Manifestantes de Hong Kong serão levados à Justiça, diz China
Porta-voz de Pequim afirmou, nesta terça-feira, que as ações dos radicais foram além da liberdade de expressão e do direito a se reunir
Internacional|Da EFE

Pequim voltou a ameaçar nesta terça-feira (6) os manifestantes que tomaram na segunda-feira (5) as ruas de Hong Kong em uma greve geral que paralisou o território e advertiu que o governo e a polícia local estão preparados para levá-los à Justiça.
O porta-voz do Conselho de Estado (governo chinês) para os Assuntos de Hong Kong e Macau, Yang Guang, disse hoje que as ações dos radicais foram além da liberdade de expressão e do direito a se reunir.
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"Todas essas pessoas que colocam a polícia como alvo ou que ateiam fogo em delegacias estão causando um grande prejuízo à sociedade. Isso tem que parar".
"Temos que prestar atenção nos extremistas que lançaram a bandeira nacional chinesa ao mar, desafiando a soberania nacional e o princípio de 'um país, dois sistemas'", ameaçou Yang em entrevista coletiva na qual fez um balanço da crise na ex-colônia britânica.
O porta-voz acusou os manifestantes de acreditarem que "só a violência pode trazer Justiça. Inclusive forçaram os residentes locais a participar de seus atos. É preciso parar e restaurar a ordem e a lei. Pedimos aos residentes que digam 'não'. Se os protestos continuarem, quem acha que pagará a conta?".
Além disso, Pequim reiterou o apoio ao governo de Hong Kong liderado por Carrie Lam, que acredita ser "completamente capaz" de garantir a segurança e ao qual pediu "medidas" no que parecia mais um passo para pressionar e intimidar os manifestantes.
"Esperamos que os cidadãos de Hong Kong apoiem Lam, o governo e a lei e que aqueles que perpetram estes atos, sejam levados à justiça. Não só as pessoas que protestam na primeira linha, mas os que estão em segredo, os organizam e os apoiam", disse.
Yang defendeu a polícia de Hong Kong e seus "métodos firmes" para "trazer a ordem outra vez" porque "os violentos estão quebrando a lei. Vamos preservar o Estado de direito e o princípio de 'Um país, dois sistemas'", indicou.
"Não subestimem a determinação do governo central de apoiar e salvaguardar Hong Kong", desafiou o porta-voz, que não quis responder à pergunta de um jornalista sobre se a China usará ou não a força para resolver a crise.
No entanto, Yang revelou que mais de 12 mil agentes antidistúrbios chineses chegaram à cidade vizinha de Shenzhen para participar de um simulacro de dissolução de protestos tendo em vista a celebração do 70° aniversário da fundação da República Popular da China, anunciou o corpo policial na rede social Weibo.
Na segunda-feira, milhares de pessoas se uniram a uma histórica greve geral em Hong Kong para pressionar o governo para que responda a uma série de reivindicações que, em origem, consistiam só na retirada de uma controversa proposta de lei de extradição que, segundo advogados e ativistas, teria permitido a Pequim ter acesso a "fugitivos" refugiados na cidade.
As atuais reivindicações incluem a retirada completa do texto, até agora "suspenso", uma investigação profunda sobre a brutalidade policial na repressão aos protestos e a adoção do sufrágio universal.















