Internacional Israel acusa Hamas de provocar tumultos em Jerusalém

Israel acusa Hamas de provocar tumultos em Jerusalém

Cônsul israelense afirma que Suprema Corte decidiu adiar decisão sobre despejo de famílias de bairro árabe

Manifestantes se confrontaram com policiais

Manifestantes se confrontaram com policiais

Abir Sultan/EFE/10-05-21

Os confrontos entre manifestantes palestinos e policiais em Jerusalém, iniciados há algumas semanas, tiveram continuidade nesta segunda-feira (10), durante as comemorações do Dia de Jerusalém, na Cidade Velha.

Dezenas de foguetes disparados contra Jerusalém e o sul de Israel, foram lançados, desde Gaza, pelo Hamas, que assumiu a autoria dos ataques. Como resposta, a Força Aérea de Israel realizou vários ataques em Gaza. Pelo menos 300 palestinos e dezenas de policiais ficaram feridos desde o início dos distúrbios em Jerusalém.

Além do Dia de Jerusalém, as manifestações em algumas ruas coincidiram com o período do Ramadã, sagrado para os muçulmanos, que se encerra na próxima quinta-feira (13).

As manifestações se inciaram a partir de uma decisão de colonos de desalojarem seis famílias do bairro de Sheik Jarrah, em Jerusalém Oriental, com o argumento de que seriam os donos das propriedades.

Mas nem mesmo o anúncio da Suprema Corte, que nesta segunda-feira, adiou a decisão sobre o despejo ou não das famílias, acalmou a situação, segundo informou o cônsul de Israel em São Paulo, Alon Lavi. Outra reivindicação dos manifestantes era controlar a presença de religiosos ortodoxos judeus no Monte do Templo, após alguns confrontos entre esses grupos de extrema direita e palestinos.

"Israel tomou todas as medidas possíveis para acalmar a situação e evitar tensões e violência. A Suprema Corte decidiu adiar a audiência judicial sobre a questão do Sheikh Jarrah e o chefe da polícia também decidiu restringir a entrada de judeus no Monte do Templo. A resposta a todas essas medidas foi mais violência e terrorismo", garantiu Lavi.

Os palestinos consideram que o eventual despejo das famílias seria um ponto de partida para a remoção de milhares de moradores da região, o que, em tese, enfraqueceria a reivindicação de ter o setor leste de Jerusalém como capital de um hipotético Estado Palestino.

Lavi, no entanto, diz que, por trás dessa discussão, o governo de Israel considera que há o interesse de grupos radicais em fomentar os protestos.

"O que está acontecendo hoje em Jerusalém é um encontro planejado de manifestantes violentos promovido pela organização terrorista Hamas e pela Autoridade Palestina, com o objetivo de provocar violência e agitação na cidade de Jerusalém. A prova mas clara disso é o lançamento de foguetes de Gaza a Jerusalém", afirma.

Além de Jerusalém, cidades como Sderot e Ashkelon também foram alvos de mísseis do Hamas.

"Esses eventos são parte de uma onda terrorista liderada pela organização terrorista Hamas e são o resultado de uma irresponsável e imprudente incitação à violência. Nos últimos dias, mísseis foram lançados de Gaza e uma onda de ataques de balões incendiários", destacou o cônsul.

Para Lavi, a liberdade de culto, de judeus, cristãos e muçulmanos deve ser garantida, sem restrições. Ele afirmou que as manifestações tentam também impedir a entrada de judeus em locais sagrados, algo que o governo israelense não permitirá.

O diplomata, em nome do governo israelense, ainda conclamou os países a pressionarem o Hamas e a Autoridade Palestina, para apaziguar a situação.

"Apelamos à comunidade internacional para ajudar a restaurar a calma em Jerusalém e prevenir a incitação por grupos terroristas e pela Autoridade Palestina.", completou.

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