Iraquiano exclui imagem da esposa candidata e usa a própria nos cartazes da campanha
Em Kirkuk, eleição parlamentar ganha repercussão após mulher ter foto substituída ‘por respeito às tradições’
Internacional|Do R7
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Um caso inusitado chamou atenção durante a campanha eleitoral no Iraque. O empresário Sheikh Ahmed Ibrahim colocou a própria foto nos cartazes de sua esposa, Shayma Sami, candidata ao parlamento pelo Partido Taqadum, na província de Kirkuk.
Embora não seja ele o concorrente, Ibrahim diz que a decisão foi tomada “por respeito às tradições sociais e familiares” de sua comunidade.
LEIA MAIS:
Segundo o marido, a exposição pública de mulheres em determinadas regiões ainda é vista com reservas. “IHá muitos cartazes apenas com nome e número do candidato”, afirmou à emissora de TV Rudaw. Ele administra pessoalmente o comitê da campanha, reforçando que o peso das relações tribais e familiares é mais determinante que a imagem pessoal nas eleições locais.
A ausência da foto de Shayma não se limita à propaganda. O próprio Ibrahim, junto de outros parentes, recebe apoiadores e conduz encontros em nome dela. Ainda assim, ele garante que a esposa está comprometida em atuar caso seja eleita. “Entramos na política para servir as pessoas e nossos parentes na província de Kirkuk”, disse, destacando que a família conta com ampla rede de apoio entre os clãs regionais.
O episódio, contudo, gerou polêmica e questionamentos sobre a autonomia e a visibilidade das candidatas mulheres no cenário político iraquiano. Para Srud Mohammed, presidente da organização Iraqi Hope, a situação representa um retrocesso. “Se ela for minha representante, deve se mostrar, falar. Como defenderá meus direitos se nem sabemos quem ela é? Isso mostra que está sendo usada”, disse.
Shayma Sami é filha do líder tribal Sheikh Sami Batushi, chefe do clã Batushi na cidade de Riyadh, no sul da província de Kirkuk. Seu marido, Ahmed Ibrahim, é um empreiteiro conhecido na região. O casal pertence a uma família influente, fator que pode garantir votos mesmo diante da ausência da imagem da candidata.
A disputa pela vaga feminina em Kirkuk é acirrada. Shayma está entre as seis mulheres que concorrem a uma das cadeiras reservadas à cota de gênero no parlamento iraquiano. A prática busca aumentar a participação feminina, mas o episódio revela como as barreiras culturais ainda restringem essa presença.
O caso também expõe as tensões entre modernização e conservadorismo em uma sociedade em que a honra familiar e a tradição tribal frequentemente se sobrepõem ao discurso de igualdade política. Analistas apontam que, embora o país tenha avançado em representação feminina formal, situações como a de Shayma reforçam que a independência de muitas candidatas ainda depende da aceitação masculina.
As eleições legislativas no Iraque estão marcadas para 11 de novembro.
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp











