‘Lanterna de fada’: planta parasita é descoberta em floresta na Malásia
Espécie não realiza fotossíntese e obtém toda a energia ao parasitar fungos micorrízicos do solo
Internacional|Do R7
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Uma planta parasita rara, conhecida como ‘lanterna de fada’, foi descoberta em uma reserva florestal próxima a Kuala Lumpur, na Malásia. O achado ocorreu na Floresta Recreativa de Sungai Congkak e revelou uma espécie até então desconhecida pela ciência, que vive quase totalmente escondida no subsolo e depende de fungos para sobreviver.
A descoberta foi feita em novembro de 2023 pela naturalista e fotógrafa Gim Siew Tan, que encontrou a flor emergindo entre folhas no chão da floresta, perto de uma área de piquenique. As imagens foram publicadas na plataforma iNaturalist. “Tão bonito e único”, relatou ela. “Então veio a pergunta ‘O que é isso?’”.
As fotos chegaram à botânica Siti Munirah, do Instituto de Pesquisa Florestal da Malásia, que identificou a planta como uma nova espécie. O grupo de pesquisadores descreveu oficialmente o organismo em um estudo publicado no mês passado na revista PhytoKeys, dando a ele o nome científico de Thismia selangorensis.
A lanterna de fada é um micoheterótrofo, tipo de planta que não realiza fotossíntese e obtém toda a energia ao parasitar fungos micorrízicos do solo. Geralmente invisível, ela surge apenas durante períodos imprevisíveis de floração, quando produz uma flor rosada com uma cúpula em forma de guarda chuva e três extensões semelhantes a tentáculos.
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Após a descoberta inicial, os pesquisadores realizaram levantamentos na área e encontraram apenas 20 indivíduos, alguns deles em ocos de árvores próximos a um riacho. Segundo Siti Munirah, a distribuição extremamente restrita indica que a espécie deve ser considerada criticamente ameaçada de extinção.
Existem cerca de 550 espécies conhecidas de plantas micoheterótrofas em todo o mundo, explicou Vincent Merckx, biólogo do Centro de Biodiversidade Naturalis, na Holanda, que não participou do estudo. Esse número representa uma fração mínima das aproximadamente 435 mil espécies de plantas estimadas no planeta.
A estrutura da flor chamou atenção de especialistas. Para o botânico Michal Sochor, da Universidade Palacký, na República Tcheca, a cúpula no topo da flor é “extraordinariamente ampla” e pode ajudar a impedir a entrada de água da chuva ou detritos. Já a função das extensões semelhantes a tentáculos ainda é desconhecida, mas pode estar relacionada à liberação de substâncias químicas para sinalizar a presença da flor à medida que ela emerge da serapilheira.
O modo de vida da planta envolve um tipo sofisticado de parasitismo. Enquanto a maioria das plantas mantém uma relação de troca com fungos micorrízicos, os micoheterótrofos se apropriam dos nutrientes sem oferecer nada em retorno. Isso é possível porque os fungos estão conectados a plantas verdes que produzem energia por meio da fotossíntese, explicou Merckx.
A Thismia selangorensis possui raízes curtas e robustas, descritas pelos pesquisadores como semelhantes a corais, onde os fungos provavelmente se alojam. Como ocorre com muitos parasitas, a espécie parece ser altamente especializada e pode depender de apenas um tipo específico de fungo.
Atualmente, são conhecidas mais de 110 espécies do gênero Thismia, principalmente em regiões tropicais da Ásia e da América do Sul. Novas espécies continuam sendo descritas, e os cientistas acreditam que muitas ainda permaneçam desconhecidas.
Ao lembrar do momento da descoberta, Gim Siew Tan afirma que a experiência foi resultado de anos de observação cuidadosa do chão da floresta. “Passar tempo procurando fungos mucilaginosos me ensinou a notar as menores coisas”, disse. “Mas gosto de pensar que ela me encontrou.”
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