Guaidó acusa Maduro de ocultar dados sobre coronavírus na Venezuela

Líder da oposição afirmou que 81% dos hospitais públicos venezuelanos não têm sabão e  82% das famílias não recebem água encanada

Presidente Maduro é acusado de comandar repressão

Presidente Maduro é acusado de comandar repressão

EFE/MIRAFLORES PRESS HANDOUT/22-03-20

A crise econômica e social que vem assolando a Venezuela será agravada de forma brutal com a chegada do coronavírus ao país.

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Quem fez o alerta foi o autoproclamado presidente venezuelano, Juan Guaidó, reconhecido por 58 países, ao afirmar que 81% dos hospitais públicos venezuelanos não têm sabão e  82% das famílias não recebem água encanada.

Ele ainda ressaltou, nesta entrevista ao El Nuevo Herald, que o número total de leitos com respiradores em todo o país é de apenas 84. Segundo o líder opositor do presidente de Nicolás Maduro, o governo tem divulgado números bem abaixo da realidade.

"Hoje a ditadura reconhece 42 casos (o número oficial subiu para 70). Mas nós, não oficialmente, do observatório que gerenciamos, acreditamos que poderíamos estar falando sobre mais de 200 casos neste momento na Venezuela".

Guaidó exortou as Forças Armadas a auxiliarem os necessitados, deixando passar ajuda humanitária. Ele também aponta que o governo, além de ocultar números, tem perseguido jornalistas considerados opositores.

"Hoje a prioridade é proteger nosso povo, salvar vidas, e isso requer a bússola, sem dúvida, das Forças Armadas, não como fizeram no ano passado que lhes permitiu queimar ajuda humanitária", afirmou o político, que ressaltou ser necessária a aquisição de pelo menos 1 mil respiradores para conter o primeiro impacto da covid-19 no país.

Mas ele acrescentou que não são necessários apenas equipamentos médicos e materiais de limpeza.

O país corre risco de passar por uma profunda crise alimentar, com a população entrando em um período de fome, já que as medidas de isolamento do governo têm deixado muitos trabalhadores sem nenhum tipo de remuneração.

Ele afirmou que pelo menos 50% das ocupações no país são informais e os trabalhadores estão sem alternativas. Com isso, declarou que o envio de alimentos também é urgente.

Para dificultar ainda mais, a escassez aguda de gasolina no país prejudica o transporte para as cidades, dos poucos alimentos produzidos nos campos.

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