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"I have a dream": famoso discurso de Martin Luther King completa 50 anos

Internacional|Do R7

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Lucía Leal. Washington, 27 ago (EFE).- "I have a dream" ("Eu tenho um sonho"), a frase mais marcante do discurso mais famoso de Martin Luther King, que amanhã completa 50 anos, esteve a ponto não sair do papel por medo de que fosse um termo muito "clichê" e não um "momento de inspiração" do icônico reverendo. O líder da luta pelos direitos civis já tinha utilizado a frase dezenas de vezes antes da famosa Marcha de Washington por Emprego e Liberdade, inclusive uma semana antes, durante um evento em Chicago. Talvez por isso, na véspera daquele 28 de agosto de 1963, seu assessor Wyatt Walker tenha lhe dado um único conselho: "Não use a parte de 'eu tenho um sonho'. Está batido e já se tornou um clichê. Você já falou isso muitas vezes". Walker, assim como o próprio King, sabia que o discurso era a apresentação do reverendo em escala nacional. Por isso, os dois editaram as falas inúmeras vezes, e minuciosamente, deixando de fora qualquer referência ao "sonho". "O discurso foi escrito para ser uma avaliação sobre a importância histórica da luta pela liberdade dos afro-americanos, e tinha como modelo o de Gettysburg, do presidente Abraham Lincoln", explicou à Agência Efe o diretor do Instituto de Pesquisa Martin Luther King, Clayborne Carson. No dia seguinte, atrás do icônico monumento a Lincoln e perante dezenas de milhares de pessoas, King começou a ler exatamente o que havia escrito, mas rapidamente compreendeu "que precisava de 'algo mais' para uma ocasião tão extraordinária", segundo Carson, que também é professor de história da Universidade de Stanford. Para o especialista, que editou uma autobiografia de King, foram os "anos de desenvolvimento intelectual" que permitiram que o ativista "tivesse este repentino e oportuno 'surto' de inspiração". Steve Klein, responsável pelo setor de comunicação do Centro King de Atlanta (Geórgia), aponta outro fator que talvez tenha influenciado na decisão: a insistência da cantora gospel Mahalia Jackson, que estava sentada perto do líder e pedia insistentemente que ele "falasse do sonho". "Talvez ela o tenha estimulado a pensar que a frase funcionaria bem no momento", disse Klein. Mas King "decidiu usar a fala porque realmente sentiu que queria compartilhar com o público a sua visão de um Estados Unidos melhor", acrescentou. A referência ao sonho não só mudou o discurso, mas também a forma de pronunciá-lo. King deixou o texto pronto de lado e não voltou a ler mais nenhuma parte dele. "Quando lia, parecia um conferencista", lembrou Clarence Jones, um dos assessores de King, no livro sobre a ocasião chamado "The Speech", do jornalista britânico Gary Younge. "Assim que deixou o texto de lado, ele voltou a se transformar em um pregador batista", completou Jones. Os imediatos aplausos que recebeu do público demonstraram que King tinha acertado ao fazer um apelo em prol da justiça, e ao compreender "que não era suficiente sustentar uma luta em massa pela liberdade a não ser que os participantes pudessem imaginar um futuro que fizesse com que os sacrifícios valessem a pena", explicou Carson. O resto do discurso de King era uma meticulosa análise da situação de milhões de afro-americanos, e continha poderosas metáforas, como a que descrevia um governo que "devia um pagamento aos seus cidadãos negros", porque havia lhes dado "um cheque sem fundos". Segundo Klein, o discurso "provavelmente" não teria tido o mesmo impacto sem a menção ao "sonho". "Era o momento correto, diante do público certo, para utilizar a frase. Ele precisava de uma ideia grande", ressaltou. Graças à menção do sonho, os 16 minutos de discurso de King serviram para impulsionar definitivamente o movimento pelos direitos civis e conseguir que o FBI, que já o investigava por supostas ligações com o comunismo, o definisse como "o líder negro mais perigoso e influente do país". EFE llb/apc/rsd

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