Internacional Milhares de pessoas protestam em Hong Kong contra lei de extradição

Milhares de pessoas protestam em Hong Kong contra lei de extradição

Manifestação é por rejeição a polêmico projeto de lei e apoio a reformas democráticas; grupos convocam greve geral para segunda-feira (5)

Milhares de pessoas protestam em Hong Kong contra lei de extradição

Manifestantes marcham em Mong Kok, palco dos protestos

Manifestantes marcham em Mong Kok, palco dos protestos

Eloisa Lopez/Reuters - 03/08/2019

Milhares de moradores de Hong Kong voltaram a expressar neste sábado (3), pelo nono final de semana consecutivo, sua rejeição a um polêmico projeto de lei de extradição e seu apoio a reformas democráticas durante uma manifestação que percorreu algumas das principais artérias comerciais da ex-colônia britânica.

Desde as 16h (horário local, 5h de Brasília), cerca de 120.000 manifestantes, segundo os organizadores, se reuniram no distrito de Mong Kok, popular destino de compras e palco dos enfrentamentos dos protestos pró-democracia de 2014.

A passeata provocou o fechamento de lojas e alterações de tráfico em meio a gritos de apoio à greve convocada para a próxima segunda-feira e palavras de ordem contra a polícia pelo que os manifestantes, em sua maioria jovens, consideram um excessivo uso da violência para reprimi-los.

Durante o protesto, o movimento pró-democracia evitou enfrentar diretamente a polícia após as 44 detenções da semana passada, no que parece uma mudança de tática diante do alto custo causado pelo confronto direto com os agentes.

Em qualquer caso, os manifestantes voltam a ignorar as advertências das autoridades da China e ainda planejam duas passeatas para amanhã, na ilha de Hong Kong e na baía de Tseung Kwan O.

Ao mesmo tempo, milhares de partidários de Pequim, em sua maioria vestidos de branco e levando bandeiras da China, também se manifestaram hoje para mostrar seu apoio ao governo local e aos policiais.

A Justiça de Hong Kong se transformou nesta semana em protagonista da crise depois que a polícia acusou formalmente 44 pessoas de revolta, crime que pode acarretar entre cinco e dez anos de prisão, embora todos menos um, que não se apresentou, tenham sido deixados em liberdade sob fiança até a próxima audiência, prevista para 25 de setembro.

Além disso, soaram os alarmes entre as forças pró-democráticas depois que a guarnição do exército chinês no território publicou um vídeo na quarta-feira no qual aparecem soldados fazendo treinamentos contra distúrbios e um deles gritando "As consequências serão por conta e risco de vocês" em cantonês, idioma mais utilizado em Hong Kong.

As manifestações começaram no começo de junho em Hong Kong contra uma controversa proposta de lei de extradição, que derivaram para reivindicações mais amplas sobre os mecanismos democráticos do território, cuja soberania a China recuperou em 1997 com o compromisso de manter até 2047 as estruturas estabelecidas pelos britânicos.

Apesar de a chefe do governo local, Carrie Lam, ter dado como "morto" esse projeto no começo do mês, os manifestantes não se deram por satisfeitos e seguiram tomando as ruas durante os últimos oito finais de semana.

Os grupos opositores também convocaram uma greve geral para a próxima segunda-feira (5).