Mísseis iranianos podem atingir a Europa? Especialistas divergem
Tentativa de ataque à base de Diego Garcia ampliou suspeitas sobre o verdadeiro alcance do arsenal de Teerã
Internacional|Do R7
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A tentativa de atingir a base militar de Diego Garcia, no oceano Índico, recolocou no centro do debate uma pergunta sensível para a segurança internacional: o Irã já tem capacidade para alcançar grandes capitais europeias com seus mísseis? A partir dos relatos publicados por veículos internacionais e das avaliações de militares, autoridades e especialistas, a resposta mais recorrente é que isso pode ser possível, embora ainda não haja consenso definitivo sobre a extensão real desse poder de ataque.
O Irã disparou dois mísseis balísticos de alcance intermediário contra a base conjunta do Reino Unido e dos Estados Unidos em Diego Garcia, localizada a quase 4.000 quilômetros de Teerã. Nenhum deles atingiu o alvo. Um teria sido interceptado por um navio de guerra americano e o outro falhado em voo. Ainda assim, a própria distância da tentativa passou a ser tratada como indício de uma capacidade de ataque de longo alcance superior àquela que o país vinha admitindo publicamente.
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Até então, a posição oficial iraniana era outra. O chanceler Abbas Araghchi afirmou neste mês que o país havia limitado deliberadamente o alcance de seus mísseis a menos de 2.000 quilômetros para não ser visto como ameaça ao restante do mundo. Esse limite, porém, ficou sob suspeita após o episódio de Diego Garcia, que fica a quase 4.000 quilômetros de distância do Irã.
A principal mudança no debate veio justamente daí. Se o Irã realmente tentou atingir um alvo a essa distância, ainda que sem sucesso, isso indicaria uma capacidade superior às estimativas anteriores, que giravam em torno de 2.000 a 3.000 quilômetros. Um alcance de 4.000 quilômetros colocaria dentro do raio de ação iraniano partes significativas da Europa, incluindo Alemanha, Áustria e Finlândia, além de regiões da África e da Ásia.
Com base em alegações israelenses, cidades como Londres, Paris e Berlim poderiam entrar no alcance dos mísseis iranianos. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que o Irã tem capacidade para atingir “profundamente a Europa”, enquanto as Forças de Defesa de Israel afirmaram que Teerã passou a representar uma ameaça global, com armamentos capazes de alcançar capitais europeias.
Especialistas reforçam essa possibilidade, mas com ressalvas importantes. Tom Karako, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, disse à NBC que o Irã vem testando há anos “grandes mísseis sólidos” e que não seria surpresa se tivesse guardado capacidades mais avançadas do que admitia. Já Tal Inbar, pesquisador ouvido pelo portal Ynet, afirmou que um míssil como o Khorramshahr, com ogiva relativamente leve, poderia alcançar distâncias desse tipo. Ele também mencionou, como hipótese menos provável, a adaptação de um lançador espacial iraniano que, em tese, poderia chegar a 5.000 quilômetros.
Outro ponto decisivo é o local de lançamento. Para atingir Diego Garcia, o disparo provavelmente teria de partir do sul do Irã, perto do estreito de Ormuz. Se um míssil fosse lançado a partir de Teerã, por outro lado, o raio de alcance poderia avançar mais para dentro do continente europeu, incluindo áreas da Europa Ocidental e partes da Escandinávia. Em outras palavras, não se trata apenas da tecnologia do míssil, mas também da posição geográfica de onde ele é disparado.
Apesar disso, há forte contestação sobre a robustez dessa ameaça. O governo britânico disse não haver avaliação que comprove a alegação israelense de que o Irã seja capaz de atingir Londres. O deputado Steve Reed, do Partido Trabalhista, afirmou que não existe “avaliação específica” que sustente que os iranianos estejam mirando o Reino Unido.
O pesquisador Sidharth Kaushal, ouvido pela BBC, afirmou que o alcance de um míssil é “elástico”, pois pode aumentar se a ogiva for mais leve. Para ele, é “provavelmente correto” dizer que o Irã possa ter mísseis capazes de chegar ao Reino Unido, mas isso não significaria automaticamente uma ameaça prática imediata. Segundo sua análise, esses armamentos tendem a ser imprecisos em distâncias muito longas e ainda precisariam cruzar espaços aéreos fortemente defendidos.
A incerteza aumentou ainda mais porque o próprio Irã negou ter atacado Diego Garcia. O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, classificou a acusação como uma operação de “bandeira falsa” israelense. A Otan também não teria confirmado a versão de que os projéteis eram mísseis balísticos intercontinentais iranianos.
Portanto, a possibilidade de que mísseis iranianos consigam alcançar grandes capitais europeias é plausível, especialmente se o ataque a Diego Garcia de fato tiver partido do Irã. Mas essa possibilidade, pelo menos por enquanto, é improvável. Mesmo assim, o que existe hoje dentro dos governos ocidentais é uma forte suspeita de que o alcance real dos mísseis iranianos possa ser maior do que se imaginava até agora.
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