presidente da Associação de Serviços de Saúde do Estado (ASSE), Susana Muñiz, enumerou, em uma entrevista no dia 8 de maio, os riscos de uma gravidez nessa idade.

— Uma menina de 11 anos, obviamente, não tem o organismo preparado para estar grávida, com um útero muito pequeno, além de condições biológicas e psicoemocionais que têm sua importância.

A Justiça do país determinou na semana passada a transferência da menina, que ficou internada em um hospital infantil de Montevidéu, para o Instituto da Criança e do Adolescente do Uruguai (Inau, sigla em espanhol), enquanto o aborto depende de uma resolução médica que contará com a opinião da própria menina e de sua mãe.

"Temos uma mãe que está solicitando há semanas que a gravidez de sua filha seja interrompida. Há um sistema burocrático e hipócrita que permite que se continue violando seus direitos, sem se importar com os custos para a menina", diz o comunicado assinado pelo conjunto das seis organizações sociais. O texto sugere que as autoridades já tinham conhecimento da situação antes do fim do prazo de 12 semanas de gestação, no qual é permitido o aborto no Uruguai, e que se estende para 14 em casos de estupro.

"Nós, das organizações Cotidiano Mujer, Mujeres en el Horno, Mujer Ahora, CNS Mujeres, CLADEM e Ovejas Negras, exigimos a imediata interrupção da gravidez da menina de 11 anos dentro do que estabelece a lei para proteger sua saúde e seus direitos", conclui o texto.

Caso a gravidez seja levada adiante, o Inau deverá ser responsável pela menor e seu bebê. O homem de 41 anos foi preso e está sendo processado "como autor de um delito contínuo de estupro" e, além disso, a Justiça indicou que será realizado um teste de DNA para confirmar que o feto foi gerado pelo acusado. EFE pab/rpr

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