Negociações entre Rússia, Ucrânia e EUA terminam sem acordo sobre fim da guerra
Zelensky diz que conversas foram ‘difíceis’ e acusa Moscou de atrasar progresso em direção a um acordo
Internacional|Da Reuters
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As negociações de paz entre Ucrânia e Rússia em Genebra terminaram nesta quarta-feira (18) após apenas duas horas, com o presidente Volodymyr Zelensky descrevendo-as como “difíceis” e acusando a Rússia de atrasar deliberadamente o progresso em direção a um acordo para encerrar a guerra de quatro anos.
Os dois dias de negociações de paz mediadas pelos EUA na Suíça ocorreram depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, sugeriu duas vezes nos últimos dias que cabia à Ucrânia e a Zelensky garantir o sucesso das negociações.
“Podemos ver que houve progresso, mas, por enquanto, as posições divergem porque as negociações foram difíceis”, disse Zelensky a repórteres em um chat no WhatsApp logo após o término das negociações.
Rustem Umerov, chefe da equipe de negociação de Kiev, afirmou separadamente que o segundo dia foi “intenso e substantivo”. Ambos os lados estavam trabalhando para chegar a decisões que possam ser enviadas aos seus presidentes, segundo ele.
O principal negociador da Rússia, o ex-ministro da Cultura Vladimir Medinsky, disse aos repórteres que novas negociações seriam realizadas em breve, sem especificar uma data. Na quarta-feira, Zelensky acusou a Rússia de “tentar prolongar negociações que já poderiam ter chegado à fase final”.
Autoridades ucranianas têm acusado rotineiramente Moscou — que tem realizado uma campanha de bombardeios no inverno contra o sistema energético da Ucrânia e prosseguiu com sua ofensiva no campo de batalha — de negociar de má-fé.
Pressão de Trump
Em entrevista ao site norte-americano Axios publicada na terça-feira, Zelensky disse que “não era justo” Trump continuar pedindo publicamente à Ucrânia, e não à Rússia, que fizesse concessões nas negociações para um plano de paz.
Trump declarou aos repórteres na segunda-feira que “é melhor a Ucrânia se sentar à mesa rapidamente. É tudo o que tenho a dizer”.
Zelensky também disse que qualquer plano que exigisse que a Ucrânia abrisse mão de territórios que a Rússia não havia capturado na região de Donbas seria rejeitado pelos ucranianos se submetido a um referendo.
“Espero que seja apenas uma tática e não uma decisão”, afirmou Zelensky na entrevista, segundo o Axios.
Pressão para envolvimento europeu
Autoridades ucranianas têm pressionado por um maior envolvimento dos aliados europeus de Kiev no processo de paz, com Zelensky dizendo antes das negociações de quarta-feira que isso era “indispensável”. As principais nações europeias — incluindo França, Alemanha e Reino Unido — têm apoiado fortemente a posição de Kiev.
As negociações ocorreram poucos dias antes do quarto aniversário da invasão russa de 2022 ao seu vizinho muito menor. Centenas de milhares de pessoas foram mortas, milhões fugiram de suas casas e muitas cidades, vilas e localidades ucranianas foram devastadas pelo conflito.
A Rússia nega atacar deliberadamente civis.
Fonte russa descreveu negociações como ‘muito tensas’
Umerov disse na terça-feira que o primeiro dia de negociações se concentrou em “questões práticas e nos mecanismos de possíveis decisões”, sem fornecer detalhes. No entanto, de acordo com agências de notícias russas, uma fonte afirmou que as negociações de terça-feira foram “muito tensas” e duraram seis horas em diferentes formatos bilaterais e trilaterais.
Antes do início das negociações, Umerov havia minimizado as esperanças de um avanço significativo em Genebra, dizendo que a delegação ucraniana estava trabalhando “sem expectativas excessivas”.
A reunião de Genebra segue-se a duas rodadas de negociações mediadas pelos EUA em Abu Dhabi, que terminaram sem grandes avanços, uma vez que as duas partes permaneceram distantes em questões-chave, como o controle do território no leste da Ucrânia.
A Rússia ocupa cerca de 20% do território nacional da Ucrânia, incluindo a Crimeia e partes da região de Donbas tomadas antes da invasão em grande escala de 2022. Seus recentes ataques aéreos à infraestrutura energética deixaram centenas de milhares de ucranianos sem aquecimento e energia durante um inverno rigoroso.
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