Internacional Johnson enfrenta risco de derrota fatal em reduto conservador

Johnson enfrenta risco de derrota fatal em reduto conservador

Resultado de eleição em North Shropshirena, na região central da Inglaterra, pode resultar na queda do primeiro-ministro  

AFP
O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, participa de uma coletiva de imprensa

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, participa de uma coletiva de imprensa

Tolga Akmen/AFP - 15.12.2021

O primeiro-ministro britânico Boris Johnson, em rápida queda de popularidade entre a opinião pública e inclusive entre os deputados conservadores, enfrenta nesta quinta-feira (16) uma eleição parcial em um reduto conservador.

A derrota dos consevadores pode precipitar uma moção de censura dentro do partido, uma proposta parlamentar apresentada pela oposição com o objetivo de derrotar o governo vigente.

Após uma série de escândalos nas últimas semanas ao redor do primeiro-ministro, cuja legitimidade é cada vez mais questionada por acusações de corrupção e de violação das regras anticovid no período de Natal do ano passado.

Além disso, mais de 25% da bancada conservadora (99 de 361 deputados) se rebelou contra o governo na última terça-feira (14) em uma votação sobre as novas restrições contra a variante Ômicron.

As medidas foram aprovadas graças ao apoio da oposição trabalhista, mas esta foi a maior rebelião conservadora sofrida por Johnson, cuja renúncia é defendida pela maioria dos britânicos, de acordo com várias pesquisas.

No atual contexto, a eleição para repor a cadeira de North Shropshire, na região central da Inglaterra, ganhou um caráter de plebiscito sobre a liderança de Johnson.

A divisão eleitoral com pouco mais de 80 mil eleitores vota de maneira fiel há várias décadas nos candidatos conservadores. Owen Paterson, que ocupava a cadeira desde 1997, recebeu em 2019 os votos de 23 mil eleitores.

Mas Paterson foi obrigado a renunciar recentemente, depois de ter sido acusado de pressionar integrantes do governo de Johnson para defender os interesses de duas empresas para as quais atuava como consultor remunerado.

Além disso, o primeiro-ministro tentou modificar as regras parlamentares para proteger Paterson, o que provocou a irritação de boa parte dos deputados e eleitores.

A imprensa prevê uma derrota conservadora, um resultado que ameaçaria precipitar o envio de cartas de não confiança dos membros do partido contra seu líder, um trâmite necessário para desencadear uma votação interna com o objetivo de afastá-lo do comando.

O jornal conservador The Daily Telegraph informa que "alguns deputados sugeriram de maneira privada que a perda de North Shropshire seria o último prego no caixão da liderança de Johnson".

E se perder a liderança do partido, Johnson teria que deixar também Downing Street, residência oficial do primeiro-ministro, como aconteceu com sua antecessora Theresa May em 2019.

Doses de reforço para popularidade

O Partido Liberal-Democrata é o mais bem posicionado para assumir a cadeira de North Shropshire, auxiliado pelo voto tático dos trabalhistas, com os quais estabeleceram uma aliança para tentar infligir uma derrota ao primeiro-ministro.

A situação é diametralmente oposta ao mês de maio, quando os conservadores, que estavam com grande popularidade graças ao sucesso da campanha de vacinação contra a Covid-19, arrebataram da oposição trabalhista seu histórico reduto de Hartlepool, na região nordeste da Inglaterra.

Agora o coronavírus volta a ser uma grande preocupação entre os britânicos, que a poucos dias das festas de Natal observam cada vez mais eventos cancelados e receberam a recomendação de limitar as interações diante da disparada sem precedentes de casos.

O Reino Unido, um dos países mais afetados da Europa pela pandemia, com mais de 146 mil mortes até o momento, registrou na última quarta-feira (15) o recorde de 78.610 novos contágios em 24 horas.

O recorde anterior era de 68.053 casos em 8 de janeiro, durante o avanço da variante alfa, anterior à delta, atualmente a dominante na Europa.

Para evitar que os hospitais entrem em colapso, o governo Johnson estabeleceu a meta gigantesca de oferecer uma dose de reforço da vacina contra a Covid a todos os adultos até o fim do ano.

O desafio logístico implica um milhão de injeções por dia e mais centros de vacinação foram abertos - com funcionamento por mais horas. Mas nada garante que, mesmo que a meta seja alcançada, isto será suficiente para devolver ao líder conservador a popularidade perdida.

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