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Migração infantil, uma viagem rumo ao perigo dos traficantes

Internacional|Do R7

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Luis Alfredo Martínez. San Salvador, 24 jun (EFE).- A migração de milhares de crianças centro-americanas para os Estados Unidos, que aflorou como um drama humanitário, é estimulada por traficantes de imigrantes ilegais com quem esses menores correm perigo, segundo autoridades de San Salvador, capital de El Salvador, e organismos internacionais. Seja em busca de seus pais ou para escapar de uma quadrilha, estas e outras motivações significam um negócio para os "coiotes", como são conhecidos os traficantes que levam imigrantes ilegais até os EUA. "Mas pôr seus filhos nas mãos de criminosas é colocá-los em perigo iminente, que pode acabar até com suas vidas", advertiu o chanceler salvadorenho, Hugo Martínez. Reunir-se com os familiares nos EUA, fugir do clima de violência e escapar da pobreza são algumas das principais causas dessa fuga de crianças, a maioria vinda de El Salvador, Guatemala e Honduras. Mas autoridades salvadorenhas e representantes de organismos internacionais concordam que o recente aumento da migração de menores foi impulsionada em parte pela falsa informação espalhada por traficantes de imigrantes ilegais, que fez muitos pais que vivem nos EUA a pedirem que seus filhos viajem para a América. Martínez assinalou que "é uma grande mentira, o que prometem os traficantes, que dizem que uma vez que as crianças põem o pé nos EUA já têm resolvido seu estatuto permanente". Eles estão sendo "manipulados pelos 'coiotes' com a versão de que estas crianças estariam protegidas por uma anistia dada pela reforma migratória nos EUA; o que evidentemente não é o caso", explicou à Agência Efe o representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em El Salvador, Gordon Jonathan Lewis. O trajeto rumo aos EUA é "extremamente perigoso", ressaltou Lewis, mencionando entre os riscos a morte e para as meninas "serem vítimas de abusos e assédios sexuais". Lewis também lembrou os perigos do trem mexicano conhecido como "La Bestia", no qual milhares de imigrantes ilegais centro-americanos viajam à fronteira do México com os EUA se expondo a acidentes e ações de bandidos. Uma vez nos Estados Unidos, também se expõem a perigos como as condições climatológicas "bastante adversas" no deserto do Arizona, enfatizou Lewis. Em mais um caso que evidência o negócio dos "coiotes", um juiz de San Salvador condenou o salvadorenho Oscar Dubón García a quatro anos de prisão por tráfico de pessoas. A mãe da vítima o teria contratado por US$ 7.500. Assim que chegou ao México o traficante pediu mais dinheiro, e a criança conseguiu fugir, sendo pega pela autoridade migratória mexicana e deportada para El Salvador, onde o caso foi denunciado às autoridades. As autoridades americanas admitem que o aumento da chegada de menores centro-americanos nos últimos meses ultrapassou a capacidade de suas instituições de abrigá-los, e que por isso estão sendo tomadas medidas extraordinárias para abrigá-los. Segundo autoridades dos EUA, a quantidade de menores centro-americanos detidos sem nenhum acompanhante aumentou 66% no último ano fiscal (de outubro de 2013 até agora), em comparação com o mesmo período entre 2012 e 2013. Os registros dos Estados Unidos indicam que foram detidas 9.850 crianças salvadorenhas, 11.479 guatemaltecas e 13.282 hondurenhas desde outubro de 2013 até 31 de maio deste ano. Os EUA advertiram que repatriarão muitas dessas crianças e destinarão aos três países da América Central US$ 9,6 milhões para a reinserção de repatriados e outros US$ 244 milhões para programas de desenvolvimento social e segurança na região. O vice-presidente americano, Joe Biden, anunciou essa ajuda depois de se reunir na Guatemala com o presidente Otto Pérez Molina; o de El Salvador, Salvador Sánchez Céren; e delegações de alto nível de Honduras e México. EFE lam/cd/ma (foto)

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