Mais da metade das crianças no mundo vivem em más condições
Estudo feito em função do Dia Internacional da Criança revela que 1,2 bilhão delas estão ameaçadas por conflitos, pobreza ou discriminação
Internacional|Eugenio Goussinsky, do R7

Muitas crianças no mundo estão, na prática, impedidas de acordar pela manhã e simplesmente sorrir diante das possibilidades na vida, de achar engraçada a careta do amigo, de assistir à aula preocupada apenas em fazer a lição mais tarde.
Em uma onda crescente, segundo o relatório, com o sugestivo nome de "Fim da Infância" (End of Childhood Report), da organização Save the Children, mais da metade de todas as crianças no mundo - mais de 1,2 bilhão - estão ameaçadas pela pobreza generalizada, conflito ou discriminação contra as meninas.
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O relatório foi lançado nesta semana, em função do Dia Internacional da Criança, celebrado nesta sexta-feira (1).
Esse relatório, que em seu segundo ano tem o nome especial de "As muitas faces da exclusão" (The many faces of exclusion), traz ainda um índice que aponta os locais onde a infância é mais ou menos ameaçada, incluindo 175 países e temas como deslocamento por conflitos e violência externa; taxa de mortalidade de crianças menores de 5 anos; taxas de natalidade para adolescentes; casamento infantil; trabalho infantil; desnutrição e taxa de abandono escolar.
Os números são alarmantes e devem servir de alerta para a importância do combate a essa situação que pode, além de roubar a infância dessas crianças, prejudicar a qualidade de vida e o desenvolvimento social no futuro, conforme afirma Carolyn Miles, presidente e CEO da Save the Children.
"A maioria das crianças do mundo está sendo roubada de suas infâncias e seus futuros porque estão vivendo na pobreza, crescendo em zonas de guerra ou sofrendo discriminação por serem meninas".
A falta de recursos é um dos índices que mais influenciam neste fenônemo. Pelo estudo, mais de um bilhão de crianças vivem em países afetados pela pobreza.
Outra questão importante é o preconceito de gênero em relação às meninas: mais de 575 milhões delas vivem em países que têm no preconceito de gênero um hábito comum entre boa parte de sua população. As adolescentes mais pobres têm cerca de três vezes mais nascimentos do que as com melhores condições financeiras.
Também os conflitos e as situações de vulnerabilidade são elementos de destruição da infância. Eles afetam 240 milhões de crianças em vários países.
Já as três ameaças alcançam 153 milhões de crianças em 20 países, entre eles o Sudão do Sul, Iêmen, Somália e Afeganistão.
Mas não é a violência dos conflitos o que mais mata as crianças em países nesta situação. O estudo mostra que, nesses locais, a desnutrição, doenças e cuidados de saúde inadequados matam mais de 20 vezes mais crianças do que tiros ou bombardeios.
Em países afetados por conflitos armados, a incidência de trabalho infantil é 77% maior do que a média global. O conflito também torna as meninas mais vulneráveis ao casamento infantil.
Mais políticas
Carolyn afirma que a Save the Children "está comprometida em garantir que todas as crianças tenham a infância - e o futuro - que merecem". Mas, apesar de apontar que em algumas regiões houve progresso, ela ressalta que tal evolução é ainda insuficiente para trazer algum tipo de tranquilidade.
"Enquanto estamos vendo algum progresso em muitos países - quando se trata de eventos perturbadores da infância, como o casamento precoce, a exclusão da educação e problemas de saúde -, o progresso não está acontecendo rápido o suficiente para as crianças mais vulneráveis do mundo".
Neste caso, para que o ciclo destrutivo seja interrompido, a responsabilidade pelo futuro das crianças está com os adultos. Pelo menos os que, quando foram crianças, tiveram alguma oportunidade de se desenvolver de uma maneira adequada. Carolyn completa:
"Sem uma ação urgente, nunca cumpriremos as promessas feitas há três anos por todos os países das Nações Unidas para assegurar que todas as crianças estejam na escola, protegidas, saudáveis e vivas até 2030 - os governos podem e devem fazer mais para dar a cada criança melhor começo possível na vida "
Menos guerras, mais entendimento, mais solidariedade, mais consciência. Mais políticas governamentais. Neste momento, são eles, os adultos, que têm de fazer a lição de casa.
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De ditadura em ditadura, a República Democrática do Congo, que entre 1971 e 1997 era chamada de Zaire, passa, para muitos especialistas, pela pior guerra do mundo. Uma guerra civil que se alastra por mais de 20 anos, mas sem tanta divulgação na mídia. A menina Mave Grace, de 11 anos, teve o braço decepado durante invasão de milicianos à aldeia em que vivia





















