Internacional Guerra do Iêmen deixa 11 milhões de crianças ameaçadas pela fome

Guerra do Iêmen deixa 11 milhões de crianças ameaçadas pela fome

ONG diz que 85 mil crianças já podem ter morrido por desnutrição e que, para vítima de tiros ou bombas, pelo menos dez morrem por falta de alimento

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Fome atinge cerca de 11 milhões de crianças

Fome atinge cerca de 11 milhões de crianças

Mohamed al-Sayaghi /Reuters/22-11-18

Uma guerra devastadora e silenciosa. É assim que têm se caracterizado os conflitos no Iêmen, iniciados em 2015 e que parecem longe de um fim. Quem mais está sofrendo por causa da destruição do país são as crianças. O diretor da ONG Save the Children, Tamer Kirolos, alertou que o país vive uma catástrofe humanitária e as crianças têm sido as maiores vítimas.

"Estamos horrorizados que cerca de 85.000 crianças no Iêmen podem ter morrido por causa da fome extrema desde o início da guerra. Para cada criança morta por bombas e balas, dezenas estão morrendo de fome e isso é totalmente evitável."

Leia mais: Por que há uma guerra no Iêmen e qual é o papel das potências internacionais

Pela declaração de Kirolos, o número de vítimas fatais é bem maior do que os cerca de 10 mil confirmados pela (OMS) Organização Mundial de Saúde. O universo de crianças que já estão passando fome é de 11 milhões (em um país com 28,5 milhões de habitantes), o que deverá, se nada for feito em curto prazo, elevar ainda mais número de mortes.

A entidade clama por maior número de doações, que poderão ajudar a diminuir o problema. Neste momento, a organização afirma que cuida de quase 100.000 crianças que sofrem de desnutrição, atuando por meio de clínicas de saúde móveis nas áreas mais remotas.

Mas o que tem prevalecido, segundo a maioria das entidades humanitárias, é um descaso das potências ocidentais em relação à assitência às vítimas dessa guerra, considerada pela ONU (Organização das Nações Unidas) a maior crise humanitária da atualidade.

Compradora de armas

Tal descaso seria decorrente do fato de o conflito despertar mais o interesse regional do que o global, apesar de, logicamente, a situação ter repercussões geopolíticas, à medida que a Arábia Saudita, que apoia do presidente, luta pela hegemonia da região, em confronto com o Irã, que apoiaria o grupo rebelde dos houthis.

Isso, no entanto, não estimula as grandes potências a maiores ingerências, pelo fato de estarem depositando a atenção em outros conflitos que, na visão deles, causam uma repercussão quase imediata na geopolítica mundial, como o da Síria. E também pelo fato de a Arábia Saudita ser uma grande compradora de armas.

A Arábia Saudita, governada pelo polêmico príncipe herdeiro Mohammed Bin Salman, sempre teve interesse em controlar o país por causa da localização estratégica do Iêmen, situado no estreito de Bab-el-Mandeb, que o torna uma importante ligação com a África, sendo rota de comércio de petróleo pelo mar.

Apoiado pelos países do Golfo Pérsico, e pela logística de potências como Estados Unidos, França e Reino Unido, o governo saudita enviou tropas para a guerra, em apoio ao presidente iemenita Abdu Rabbu Mansour Hadi, que, em janeiro de 2015, fugiu para Áden, após o palácio presidencial ter sido cercado pelos houthis e seu gabinente, colocado em prisão domiciliar.

Os houthis já estavam há anos descontentes com o regime do ex-presidente Ali Abdhullah Saleh, que deixou o cargo por causa das revoltas na revolta na sequência da Primavera Árabe, em 2011.

Saleh, no entanto, apoiou a revolta houthi após sua deposição. E posteriormente, mudou de lado, ao se aliar à Arábia Saudita. Quando isso ocorreu, há um ano, foi assassinado pelos houthis, após ter seu carro cercado pelos rebeldes.

Veja o vídeo: 29 crianças morrem em bombardeio no norte do Iêmen

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