Indonésia detém líder de grupo responsável por massacres em Bali
Wijayanto, que passou mais de 15 anos foragido, foi preso em hotel. O grupo jihadista Jemaah Islamiyah deixou 202 mortos em 2002 e 23 mortos em 2005
Internacional|Da EFE

A polícia da Indonésia deteve o líder do grupo jihadista Jemaah Islamiyah (JI), Para Wijayanto, que há uma década dirige a organização responsável pelos atentados de 2002 e 2005 na ilha de Bali, informaram fontes oficiais nesta segunda-feira (1).
Wijayanto foi detido no sábado em um hotel de Bekasi, cidade satélite ao leste de Jacarta, após passar mais de 15 anos como fugitivo, confirmou à agência EFE o porta-voz da Polícia Nacional, Dedi Prasetyo.
Além disso, Prasetyo indicou que três homens e uma mulher membros do JI, organização vinculada a Al Qaeda e que deixou de realizar atentados na Indonésia em 2007, foram detidos entre sábado e domingo nas províncias de Java Ocidental e Java Oriental por ajudar a esconder seu "emir".
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Entre as atividades terroristas que as autoridades atribuem ao líder islamita está a direção da logística do grupo, o treinamento e envio de novos recrutas à Síria e a coordenação com outros grupos radicais sob a bandeira da Al Qaeda na Síria e nas Filipinas.
A detenção de Wijayanto acontece depois da prisão no último dia 7 de maio de outros 12 membros do JI, entre eles alguns vários que tinham passado pela Síria, segundo disse à EFE a diretora do Instituto de Análise de Políticas em Conflito, Sydney Jones.
Desde o começo do conflito, o JI enviou dezenas de membros à Síria para receber treinamento militar, que poderiam ter participado em combates, destacou a especialista.
Jones afirmou que a detenção não afetará em grande medida a sobrevivência do grupo, mas poderá fornecer informação sobre "a estrutura, o número de membros e as atividades na Síria".
Pior atentado na Indonésia
O grupo jihadista cometeu em 12 de outubro de 2002 o pior atentado ocorrido na Indonésia nas últimas décadas, no qual morreram 202 pessoas, na sua maioria estrangeiros, e em 2005 outro ataque que deixou 23 mortos, ambos na turística ilha de Bali.
Desde 2007, o JI deixou de atentar em solo indonésio, após uma série de detenções de vários de seus dirigentes que levaram Wijayanto a liderar a organização, que se declarou contrária à doutrina do grupo Daesh.
Na atualidade, o grupo jihadista mais ativo em indonésia é Jemaah Ansharut Daulah (JAD), vinculado ao Daesh, embora, segundo Jones, o Jemaah Islamiyah ainda represente perigo, sobretudo no caso de os membros com experiência e formação militar decidam criar cisões.
Em janeiro, o governo indonésio anunciou que outorgaria a liberdade antecipada ao clérigo octogenário Abu Bakar Ba'asyir, líder espiritual do JI condenado em 2011, embora depois tenha voltado atrás e alegado que o detido se recusou a jurar lealdade ao Estado asiático.
A Indonésia tem a maior população muçulmana do mundo, com cerca de 88% dos mais de 265 milhões de habitantes.













