Massacre em Bucha não tem autoria confirmada numa guerra em que Putin e Zelenski são capazes de tudo
Olhe para os dois lados com desconfiança: políticos armados são capazes de tudo, a partir do momento que é matar ou morrer
Internacional|Marco Antônio Araújo, do R7

Putin é um criminoso de guerra. A Rússia invadiu a Ucrânia contrariando todas as leis internacionais. O que temos visto é um massacre intolerável sob qualquer ponto de vista. E o que aconteceu no país invadido já tem lugar na história das crueldades de que o ser humano é capaz.
Putin é um psicopata. Um assassino. Faz tempo que sabemos disso, sob o olhar covarde e imóvel das grandes potências. A mesma visão negligente que tratou com tolerância cínica o governo de Zelenski, um governante irresponsável — a ponto de flertar com o nazismo.
Na guerra, a primeira vítima é a verdade. Esse lema consagrado omite algo óbvio: junto com a mentira, o que mais se fortalece é a maldade de quem combate. Seja de que lado for, é uma situação extrema em que vidas e pessoas perdem importância diante da barbárie que é guerrear.
No caso da cidade de Bucha, as imagens que correram o mundo são tenebrosas, horríveis. Puro terror. Cadáveres em valas comuns, cidadãos mortos no meio da rua, cenas que remetem ao desespero — caso alguém se coloque no lugar das... vítimas.
A versão inicial se ampara em afirmar que o Exército russo é composto de monstros, capazes de agir de forma selvagem. Aqui cabe a primeira pausa: está no front de batalha uma absoluta maioria de jovens soldados a serviço do Kremlin. É provável que poucos deles saibam pelo que estão lutando e matando e morrendo.
Do lado ucraniano, de forma nunca vista, todos os homens com idade abaixo de 60 anos foram recrutados à força. Imagine-se nessa situação. Desesperador. Ainda mais sob o comando de um governo que pode ser considerado tudo, menos bondoso ou pacifista. Não há espaço para heróis quando nenhum soldado sabe por que está ali (matando e morrendo).
Do que é capaz um governante envolvido em uma guerra sangrenta? De tudo, não é mesmo? Pois então. Olhe para os dois lados com desconfiança. Políticos armados são capazes de tudo, a partir do momento que é matar ou morrer.
Afinal, quem está falando a verdade? Logo ela, que está proibida quando submetida a bombardeios, tanques, versões contraditórias e à loucura de chefes de Estado.
Não sejamos tolos. A alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos, a ex-presidente do Chile Michelle Bachelet, certamente não é. Com prudência e inteligência necessárias, afirmou: "É vital que todos os esforços sejam feitos para garantir investigações sobre o que aconteceu em Bucha, a fim de garantir a verdade, a justiça e a responsabilidade".
Percebeu como ela não acusa nenhum dos lados pelo massacre? Por que nós, brasileiros, que estamos do outro lado do planeta, nos permitimos tomar partido e afirmar categoricamente qual tirano é responsável por tamanha atrocidade?
Alguém tem certeza de que Putin autorizaria seu Exército a se retirar da cidade ucraniana cometendo tortura, execuções e atos asquerosos? Alguém duvida de que Zelenski não se aproveitaria da retirada para montar um cenário tão devastador e conveniente às suas ambições, as legítimas e as repugnantes?
Sejamos francos. Uma guerra não é uma partida de futebol, em que torcemos por um time e comemoramos até pênalti inexistente que define um campeão. Portanto, não sejamos ingênuos e irracionais. Na guerra, em todas, não há vencedores sem que sangue escorra em suas mãos. Todos, normalmente, estão errados.
O massacre de Bucha ainda não tem autoria confirmada. Tudo pode ter acontecido. A única bandeira que devemos levantar é a da paz. Quem está com ela na mão?











