Internacional Israel vive domingo de luto nacional depois de tragédia do Monte Merón

Israel vive domingo de luto nacional depois de tragédia do Monte Merón

Na última sexta-feira (30), 45 pessoas morreram esmagadas após um tumulto durante festival ultraortodoxo no norte do país

AFP
Neste domingo (2), Israel vive luto oficial pelas 45 mortes em festival na sexta-feira

Neste domingo (2), Israel vive luto oficial pelas 45 mortes em festival na sexta-feira

Abir Sultan/EFE/EPA - 02.05.2021

Com bandeiras a meio mastro neste domingo (2), Israel tem um dia de luto nacional após a morte de 45 pessoas, incluindo crianças, em um tumulto durante uma peregrinação que reuniu milhares de judeus ortodoxos.

"Desastre", "Tragédia", "Fracasso do governo": neste domingo, os primeiros jornais publicados desde o tumulto fatal da madrugada de sexta-feira (30) no Monte Merón, ao norte, lamentam as mortes - a imprensa não publica os diários no sábado, dia do descanso (Shabbat). 

Os primeiros funerais aconteceram na sexta-feira à tarde, depois do que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu chamou de "um dos maiores desastres" na história do Estado judeu desde sua criação, em 1948.

Depois de uma pausa para o Shabbat, as cerimônias foram retomadas no sábado à noite. As autoridades anunciaram neste domingo que concluíram a identificação dos mortos, que incluem quatro americanos e dois canadenses.

"Por volta da meia-noite completamos a identificação das 45 vítimas [...] Entregamos 44 corpos [às famílias] para os enterros e o último será liberado durante o dia", afirmou o ministério da Saúde em um comunicado.

"Um desastre desta magnitude exige uma análise complexa (...) Entendemos o pedido das famílias de que sejam rápidas e atuamos neste sentido, respeitando o profissionalismo", afirmou o dr. Chen Kugel, diretor do Instituto Nacional de Medicina Legal Abu Kabir, em Tel Aviv. 

As bandeiras com a estrela de Davi estavam hasteadas a meio mastro neste domingo nos prédios do governo para o luto nacional, ao mesmo tempo que prosseguiam os funerais, sobretudo em Bnei Brak, perto de Tel Aviv e Jerusalém, enquanto as famílias respeitam o Shiv'ah, período de sete dias de luto. 

No sábado à noite, os habitantes de Tel Aviv, metrópole na costa mediterrânea, organizaram uma vigília em homenagem às vítimas.

"Me afeta pessoalmente porque venho de um lar ultraortodoxo. Há oito anos eu estava na peregrinação a Meron. Meus pais estiveram lá, mas saíram uma hora antes da tragédia", afirmou à AFP Rachel, de 28 anos.

Yael, outra jovem israelense, comentou: "Eu fiz a peregrinação durante 20 anos (...) Sofri a experiência de uma avalanche humana. Nunca mais voltei".

A população faz muitas perguntas: O que realmente aconteceu? De quem é a culpa? Teria sido possível evitar? Na sexta-feira, os judeus ultraortodoxos retornaram ao local para a peregrinação - depois que o evento foi cancelado em 2020 pela pandemia.

Às 0h50 de sexta-feira, um grande número de pessoas tentava sair do local, o que exigia passar por uma área estreita, que provocou um efeito funil e a tragédia, afirmaram testemunhas à AFP.

Jovens e adolescentes em sua maioria foram esmagados pela multidão em pânico. O chefe de polícia da região norte de Israel, Shimon Lavi, assumiu a "responsabilidade" pela tragédia.

Mas o debate prossegue no país. Há vários anos, muitas pessoas apontavam falhas na segurança da peregrinação.

O ministro da Segurança Pública, Amir Ohana, também assumiu a "responsabilidade", sem aceitar a "culpa". 

Mas é a ministra dos Transportes, Miri Regev, próxima a Netanyahu, que está no alvo, segundo a imprensa, por ter fretado ônibus para permitir que muitos ortodoxos participassem na peregrinação.

A primeira grande concentração de pessoas desde o início da pandemia, com o país em grande parte vacinado e sem o confinamento, terminou em tragédia.

O grande rabino ashkenazi David Lau sugeriu que a peregrinação aconteça durante uma semana para evitar aglomerações.

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