Manifestante iraniano Erfan Soltani é libertado sob fiança após temores de execução
Jovem foi preso no mês passado enquanto manifestações agitavam o país
Internacional|Lex Harvey, da CNN Internacional
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Um homem iraniano que havia sido detido em conexão com protestos contra o governo e supostamente condenado à morte foi libertado sob fiança, segundo um grupo de direitos humanos e a mídia estatal iraniana.
Erfan Soltani, de 26 anos, foi preso no mês passado enquanto manifestações agitavam o país, provocando uma repressão violenta por parte das autoridades.
Ele foi detido em 10 de janeiro em sua casa, em Fardis, uma cidade a cerca de 40 quilômetros a oeste de Teerã, e acusado de “reunião e conluio contra a segurança interna do país”, além de “atividades de propaganda” contra o regime, de acordo com a emissora estatal IRIB.
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Após sua prisão, o Departamento de Estado dos EUA e um parente de Soltani afirmaram que as autoridades iranianas planejavam executá-lo, mas o Judiciário do Irã classificou esses relatos como “notícias fabricadas”, segundo a IRIB.
A família de Soltani disse posteriormente que sua execução havia sido adiada, e o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou ter recebido garantias “de fonte confiável” de que não havia planos de execuções no Irã, em meio aos temores pelo destino de Soltani. Trump advertiu o Irã contra a execução de manifestantes, dizendo que os EUA tomariam “medidas fortes”.
No sábado (31), Soltani foi libertado sob fiança, segundo a Hengaw, uma organização de direitos humanos sediada na Noruega. A emissora estatal iraniana Press TV também confirmou a libertação de Soltani em uma publicação no Telegram.
O destino incerto de Soltani tornou-se um dos casos de maior repercussão internacional durante os enormes protestos antigovernamentais que abalaram o Irã no mês passado.
As forças de segurança iranianas responderam com uma repressão brutal, além de um longo bloqueio nacional da internet.
Em 19 de janeiro, a CNN informou que Soltani estava em boas condições físicas e havia conseguido se encontrar com a família, segundo a Hengaw e um de seus parentes.
Uma parente de Soltani, identificada como Somayeh, disse que ele é um “jovem incrivelmente gentil e de coração caloroso” que “sempre lutou pela liberdade do Irã”, em entrevista à CNN no mês passado.
Mais de 6.400 manifestantes foram mortos e mais de 1.000 presos desde o início dos protestos no mês passado, segundo relatórios recentes da agência de notícias Human Rights Activists News Agency, sediada nos EUA, que acrescentou que outras 11.280 mortes ainda estão sob análise. A CNN não conseguiu verificar esses números de forma independente.
Apesar do bloqueio da internet, detalhes da repressão brutal continuaram a surgir, com testemunhas, ativistas de direitos humanos e profissionais de saúde relatando à CNN que as forças de segurança desencadearam violência generalizada contra os manifestantes.
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, reconheceu que milhares de iranianos foram mortos durante mais de duas semanas de agitação — mas atribuiu parte das mortes a Trump, dizendo que ele “encorajou abertamente” os manifestantes ao prometer “apoio militar” dos EUA.
Enquanto os protestos se intensificavam, Trump incentivou os iranianos a manter as manifestações e “tomar controle” das instituições do país, assegurando que “a ajuda está a caminho”. No entanto, nenhuma ação militar ocorreu durante os protestos ou a repressão subsequente.
Em vez disso, Trump agora avalia um grande ataque contra o Irã depois que negociações para limitar o programa nuclear e a produção de mísseis balísticos do país não avançaram, disseram à CNN pessoas familiarizadas com o assunto. Os EUA também reforçaram sua presença militar na região.
Em uma publicação na rede Truth Social na quarta-feira (28), Trump exigiu que o Irã volte à mesa de negociações para fechar “um acordo justo e equilibrado – SEM ARMAS NUCLEARES”, advertindo que o próximo ataque dos EUA ao país “será muito pior” do que o realizado no verão passado contra três instalações nucleares iranianas.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse à CNN no domingo (1º) que está “confiante de que podemos chegar a um acordo” com os EUA sobre o programa de armas de Teerã.
No entanto, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, adotou um tom desafiador, alertando que um ataque dos EUA enfrentaria uma forte retaliação.
“Os americanos devem saber que, se iniciarem uma guerra, desta vez será uma guerra regional”, disse ele a uma multidão na mesquita Imam Khomeini, em Teerã, no domingo.
O Irã tem uma das maiores taxas de execução do mundo e já executou diversos manifestantes após períodos de grandes protestos e instabilidade social.
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