‘Mal necessário’, diz especialista sobre posse de Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela
Manuel Furriela defende processo eleitoral lícito em transição de governo
Internacional|Do R7
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A presidente interina Delcy Rodríguez assumiu o governo da Venezuela após posse nesta segunda-feira (5), no que o especialista em relações internacionais Manuel Furriela chamou de “mal necessário para o momento de transição”. “O que realmente é o recomendável internacionalmente é que haja um processo eleitoral e que esse processo seja lícito”, diz.
Em entrevista ao Hora News, ele defende que a até então vice do ex-presidente preso em invasão dos Estados Unidos neste sábado (3) faz parte de uma composição ilegítima de governo. “Nicolás Maduro, quem encabeçava a chapa da qual se elege, foi candidato em 2024 num processo eleitoral conturbado e, principalmente, numa apuração onde não foi comprovado que ele saiu vitorioso.”

Na visão do especialista, o julgamento de Maduro deveria ocorrer em uma corte internacional e não na Justiça norte-americana, que o detém sob custódia. “Ele cometeu crimes contra a humanidade, crimes de perseguição a inocentes, perseguição à imprensa”, aponta.
O governo de Donald Trump teria, então, construído uma narrativa para que o julgamento se desse nos tribunais norte-americanos, ao acusá-lo de crimes ligados ao narcoterrorismo. “A questão do narcotráfico é o ponto determinante”, diz Furriela.
“Essas acusações se estendem por muitos anos. A única diferença é que neste ano de 2025 o governo americano decidiu pressioná-lo a se entregar, a renunciar ao poder, mediante a utilização da Força Naval dos Estados Unidos e também com os Estados Unidos transformando o crime de tráfico de drogas em crime de terrorismo.”
Ele ainda ressalta que, à luz do direito internacional, a operação que resultou na captura de Maduro não possui justificativa. “São duas as possibilidades para que um país ou estado possa intervir no território de outro e realizar qualquer tipo de medida, principalmente de caráter militar. Uma é em resposta a ataques que o Estado sofre”, menciona.
Como a Venezuela não atacou militarmente os Estados Unidos, esse argumento é descartado. “A outra seria os Estados Unidos terem sido autorizados pela ONU a ingressar na Venezuela e realizar operações contra o governo ditatorial” — o que também não ocorreu.
“O que nós temos é uma justificativa dos Estados Unidos perante o seu direito interno”, continua. Furriela explica que, ainda que a legislação interna dos Estados Unidos possua previsão para casos como o de Maduro, ela não alcança o ingresso no território venezuelano. “Foi uma decisão do governo, do poder executivo de Donald Trump, ingressar no território e fazer a operação. Mas não há respaldo no direito internacional”, conclui.
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