Netanyahu inicia tentativa de formar governo em Israel

Primeiro-ministro interino precisa de coalizão, mesmo não contando com maioria no parlamento devido ao fracasso das negociações com Gantz

Netanyahu precisa formar coalizão para governar

Netanyahu precisa formar coalizão para governar

REUTERS/Amir Cohen/15.09.2019

O primeiro-ministro interino de Israel, Benjamin Netanyahu, foi encarregado nesta quarta-feira (25) de tentar formar uma nova coalizão para governar o país nos próximos anos, apesar de não contar com maioria no parlamento devido ao fracasso das negociações com o opositor Benny Gantz.

"É necessário que se crie uma situação para abrir o beco sem saída político no qual estamos. As pessoas não querem outra eleição", alertou o presidente de Israel, Reuven Rivlin, ao confirmar a indicação de Netanyahu para assumir a responsabilidade de formar um novo governo hoje.

As negociações

Nem o Likud, de Netanyahu, nem o Azul e Branco, de Gantz, conseguiram conquistar 61 cadeiras das 120 que formam o parlamento de Israel nas eleições de setembro, a segunda realizada pelo país neste ano. O pleito foi convocado devido à incapacidade de Netanyahu de montar uma coalizão de governo com a composição do Knesset que saiu das urnas em abril.

A decisão de Rivlin veio depois de dois dias de consultas aos partidos com representação no Knesset. Antes de anunciar hoje a indicação de Netanyahu, o presidente de Israel lembrou que deixou o líder do Likud e seu principal opositor sozinhos em uma sala para negociar uma solução para o impasse político.

Netanyahu insistiu em incluir na negociação seu bloco de aliados, integrado pela aliança direitista Yamina, que conquistou sete cadeiras no parlamento, e pelos ultraortodoxos Shaas e Judaísmo Unido pela Torá, que, juntos, terão 16 deputados no próximo Knesset, uma condição negada pela coalizão Azul e Branco.

Outra questão que atrapalha um possível acordo é a audiência que Netanyahu tem marcada para o próximo dia 2 de outubro com o procurador-geral do Estado de Israel, que pode formalizar acusações contra o primeiro-ministro interino em três casos de corrupção.

Gantz promete, desde antes do pleito, que não governará ao lado de um acusado pela Justiça.

"O Azul e Branco está comprometido com a ideia de unidade, mas, a partir da nossa perspectiva, a ordem apropriada seriam negociações entre os dois grupos mais votados, só eles, para chegar a acordos sobre temas substanciais e o caráter do próximo governo", argumentou Gantz.

Fadado ao fracasso

Com uma recomendação a mais que Gantz para ser o incumbido de formar um novo governo em Israel, Netanyahu aceitou o desafio sabendo que não terá êxito sem o Azul e Branco. Por isso, rebaixou o tom das críticas feitas durante a campanha ao opositor e pediu uma "reconciliação nacional".

"Não poderemos formar um governo a menos que o façamos juntos", disse o líder do Likud.

Netanyahu terá um prazo de quatro semanas, prorrogáveis por mais duas, para desbloquear o impasse político. Fora a aliança com o Azul e Branco, o premiê interino tem a opção de tentar integrar ao seu bloco de aliados o Israel Nosso Lar, do ex-ministro Avigdor Lieberman.

No entanto, o partido, de caráter laico, se nega a entrar em um governo ao lado dos ultraortodoxos, posição que, inclusive, forçou Netanyahu a convocar as eleições de setembro.

Caso Netanyahu fracasse, Rivlin pode indicar Gantz para a missão. O problema, porém, permanece. Apenas com os aliados do Partido Trabalhista e da União Democrática, somados a uma hipotética união com os dez deputados da Lista Árabe, o líder do Azul e Branco não tem votos suficientes para tornar-se primeiro-ministro de Israel.

Para evitar a convocação de uma terceira eleição ainda neste ano, o presidente de Israel pediu que Netanyahu e Gantz se entendam e formem um governo de unidade. Eles parecem apoiar a ideia, mas têm visões de país muito distintas, tornando a hipotética aliança quase impossível.

Uma possível saída de Netanyahu da liderança do Likud é vista como a única opção para que a coalizão com o Azul e Branco saia do papel. A mudança sequer é cogitada pelos integrantes do partido do primeiro-ministro, uma situação que pode se alterar caso ele seja de fato formalmente acusado de corrupção.