Mãe dos suspeitos do atentado de Boston afirma que não liga se o filho "mais novo será morto"
Em entrevista feita pela rede de televisão americana CNN, Zubeidat Tsarnaeva alegou ainda que não se importa se ela também for morta
Internacional|Do R7, com agências internacionais
Durante uma entrevista ao telefone para a rede de TV CNN, Zubeidat Tsarnaeva, mãe de Tamerlan e Dzhokhar Tsarnaev, principais suspeitos pelo atentado contra a Maratona de Bosotn que matou três pessoas e deixou mais de 280 feridos no dia 15 de abril, alegou que o filho mais velho foi "cruelmente morto" e que não se importa caso o mais novo também tenha o mesmo destino.
— Se eles vão o matar [filho], eu não ligo. Meu mais velho foi morto e eu não ligo. Não ligo se meu mais novo será morto hoje. Quero que o mundo ouça isso.
Na gravação divulgada pela CNN, Zubeidat Tsarnaeva está bastante emocionada e além de acusar a polícia americana de crueldade, ela repetiu várias vezes que "o protetor deles é Deus, que é Alá."
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A mãe de Tamerlan e Dzhokhar Tsarnaev disse ainda que não se importa se ela também for morta.
Interrogatório
Uma delegação americana com agentes do FBI interrogou nesta quarta-feira (24) os pais dos suspeitos dos ataques contra a Maratona de Boston, mas eles insistiram que os dois irmãos não tinham contatos com os grupos islamitas locais.
Os pais de Tamerlan e Dzhokhar Tsarnaev atualmente vivem no Daguestão, uma região muçulmana do Mar Cáspio onde a família morou por algum tempos antes de viajar para os Estados Unidos.
"O FBI está recebendo a cooperação do governo russo em sua investigação sobre os atentados na maratona", afirmou à AFP um funcionário da embaixada americana, que não quis ser identificado.
"Um grupo da embaixada americana em Moscou viajou ao Daguestão ontem [terça-feira] como parte de sua cooperação com o governo russo para interrogar os pais", acrescentou.
A fonte não quis confirmar se a delegação americana permanecia no Daguestão realizando suas investigações.
Contudo, uma fonte de segurança do Daguestão afirmou ao correspondente da AFP que as entrevistas com os pais dos suspeitos vararam a noite e envolveram agentes do FBI, a polícia federal americana.
"Os pais foram deixados em casa, mas, pela manhã, a mãe voltou para novos interrogatórios", explicou a fonte, esclarecendo que as entrevistas aconteceram no quartel-general do serviço secreto russo, o FSB.
A fonte da segurança daguestanesa também disse que os pais foram interrogados sobre a visita de Tamerlan ao Daguestão. "Os pais responderam que ele não teve nenhum contato com islamitas radicais".
O pai dos suspeitos, Anzor, de origem tchetchena nascido no Quirguistão, sempre insistiu, em todas as entrevistas que concedeu à imprensa, que seus filhos são inocentes e não podem ser os autores dos atentados.
De acordo com a agência de notícias RIA Novosti, tanto Anzor como a esposa, Zubeidat, concordaram durante o interrogatório em viajar nesta quinta-feira (25) aos Estados Unidos para colaborar com a investigação.
A investigação junto aos pais dos suspeitos prossegue em meio a questionamentos se as autoridades americanas teriam deixado passar sinais que evidenciavam o perigo representado pelos dois irmãos.
É de particular interesse dos investigadores uma viagem de seis meses feita por Tamerlan em 2012 ao Daguestão e à Tchetchênia.
O motivo alegado para essa viagem foi obter um novo passaporte russo que, no final das contas, nunca foi buscado e os investigadores querem saber se tudo não passou de um pretexto para contatar muçulmanos extremistas.
O ministro do Interior do Daguestão, Abdurashid Magomedov, descartou qualquer possibilidade de que Tamerlan tenha sido "infectado" pelo islamismo radical durante sua estada no Cáucaso.
"De acordo o Ministério do Interior, Tamerlan Tsarnaev não manteve contato com o submundo islamita durante esta visita", afirmou Magomedov.
A mulher de Tamerlan, Katherine Russell, de 24 anos, também declarou-se disposta a ajudar os investigadores, segundo seus advogados.
Em nota lida por seus advogados na terça-feira, em Providence (Estado de Rhode Island), a jovem disse que ficou profundamente "chocada" ao descobrir que seu marido e seu cunhado estavam envolvidos no atentado.
Katherine se casou com Tamerlan em 2010. Eles tiveram uma filha que hoje tem três anos. Ele morreu em um tiroteio com a polícia na quinta-feira passada. Seu irmão mais novo, Dzhokhar, de 19 anos, ficou gravemente ferido, mas está internado e em recuperação.
O estado de saúde de Dzhokhar apresenta melhoras e sua recuperação é "satisfatória", segundo o Ministério Público em Boston (Massachusetts, nordeste).
Ele foi acusado formalmente na segunda-feira (22) em seu leito no hospital e não podia mover a cabeça para responder às perguntas do juiz. Apenas acenou um leve "não" quando perguntado se podia pagar um advogado.
A Promotoria de Boston acusou o jovem de usar armas de destruição em massa e de destruição intencional de propriedade com um dispositivo explosivo. Caso seja condenado, Dzhokhar pode receber a pena de morte.
Os ataques na Maratona de Boston deixaram três mortos e mais de 280 feridos no dia 15 de abril.
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