Coreia do Norte
Internacional Livro traz detalhes sobre a infância desconhecida de Kim Jong-un

Livro traz detalhes sobre a infância desconhecida de Kim Jong-un

Escrito pela chefe da sucursal do Washington Post em Pequim, o relato traz detalhes sobre o luxo em que cresceu o atual líder da Coreia do Norte

Livro traz detalhes sobre a infância desconhecida de Kim Jong-un

Cercado de luxo e sem amigos: a infância
 do líder

Cercado de luxo e sem amigos: a infância do líder

REUTERS/Shamil Zhumatov/26.04.2019

Uma infância reclusa, cheia de luxos, privilégios, comidas caras, muitos brinquedos e poucos amigos. É dessa maneira que um livro que foi lançado recentemente nos Estados Unidos mostra a infância de Kim Jong-un, que se tornaria líder máximo da Coreia do Norte com apenas 27 anos, em 2011.

A obra, intitulada "O Grande Sucessor — O Divinamente Perfeito Destino do Brilhante Camarada Kim Jong-un", foi escrita pela chefe da sucursal do Washington Post em Pequim, Anna Fifield, e traz episódios até então desconhecido sobre a vida de Kim e seus irmãos.

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A jornalista colheu depoimentos de parentes exilados da família que comanda a Coreia desde a década de 1940 e entrevistou Kenji Fujimoto um chef japonês que foi levado a Pyongyang para fazer sushi para os herdeiros de Kim Jong-il, então ditador norte-coreano.

Os sushis da família Kim

Um dos destaques do livro, publicados pelo Post, é o dia em que Fujimoto conheceu Kim Jong-un, que tinha apenas seis anos de idade, no final da década de 1980. O episódio aconteceu logo antes de um jantar para a família Kim e alguns membros do alto escalão do governo.

O líder norte-coreano entrou na sala com seus filhos, todos vestidos com uniformes militares. Kim Jong-un, então com seis anos, e seu irmão, Kim Jong-chol, que tinha oito, usavam miniaturas das roupas de um general do exército, com direito a quepes e medalhas.

Kim Jong-un cresceu fardado como um general

Kim Jong-un cresceu fardado como um general

Reuters

Um por um, eles cumprimentaram todos os funcionários responsáveis pelo jantar. Fujimoto era o último da fila. Jong-chol apertou sua mão com firmeza. Jong-un ficou olhando para o japonês, que não sabia como reagir. Ele disse que, por um instante, sentiu toda a animosidade que os coreanos tinham com seu povo.

Em seguida, Kim Jong-il se aproximou, apresentou Fujimoto ao filho e o herdeiro finalmente apertou sua mão. Curiosamente, algum tempo depois, o chef acabou se tornando um companheiro de brincadeiras do futuro líder.

"Ele era um pouco solitário quando pequeno", Fujimoto contou a Anna Fifield em uma entrevista em 2016. A conversa virou uma das bases do livro. "Acabei virando um companheiro para ele, fomos praticamente amigos."

Muitos brinquedos e muita comida, nenhum amigo

O motivo é que os filhos de Kim Jong-il não iam à escola. Tinham aulas com tutores particulares e passavam os dias enclausurados em diversos palácios luxuosos espalhados pela Coreia do Norte. Para compensar o isolamento, brincavam com os funcionários.

Enquanto o país passava fome, eles tinham à disposição um batalhão de cozinheiros. Fujimoto fazia sushis apenas às sextas-feiras. No resto da semana, a família comia faisão, sopa de tartaruga, batatas com queijo suíço.

O arroz era produzido em uma fazenda dedicada só à família Kim, onde os grãos eram colhidos individualmente e à mão, para que cada um tivesse exatamente o mesmo tamanho. Eles podiam comer salmão, doces franceses e frutas tropicais.

Os filhos de Kim Jong-il também vestiam roupas feitas sob medida usando tecidos que vinham em encomendas especiais da Inglaterra.

E tinham brinquedos, aos montes. Montanhas de brinquedos de montar, videogames que nenhuma outra criança no país tinha acesso e máquinas de pinball, entre outros.

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Com 7 anos, Kim Jong-un ganhou do pai um carro adaptado, que ele aprendeu a dirigir. Aos 11, ganhou uma pistola .45 que usava junto com seu uniforme militar. No início da adolescência, com a ajuda do famoso passaporte falso brasileiro, foi com a família ao Japão para se divertir na Disney de Tóquio.

Sem nenhum contato com a realidade diária de seu país, o menino cresceu como um 'príncipe' e acabou sendo o indicado pelo pai para assumir o poder, sem nenhuma contestação.