‘Rússia tem tido pouca projeção de poder’, diz especialista sobre falta de apoio do país ao Irã
Vitélio Brustolin aponta que o envolvimento de Moscou permanece reduzido diante de suas próprias dificuldades militares na guerra contra a Ucrânia
Irã|Do R7, com RECORD NEWS
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Kaja Kallas, chefe da diplomacia da União Europeia, anunciou na quinta-feira (29) que o bloco incluirá a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã na lista de organizações terroristas. O posicionamento ocorre em meio à escalada de tensão entre os Estados Unidos e o regime de Teerã.
Em entrevista ao Jornal da Record News, Vitélio Brustolin, pesquisador e professor de relações internacionais, afirma que a Rússia possivelmente não se envolverá no conflito entre Teerã e Washington, já que, segundo ele, o país não tem conseguido auxiliar os seus próprios aliados.

“A Rússia, no ano passado, não fez nada para ajudar o Irã. O Irã foi bombardeado por Israel e pelos Estados Unidos, aquelas instalações nucleares Fordow, Natanz, os Estados Unidos enviaram aqueles B-2 Spirit lá e bombardearam o Irã junto com Israel, a Rússia não fez nada. A Rússia não tem conseguido ajudar seus aliados [...] A questão é que a Rússia tem tido pouca projeção de poder, ela está atolada na Ucrânia”, diz o pesquisador.
O especialista acrescenta que Donald Trump busca mais do que a queda de Ali Khamenei no regime iraniano: ele deseja o encerramento total do programa nuclear, algo negado pelos aiatolás.
“Não é só derrubar o Khamenei que o Trump quer, ele também quer o fim do programa nuclear do Irã, ele disse isso várias vezes — o regime dos aiatolás se recusa a dar um fim a esse programa, embora tenha sido alvejado em meados do ano passado —, e quer que o Irã desative o seu programa de mísseis, porque o Irã é hoje uma potência de mísseis autodeclarado”, diz o especialista.
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Apesar de Teerã afirmar que o programa nuclear possui “fins civis”, Vitélio destaca que a Agência Internacional de Energia Atômica da ONU encontrou átomos radioativos de urânio acima dos níveis compatíveis com um uso pacífico.
“O Irã tinha muito urânio enriquecido a mais de 60%. O urânio enriquecido acima de 20% já não é para fins civis, é para fins militares. O problema é esse, porque teve um outro país que no passado também dizia que não ia fazer bombas atômicas, que foi a Coreia do Norte. Ingressou no Tratado de Não-Proliferação Nuclear e tinha um programa clandestino de enriquecimento de urânio. E aí, no início dos anos 2000, isso foi descoberto, foi denunciado, a Coreia do Norte saiu do Tratado de Não-Proliferação e hoje tem 50 ogivas”, ressalta.
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