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Internacional Mercenários russos avançam em direção a Moscou

Mercenários russos avançam em direção a Moscou

Após tomarem a cidade de Rostov, no sul da Rússia, combatentes do grupo Wagner iniciam corrida de 1.100 km até a capital do país

Reuters

Combatentes mercenários russos amotinados avançavam em direção a Moscou neste sábado (24), depois de tomar uma cidade do sul durante a noite, com os militares da Rússia disparando contra eles do ar, mas aparentemente incapazes de retardar seu avanço-relâmpago.

Enfrentando o primeiro desafio sério ao seu controle do poder em seu governo de 23 anos, o presidente Vladimir Putin prometeu esmagar um motim armado que ele comparou à Guerra Civil da Rússia de um século atrás.

Os combatentes do exército privado Wagner, comandado pelo ex-aliado de Putin Yevgeny Prigozhin, já estavam a caminho da capital, tendo capturado a cidade de Rostov e iniciado uma corrida de 1.100 km até Moscou.

Um helicóptero disparou contra transportes de tropas e um caminhão-plataforma que carregava um tanque na cidade de Voronezh, a mais da metade do caminho para Moscou, mas não houve relato de os rebeldes terem encontrado resistência substancial na rodovia.

A mídia russa mostrou fotos de grupos pequenos de policiais posicionando metralhadoras na periferia sul de Moscou. Autoridades da região de Lipetsk, ao sul da capital, instruíram moradores a ficar em casa.

O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, pediu que as pessoas evitem circular pela cidade o máximo possível, uma vez que uma operação antiterrorista fora desencadeada e que a situação era "difícil".

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Sobyanin também comunicou que, para "minimizar os riscos", a segunda-feira será feriado — com algumas exceções. Havia uma maior presença de segurança nas ruas e a praça Vermelha foi bloqueada por barreiras de metal.

Mais de cem bombeiros estavam em ação em um depósito de combustível em chamas em Voronezh. Imagens de vídeo obtidas pela Reuters mostram que ele explodiu em uma bola de fogo logo depois que um helicóptero passou. Prigozhin acusou os militares da Rússia de, na tentativa de retardar o avanço da coluna, atingirem alvos civis do ar.

O comandante do grupo Wagner diz que seus homens estão em uma "marcha por justiça", contra comandantes corruptos e incompetentes que ele culpa pela má condução da guerra na Ucrânia. Em um discurso televisionado do Kremlin, Putin disse que a própria existência da Rússia está ameaçada.

"Estamos lutando pela vida e segurança de nosso povo, por nossa soberania e independência, pelo direito de manter a Rússia, um Estado com mil anos de história", afirmou. "Todos aqueles que deliberadamente trilharam o caminho da traição, prepararam uma insurreição armada,  seguiram o caminho da chantagem e dos métodos terroristas sofrerão punição inevitável, responderão tanto à lei quanto ao nosso povo."

A seguir, Putin assinou uma lei que endurece as sanções aos que não respeitarem a imposição da lei marcial, informa a agência de notícias RIA.

Arte/R7

Desafiador

Um desafiador Prigozhin respondeu rapidamente que ele e seus homens não tinham intenção de se entregar. "O presidente comete um erro grave quando fala sobre traição. Somos patriotas de nosso país, lutamos por isso", disse Prigozhin, em mensagem de áudio. "Não queremos que o país continue vivendo na corrupção, no engano e na burocracia."

Prigozhin, cujo exército privado travou as batalhas mais sangrentas na Ucrânia mesmo em meio a uma rivalidade de meses com o alto escalão, disse que capturou o quartel-general do Distrito Militar do Sul da Rússia, em Rostov, sem disparar um tiro.

Em Rostov, o principal centro logístico de retaguarda para toda a força de invasão russa, os moradores se movimentavam calmamente, filmando com telefones celulares os combatentes do Wagner, em veículos blindados e tanques de batalha, tomarem posições.

Um tanque posicionou-se entre prédios de estuque. Outro tinha "Sibéria" escrito com tinta vermelha na frente, numa clara declaração da intenção de varrer toda a Rússia. "Haverá guerra civil?", perguntou uma mulher aos mercenários que tomavam conta da cidade de Rostov. "Não, vai ficar tudo bem", respondeu um combatente. A região circundante de Rostov é uma importante fornecedora de matérias-primas.

Em uma série de mensagens divulgadas durante a noite, Prigozhin exigiu que o ministro da Defesa, Sergei Shoigu, e o chefe do Estado-Maior, Valery Gerasimov, fossem vê-lo em Rostov.

Desafio

Países ocidentais disseram que estão acompanhando de perto a situação na Rússia. A Casa Branca disse que o presidente Joe Biden foi informado. "Isso representa o desafio mais significativo para o Estado russo nos últimos tempos", disse o Ministério da Defesa britânico.

"Nas próximas horas, a lealdade das forças de segurança da Rússia, e especialmente da Guarda Nacional Russa, será a chave para o desenrolar desta crise."

O controle de Putin sobre o poder pode depender de ele conseguir reunir tropas leais suficientes para combater os mercenários em um momento em que a maior parte das Forças Armadas da Rússia está posicionada no front, no sul e leste da Ucrânia.

O presidente turco, Tayyip Erdogan, pediu a Putin, em um telefonema sobre os recentes acontecimentos, que aja com bom senso.

A insurreição também corre o risco de deixar a força de invasão da Rússia na Ucrânia em desordem, no momento em que Kiev está lançando sua contraofensiva mais forte desde o início da guerra, em fevereiro do ano passado.

"A fraqueza da Rússia é óbvia. Fraqueza em grande escala", escreveu o presidente ucraniano, Volodmir Zelensky, em uma mensagem nas redes sociais. "E quanto mais a Rússia mantiver suas tropas e mercenários em nossa terra, mais caos, dor e problemas ela terá para si mesma mais tarde."

Revolta

Prigozhin, um ex-condenado e aliado de longa data de Putin, lidera um exército privado que inclui milhares de combatentes recrutados nas prisões russas. Seus homens enfrentaram os combates mais ferozes da guerra de 16 meses na Ucrânia, incluindo a batalha prolongada pela cidade oriental de Bakhmut.

Ele criticou durante meses o alto escalão do Exército regular, acusando os generais de incompetência e de reter munição de seus combatentes. Neste mês, ele desafiou ordens para assinar um contrato que colocava suas tropas sob o comando do Ministério da Defesa.

O comandante da Wagner lançou o aparente motim na sexta-feira, depois de alegar que os militares mataram muitos de seus combatentes em um ataque aéreo. O Ministério da Defesa negou.

"Somos 25 mil e vamos descobrir por que o caos está acontecendo no país", disse ele, prometendo destruir quaisquer postos de controle ou forças aéreas que estivessem no caminho do Wagner. Mais tarde, disse que seus homens se envolveram em confrontos com soldados regulares e derrubaram um helicóptero.

Anna Matveeva, pesquisadora visitante sênior do Russia Institute do King's College, disse que Prigozhin era uma figura popular e que seus homens estavam bem equipados e treinados, depois de fazer um trabalho pesado na Ucrânia, nos últimos meses.

"Eles são uma força a ser reconhecida", disse Matveeva, acrescentando que o sucesso ou fracasso do Wagner dependeria dos aliados que ele pudesse encontrar nas forças de segurança da Rússia.

O general do Exército Vladimir Alekseyev emitiu um apelo em vídeo pedindo a Prigozhin que reconsiderasse. "Apenas o presidente tem o direito de nomear a liderança máxima das Forças Armadas, e vocês estão tentando usurpar sua autoridade", disse ele.

Veja fotos do motim do grupo paramilitar Wagner contra o Exército russo

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