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Homem passa dois dias sem pulmões em novo procedimento nos EUA

Médicos decidiram pela remoção dos órgãos como uma medida para combater uma infecção fulminante

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Homem sobreviveu dois dias sem pulmões após procedimento inovador nos EUA.
  • Remoção dos pulmões foi necessária devido a uma infecção fulminante e resistência a antibióticos.
  • Paciente foi apoiado por um pulmão artificial durante a ausência dos órgãos, permitindo a oxigenação do sangue.
  • Após 48 horas, o paciente se recuperou o suficiente para receber um transplante e voltou à vida normal dois anos depois.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Médicos do Northwestern Medicine realizando cirurgia no paciente que ficou dois dias sem pulmão.
Técnica envolveu paciente de 33 anos que não teve a identidade revelada Reprodução/Northwestern Medicine

Um procedimento inédito realizado nos Estados Unidos permitiu que um homem sobrevivesse por dois dias sem os seus dois pulmões. O caso, registrado em 2023, teve os resultados publicados na quinta-feira (29) pela revista científica Med, da Cell Press.

A técnica foi realizada no Northwestern Medicine e envolveu um paciente de 33 anos, que não teve a identidade revelada.


Os médicos decidiram pela remoção dos órgãos como uma medida para combater uma infecção fulminante. O rapaz também aguardava um transplante dos pulmões, fazendo com que a remoção se tornasse ainda mais necessária.

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Como aconteceu

Em 2023, o paciente, morador do estado do Missouri, foi transportado de avião para o Northwestern Medicine sob oxigenação por membrana extracorpórea, utilizada quando o coração ou os pulmões não conseguem fornecer oxigênio suficiente ao corpo.


O que começou como uma insuficiência pulmonar associada à gripe evoluiu para uma pneumonia e sepse grave. O quadro clínico do rapaz continuou a se deteriorar, incluindo um episódio em que seu coração parou e a equipe médica realizou reanimação cardiopulmonar.

“Ele desenvolveu uma infecção pulmonar que não podia ser tratada com nenhum antibiótico, pois era resistente a todos”, disse o chefe de cirurgia torácica e diretor executivo do Instituto Torácico Canning da Northwestern Medicine, Ankit Bharat, em comunicado. “Essa infecção fez com que seus pulmões se liquefizessem e, em seguida, continuou a se espalhar para o resto do corpo.”


Para resolver esse problema, os especialistas projetaram um sistema de pulmão artificial com o objetivo de oxigenar o sangue e, também, dar suporte à circulação durante a ausência do órgão. A estratégia ajuda a manter o fluxo sanguíneo equilibrado por meio do coração, um requisito essencial para a sobrevivência.

Como a cavidade torácica vazia pode permitir que o coração se desloque, a equipe utilizou suportes temporários, incluindo expansores de tecido, e que geralmente são usados ​​em cirurgias reconstrutivas, para ajudar a estabilizar a posição do coração até o transplante do pulmão.


“Apenas um dia depois de retirarmos os pulmões, o corpo dele começou a melhorar porque a infecção havia desaparecido”, disse Bharat.

Nas 48 horas seguintes, o quadro clínico do paciente melhorou o suficiente para que o transplante pudesse ser realizado. Quando os pulmões de doadores ficaram disponíveis, a equipe da Northwestern Medicine pôde realizar o transplante bipulmonar.

Segundo os pesquisadores, o paciente retornou à vida normal dois anos após o procedimento.

Novos dados sobre lesão pulmonar

O novo estudo também inclui uma análise molecular detalhada dos pulmões removidos. Os dados poderão ajudar os médicos a entenderem melhor quando uma lesão pulmonar grave ultrapassa o limite de “potencialmente recuperável” para “irreversível”.

A equipe de pesquisa utilizou técnicas avançadas, como abordagens transcriptômicas espaciais e de célula única, para estudar diferentes partes dos pulmões removidos. A partir disso, os estudiosos descobriram extensas cicatrizes e danos causados ​​pelo sistema imunológico, semelhantes a doenças pulmonares graves e irreversíveis.

Eles ainda constataram que as células necessárias para reparar os pulmões estavam praticamente ausentes, enquanto as células que formam cicatrizes estavam por toda parte e a estrutura normal dos pulmões havia desaparecido. Esses resultados explicam por que apenas fornecer suporte não teria ajudado os pulmões a se curarem nessa situação.

Para os especialistas que participaram do projeto, os resultados trazem um marco para o tratamento de pacientes com insuficiência pulmonar catastrófica já que, antes, o grupo era considerado fora de qualquer possibilidade terapêutica.

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