Mistério em El Salvador: autoridades se contradizem sobre morte do hipopótamo “Gustavito”
Facadas? Doença? Negligência? As várias versões sobre a morte do hipopótamo
Internacional|Do R7

A morte do hipopótamo Gustavito dentro do zoológico de El Salvador está envolta em mistério, passados cinco dias de sua morte e rápido enterro. Autoridades de diferentes órgãos deram mais de uma versão sobre o caso, mas o laudo da necrópsia revelou que a morte se deu por hemorragia pulmonar.
O país da América Central é um dos mais violentos do mundo. Relatório publicado em junho de 2016 pela OMS (Organização Mundial da Saúde), com dados para 2012, mostram que El Salvador tem a quinta maior taxa de homicídios, com 43,9 assassinatos para cada 100 mil habitantes. O país só fica atrás de Honduras (103,9), Venezuela (57,6), Jamaica (45,1) e Belize (44,7).
Mesmo convivendo com esse nível de violência, os salvadorenhos ficaram chocados com a morte do animal dentro do Parque Zoológico Nacional, ainda mais porque as informações iniciais davam conta de que o animal fora assassinado cruelmente.
O mistério em torno de Gustavito começou no último sábado (25), quando a Secretaria de Cultura, responsável pelo zoológico, informou que o animal estava mal de saúde após ser encontrado com perfurações pelo corpo. A nota acrescentava que Gustavito havia três dias que não saía da piscina de sua jaula e não se alimentava. Naquele momento, a secretaria calculava que o ataque tinha acontecido entre a noite de quarta-feira (22) e quinta (23).
Um dos diretores do zoo chegou a dizer no domingo (26) à tarde ao jornal La Prensa Gráfica que o animal estava com marcas pelo corpo de um “quebrador de gelo” e que dentro da jaula foram encontradas “barras de ferro”. Gustavito morreu na noite de domingo, sendo enterrado poucas horas depois.
Entrou no caso então a Fiscalía General de La República (FGR, similar à brasileira Procuradoria-Geral da República). Na última quarta (1º), a FGR divulgou os resultados da necrópsia feita no animal.
O laudo revelou que Gustavito morreu de “hemorragia pulmonar”. Ele também tinha feridas na boca, que poderiam ter sido produzidas por suas próprias presas. “Hemorragia pulmonar é a causa da morte, segundo a necrópsia. Não se notou perfuração por quebrador de gelo, como se informou inicialmente”, declarou um dos investigadores ao La Prensa Gráfica.
Segundo a FGR, a hemorragia pulmonar foi ocasionada porque Gustavito não estava conseguindo defecar normalmente, expelindo as fezes pelo focinho. Por suas fossas nasais, o material chegou ao pulmão, o que levou à hemorragia.
O laudo coincide com declarações do Setramec (Sindicato dos Trabalhadores da Secretaria da Cultura), que afirmara na terça-feira (28), por meio de nota, que Gustavito estava enfermo fazia 17 dias.
“Temos conhecimento de que o animal morreu por causa de um bloqueio no sistema digestivo, possivelmente no estômago, segundo avaliação visual dos empregados”, informou a nota do sindicato na terça, um dia antes dos resultados da autópsia. Na ocasião, o Setramec acusou a administração do zoológico de “negligência”.
Na quarta (1º), um diretor do zoo, Mario Salazar, afirmou que o enterro ocorreu de forma rápida para “evitar contaminação”. Ele se negou a comentar com a imprensa mais detalhes do caso, afirmando não ter “autorização”.
Na quinta-feira (2), foi a vez da secretária de Cultura, Silvia Elena Regalado, ir à FGR dar sua versão sobre o caso. Após ser interrogada pelas autoridades, ela disse que as informações iniciais sobre os ataques com barras de ferro faziam parte de um relatório elaborado por biólogos e veterinários que atenderam o animal, e que a secretaria emitiu um comunicado para a imprensa com base nessas informações.
“Esse relatório eu recebi de veterinários e biólogos, e é uma das coisas que ainda precisa ser investigada para comprová-la ou descartá-la”, disse Silvia ao site El Salvador Times.
A secretária, contudo, acabou admitindo que Gustavito estava mesmo doente, aparentemente desde 10 de fevereiro.
“No dia 10 ele recebeu tratamento médico no estômago, quando foi extraído um plástico que alguém lhe havia lançado”, afirmou Silvia.
Uma reportagem do El Salvador Times, que conversou com testemunhas e funcionários que acompanharam as horas finais de Gustavito, reforça a teoria de negligência e levanta a hipótese de erro médico. No domingo, quando o hipopótamo agonizava, seus cuidadores resolveram limpar a água de sua lagoa, que estava muito suja, já que o animal não saía dali fazia dias em razão de sua doença estomacal.
"Essas foi uma das piores decisões", escreveu o site de notícias. Ao ser retirado da lagoa, o hipopótamo, bastante debilitado, sofreu uma queda de dois metros de altura, ferindo-se gravemente no olho direito e nas bochechas. A partir daquele momento ele não conseguiu mais se levantar, agonizando e expelindo as fezes pelo focinho. Algumas horas depois, às 21h do domingo, ele estava morto.
O hipopótamo chegou a El Salvador em outubro de 2004, de acordo com o site local El Faro. Antes dele, o hipopótamo Alfredito viveu no zoológico do país por 26 anos, até sua morte em 2004.
Gustavito morreu aos 15 anos de idade. O tempo médio de vida deste animal é de 30 a 40 anos.
À medida que surgem detalhes sobre o assassinato de “Gustavito”, o hipopótamo que vivia no Zoológico Nacional de El Salvador, a história se torna mais chocante e cruel. Segundo o jornal local La Prensa Gráfica, autoridades do parque disseram que o ani...
À medida que surgem detalhes sobre o assassinato de “Gustavito”, o hipopótamo que vivia no Zoológico Nacional de El Salvador, a história se torna mais chocante e cruel. Segundo o jornal local La Prensa Gráfica, autoridades do parque disseram que o animal foi morto com objetos pontiagudos como barras de ferro e picador de gelo






















