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Grupo acusa cardeais favoritos ao conclave de omissão em casos de abuso na Igreja Católica

Cardeais Pietro Parolin e Luis Antonio Tagle são alvo de denúncias de entidade que defende vítimas de abusos sexuais

Internacional|Do R7, em Brasília

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Fumaça presta sai de chaminé sobre o teto da Capela Sistina, no Vaticano: sem escolha Vatican News/Reprodução - 07.05.2025

Ativistas e vítimas cobraram resposta mais firme dos principais candidatos da Igreja Católica à crise global de abusos sexuais. Durante coletiva realizada na semana passada, em Roma, o grupo BishopAccountability.org expressou desconfiança sobre a disposição dos cardeais Pietro Parolin e Luis Antonio Tagle em promover mudanças.

Os dois são considerados favoritos para o conclave, como é chamada a eleição para o novo papa. O procedimento começou nesta quarta-feira (7) com uma votação, mas sem um escolhido.


“Se Parolin for eleito, teremos alguém especializado em manter segredos no comando da igreja”, afirmou Anne Barrett Doyle, co-diretora da entidade.

Ela acusou o cardeal, que ocupou o segundo cargo mais alto do Vaticano sob o pontificado de Francisco, de bloquear o acesso de autoridades civis a documentos relacionados a denúncias.


“Em nenhum lugar do mundo houve tanta resistência institucional à transparência quanto nas gestões lideradas por ele”, declarou Doyle.

Como exemplo, ela mencionou a investigação feita por uma comissão australiana, iniciada em 2013, que identificou mais de quatro mil vítimas. Segundo Doyle, o Vaticano entregou informações completas sobre apenas dois casos.


‘Falta de prioridade’

A arquidiocese de Manila, onde Tagle atuou por oito anos, também foi criticada. “Até hoje, nenhuma diretriz foi publicada online pela arquidiocese ou pela conferência episcopal. Nem uma linha. Isso mostra a falta de prioridade”, disse a diretora.

Ela questionou: “Se ele não conseguiu influenciar seus colegas no próprio país, o que pode fazer em escala global?”.


Michal Gatchalian, advogado filipino de 44 anos, participou por videoconferência. Relatou ter sido vítima de abuso aos 17 anos, dentro da paróquia onde frequentava.

“Denunciei em 2002 e fui isolado, ameaçado, silenciado. Levaram quase duas décadas para remover o padre. Só nos últimos três anos algo aconteceu”, relatou.

Ao comentar a gestão de Tagle nas Filipinas, Gatchalian afirmou: “Durante seu tempo em Manila, não houve ação concreta. Nenhuma mudança visível, nenhum avanço no cuidado com vítimas”.

Segundo ele, “a omissão sistemática tem o mesmo efeito de um encobrimento”.

Mais críticas a Tagle

O padre irlandês Shay Cullen, que atua nas Filipinas com vítimas de violência, também criticou a atuação do cardeal.

“Tagle tem carisma, é querido, mas não demonstra firmeza. O momento exige alguém disposto a enfrentar interesses internos e proteger crianças com coragem. Não vemos isso nele”, disse.

Doyle mencionou ainda a crise envolvendo Caritas Internationalis, entidade que Tagle presidiu de 2015 a 2022. Ela destacou a contratação do sacerdote Luk Delft, condenado por abuso, para atuar na África Central.

“Tagle estava no topo da organização. Mesmo sem envolvimento direto, ele precisa explicar o que sabia”, afirmou.

Questionada se haveria algum candidato confiável no colégio cardinalício, Doyle foi categórica: “Tenho reservas com quase todos. Nenhum sinal indica ruptura real com o passado. Não acredito que este conclave trará mudança”.

A Santa Sé não comentou as críticas.

Conclave

Na primeira votação do conclave, realizada nesta quarta-feira (7), os cardeais não chegaram a um consenso para eleger o novo pontífice da Igreja Católica.

O impasse foi sinalizado pela fumaça preta que saiu da chaminé da Capela Sistina, localizada no Vaticano, na Itália, indicando que nenhum candidato obteve os votos necessários.

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