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Guerra, diplomacia ou revolta: saiba o que deve acontecer no Irã nos próximos dias

Crise política, pressão externa e ruptura social colocam o regime iraniano à prova

Internacional|Nadeen Ebrahim, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O Irã enfrenta um período crítico após as maiores manifestações em anos, levando a um clima de repressão intensa e temor de conflito militar com os EUA.
  • Multidões protestam contra o regime, clamando "morte ao ditador" e pedindo a restituição de Reza Pahlavi, filho do último Xá.
  • Os EUA enviaram um grupo de ataque ao Oriente Médio, aumentando as tensões, mas sinais de diplomacia surgem com propostas de negociações.
  • A crise interna e a oposição fragmentada indicam que mudanças significativas podem vir de dentro da estrutura do poder iraniano, mas o futuro do regime permanece incerto.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Após protestos históricos, o futuro da República Islâmica permanece incerto MAHSA/Middle East Images/AFP/Getty Images via CNN Newsource - 16.01.2026

Depois de uma semana com as maiores manifestações nacionais em anos, as ruas do Irã voltaram a ficar silenciosas, contidas pela força. Um morador de Teerã comparou o clima na capital aos dias próximos ao Nowruz, o Ano Novo iraniano, quando muitos deixam a cidade e as lojas fecham mais cedo.

Mas não há alegria festiva, apenas um silêncio inquietante, disse ele. A vida continua sob a sombra de uma repressão mortal contra os manifestantes e sob o espectro de um possível novo confronto militar com os Estados Unidos. A República Islâmica espera celebrar no próximo mês o 47º aniversário da revolução que a levou ao poder. Deve reunir multidões e tocar músicas revolucionárias. Ainda assim, o clima nos bastidores do poder em Teerã provavelmente será muito menos comemorativo, já que o regime enfrenta a maior ameaça à sua sobrevivência até agora.


Pode até ter conseguido sufocar a última onda de protestos usando seu já conhecido manual de repressão. Mas as queixas fundamentais que motivam os manifestantes não desapareceram.

Como chegamos até aqui?

A última quinta e sexta-feira estão emergindo como alguns dos dias mais decisivos da história recente do Irã.


Protestos econômicos que começaram nos bazares de Teerã transformaram-se, de repente, no que pode se revelar a maior ameaça enfrentada pela República Islâmica desde sua criação em 1979.

Grandes multidões tomaram as ruas em todo o país, gritando “morte ao ditador”, pedindo a queda do regime e, em um desenvolvimento relativamente novo, alguns pedindo a volta de Reza Pahlavi, o filho exilado do último Xá do Irã.


A escala da repressão que se seguiu indica que o regime iraniano, ferido pela guerra do último verão com Israel e os EUA, e privado de seus aliados regionais, não estava disposto a fazer concessões.

O bloqueio digital sem precedentes, que cortou os iranianos do mundo exterior, significa que a verdadeira dimensão da brutalidade ainda não é totalmente compreendida. Quase 3.000 pessoas foram mortas desde o início da repressão iraniana contra a dissidência, segundo a Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos EUA. A CNN não pode confirmar esses números de forma independente.


Os EUA e o Irã vão entrar em conflito?

Nas últimas semanas, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou repetidamente atacar o Irã caso o regime usasse violência contra manifestantes.

Na quinta-feira, porém, Trump disse a repórteres que “fontes muito importantes do outro lado” o informaram que as mortes haviam parado no Irã — sugerindo que não haveria ação militar imediata dos EUA. Autoridades do Golfo também disseram à CNN que Catar, Omã, Arábia Saudita e Egito pediram aos EUA que evitassem ataques ao Irã, alertando sobre riscos econômicos e de segurança para a região. Esses esforços diplomáticos parecem ter levado a uma desescalada.

Mas isso pode ser temporário. Analistas dizem que a ameaça de ataques dos EUA ou de Israel ao Irã ainda não terminou.

“Não houve solução para a raiz da tensão”, disse Trita Parsi, vice-presidente executivo do Quincy Institute for Responsible Statecraft, à CNN, acrescentando que as tensões entre Israel e Irã nunca foram realmente sobre os protestos.

Uma fonte disse à CNN na quinta-feira que os EUA estão enviando um grupo de ataque de porta-aviões ao Oriente Médio, com previsão de chegada ao Golfo Pérsico no fim da próxima semana.

Por ora, porém, fala-se mais em negociações do que em guerra. Em um discurso na Flórida, o enviado de Trump, Steve Witkoff — que esteve em contato direto com o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi — adotou um tom conciliador.

Ainda há espaço para diplomacia?

Mesmo que Teerã e Washington tentem reviver negociações, o Irã o fará em sua posição mais fraca até agora. Comparado a rodadas anteriores, a balança de influência mudou drasticamente.

As principais instalações nucleares do país foram gravemente danificadas por ataques dos EUA no último verão, degradando partes essenciais do programa, e a maioria dos grupos aliados que o Irã usava para projetar poder foi neutralizada por Israel.

Embora o Irã ainda retenha um grande estoque de urânio altamente enriquecido — componente-chave para uma bomba nuclear — o impacto físico e simbólico é significativo.

“Os iranianos perderam uma quantidade tremenda de influência”, disse Parsi, prevendo que “Trump adotará uma posição muito maximalista” se as negociações forem retomadas.

Além do tema nuclear, novas conversas provavelmente abordarão questões mais amplas. Os EUA querem limitar o programa de mísseis iranianos e o apoio do país a grupos aliados, como Hamas, Hezbollah e milícias xiitas na região. É aí que as coisas ficam mais complicadas.

O Irã, embora tenha mostrado alguma flexibilidade em acordos nucleares, trata seu programa de mísseis e seu apoio ao que chama de grupos de “resistência” como inegociáveis. Qualquer concessão seria vista como capitulação total às exigências americanas.

Mas não seria a primeira vez que o Irã revolucionário aceitaria um acordo imperfeito. Ao fim da guerra Irã–Iraque em 1988, a República Islâmica aceitou um cessar-fogo que havia resistido por anos, com o fundador da revolução, Ruhollah Khomeini, dizendo que era como “beber de um cálice envenenado.” Quase quatro décadas depois, o regime se encontra em uma situação ainda mais precária.

Pode estar disposto a fazer concessões dolorosas para garantir sua sobrevivência mais uma vez. Mas mesmo assim, isso talvez não baste para recuperar a legitimidade perdida junto ao público após matar tantos de seus próprios cidadãos.

O contrato social está “danificado para sempre”

Especialistas dizem que os últimos protestos mostraram que o contrato social entre a República Islâmica e seu povo está irreversivelmente quebrado. O Estado não apenas falhou em proteger seus cidadãos de ataques externos, entregar prosperidade econômica ou permitir liberdade política e social; também demonstrou repetidamente estar disposto a usar violência brutal para silenciá-los.

O contrato social já era frágil, disse Parsi. Agora “foi danificado para sempre”. Embora parte do público tenha ganho algumas concessões após os protestos de 2022 — como regras mais flexíveis sobre o hijab — os protestos atuais são de outra natureza, impulsionados pelo nível sem precedentes de violência do regime.

Para muitos iranianos, nada menos que uma mudança fundamental será suficiente. Mas isso é extremamente difícil.

Ao longo de décadas no poder, Khamenei e seu enorme aparato de segurança esmagaram sistematicamente qualquer oposição interna capaz de representar ameaça ao regime.

Figuras como Mostafa Tajzadeh, ex-vice-ministro do Interior, ou Narges Mohammadi, ativista de direitos humanos laureada com o Nobel da Paz, passaram anos atrás das grades por desafiar o sistema por dentro.

Se alguma mudança significativa emergir, é mais provável que venha de dentro da própria estrutura de poder e segurança — aqueles que mais se beneficiaram do regime — do que do campo reformista, que tem sido progressivamente esvaziado.

“O cenário mais provável é uma variação do regime atual, por meio de elementos internos”, disse Parsi. “É uma coisa remover a liderança do topo. O aparato de segurança é outra. Não pode simplesmente ser removido facilmente.”

Nenhuma oposição viável

Fora do Irã, o panorama é ainda mais nebuloso. Grupos de oposição no exterior permanecem profundamente fragmentados. Reza Pahlavi, o filho exilado do último Xá, ressurgiu como possível figura de unificação. Ele diz que seria um líder transitório rumo a uma democracia próspera. Mas, após mais de quatro décadas no exílio, não conseguiu construir uma coalizão política diversa ou apresentar um plano de mudança que não passe por intervenção dos EUA. E nem é o candidato favorito de Trump.

A maioria das figuras oposicionistas está fora do país e não fez o “trabalho de base”, disse Dina Esfandiary, especialista do Oriente Médio na Bloomberg Economics, acrescentando que Pahlavi “é extremamente divisivo e dividiria significativamente os iranianos.”

Essa incerteza pesa sobre muitos iranianos que tentam decidir até onde podem ir na busca por mudança. Outro receio é que a queda do regime possa causar o colapso da própria nação iraniana. Com sua diversidade étnica e regional — e alguns grupos pedindo abertamente separação — o risco de fragmentação é real.

É provável que seja apenas uma questão de tempo até que uma nova onda de protestos surja. E, como os líderes em Teerã certamente lembram, a revolução de 1979 foi resultado de um movimento de protestos que durou mais de um ano, oscilando até finalmente derrubar o Xá.

“Não acho que esses sejam os últimos protestos”, disse Esfandiary. “Uma linha foi cruzada e chegamos a um ponto sem retorno.”

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