Internacional Longas filas de carro se formam na fronteira entre Rússia e Geórgia após mobilização de reservistas

Longas filas de carro se formam na fronteira entre Rússia e Geórgia após mobilização de reservistas

Medida foi anunciada pelo presidente russo Vladimir Putin na última quarta-feira (21), em meio a esforços na guerra contra a Ucrânia

  • Internacional | Do R7, com Reuters e AFP

Russos em filas de carros ao tentarem sair do país após anúncio de mobilização de reservistas

Russos em filas de carros ao tentarem sair do país após anúncio de mobilização de reservistas

Reuters - 21.09.2022

Um vídeo de testemunha ocular publicado pelo Serviço Georgiano da RFE/RL mostrou um grande número de carros fazendo fila para entrar no país vindos da Rússia, na última quarta-feira (21), no dia em que o presidente russo Vladimir Putin anunciou uma "mobilização parcial" de reservistas para servirem no conflito contra a Ucrânia.

A pessoa não identificada que fez o vídeo disse que a passagem na fronteira estava "parada". Um correspondente da Reuters na Geórgia disse nesta quinta-feira (22) que os carros eram liberados em pequenos grupos.

O tráfego também foi visto aumentando nas passagens de fronteira com a Finlândia — com o preço das passagens aéreas de Moscou disparando.

Putin ordenou na quarta-feira a primeira mobilização da Rússia desde a Segunda Guerra Mundial e apoiou um plano para anexar partes da Ucrânia, alertando o Ocidente de que ele não estava blefando quando disse que estaria pronto para usar armas nucleares.

O ministro da Defesa do país, Serguei Shoigu, explicou que a ordem de mobilização envolve 300 mil reservistas, o que, em suas palavras, representa apenas "1,1% dos recursos que podem ser mobilizados".

Grupos de mídia social apareceram com conselhos sobre como sair da Rússia, enquanto um site de notícias em russo deu uma lista de locais "para onde fugir".

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse nesta quinta-feira que os relatos da saída de homens em idade de recrutamento foram exagerados. Questionado sobre relatos de que homens detidos em protestos contra a guerra estavam recebendo documentos preliminares, Peskov disse que não era contra a lei.

Pesquisadores estatais russos dizem que mais de 70% dos russos apoiam o que o Kremlin chama de "operação militar especial", embora pesquisas vazadas em julho mostrem uma divisão equilibrada entre aqueles que queriam parar ou continuar lutando.

O conflito na Ucrânia matou dezenas de milhares, provocou uma onda inflacionária na economia global e desencadeou o pior confronto com o Ocidente desde a crise dos mísseis cubanos de 1962, quando muitos temiam uma guerra nuclear iminente.

Uma fonte do setor de turismo disse à Reuters que havia desespero enquanto as pessoas procuravam passagens aéreas para sair da Rússia.

"Esta é uma demanda de pânico de pessoas que temem não conseguir deixar o país mais tarde — as pessoas estão comprando passagens sem se importar para onde voam", disse a fonte.

O tráfego que chega à fronteira leste da Finlândia com a Rússia “intensificou-se” durante a noite, disse a Guarda de Fronteira finlandesa.

"O número claramente aumentou", afirmou à Reuters o chefe de assuntos internacionais da guarda de fronteira do país, Matti Pitkaniitty, acrescentando que a situação encontrava-se sob controle e que os guardas de fronteira estavam prontos em nove postos de controle.

A polícia russa deteve mais de 1.300 pessoas em protestos que denunciavam a mobilização, disse um grupo de direitos humanos.

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