Nos 90 anos de Anne Frank, seguem investigações sobre possível traição
Até hoje permanece o mistério sobre como as oito pessoas que passaram dois anos escondidas em sótão foram encontradas pelos oficiais nazistas
Internacional|Eugenio Goussinsky, do R7

Quando os nazistas invadiram a Holanda, em setembro de 1939, a menina Anne Frank tinha 10 anos. Aquele momento foi o começo de seu drama, que terminou com a morte dela no campo de concentração de Bergen-Belsen, em 1945, aos 15 anos. Anne foi mais uma vítima das atrocidades que abreviaram a vida de muitos judeus. Hoje, neste 12 de junho, Anne Frank faria 90 anos.
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O conhecido suplício da família Frank teve início em 1942. Seus membros já sofriam perseguições, como todos os judeus na Holanda, obrigados a ter uma vida restrita. Mas, naquele julho de 1942, a irmã mais velha de Anne, Margot, recebeu a ordem de ir para o campo de trabalhos forçados, o que fez o pai, Otto decidir que a família deveria se abrigar no sótão do prédio da empresa, na rua Prinsengracht, 263.
Foi dentro do esconderijo que a menina escreveu a maior parte de seu famoso diário, recebido como presente do pai pouco antes de irem para lá. O grupo recebeu o suporte de pessoas de fora, que trabalhavam na empresa de Otto: Miep Gies, Johannes Kleiman, Victor Kugler e Bep Voskuijl.
O local abrigou um total de oito pessoas, que lá ficaram por mais de 2 anos, até 4 de agosto de 1944. Além da família Frank, chegaram, uma semana depois o casal Hermann e Auguste Van Pels, com o filho, Peter van Pels. E, no fim do ano, juntou-se ao grupo o dentista Fritz Pfeffer.
Até hoje, porém, permanece o mistério sobre como eles foram encontrados pelos oficiais nazistas naquele mês de agosto de 1944. O FBI voltou a investigar o caso em 2017, dentro da esfera de casos não resolvidos.
Conforme conta o site do Museu Anne Frank, em Amsterdã, é certo que os oficiais que invadiram os esconderijos foram o austríaco Karl Silberbauer e os holandeses Gezinus Gringhuis e Willem Grootendorst. No fim da guerra, todos foram presos e confessaram o crime.
Há também uma forte suspeita de que existiu um traidor que denunciou o grupo. Só não se sabe quem foi. A certeza é a de que nenhum dos que acobertaram as pessoas tem envolvimento.
Também não se conseguiu provar que a denúncia foi feita por telefone. Naquela época, as linhas do país estavam bloqueadas, dificultando e muito as chamadas particulares.
Entre os suspeitos estão Willem van Maaren, um dos funcionários da companhia de Otto e Tonny Ahlers, um nazista holandês que conhecera Otto e teria se interessado em ficar com seus bens.
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Já Melissa Müller, biógrafa de Anne Frank, acredita que Lena Hartog, esposa de Lammert, que trabalhava clandestinamente no escritório, foi a denunciante.
Outra suspeita é Ans van Dijk; mulher judia que, depois de capturada, teria garantido a sua deportação após acordo para denunciar judeus escondidos. Não há, no entanto, nenhuma evidência concreta a respeito de cada um dos suspeitos.
Após a descoberta, Anne e as outras pessoas do anexo foram enviadas ao campo de concentração. Somente Otto sobreviveu. E descobriu o diário após a sua libertação. Casou-se novamente, teve outros filhos e morreu em 1980.
Mas sua verdadeira libertação ocorreu quanto ele leu as palavras de Anne. Otto, então, assumiu como principal missão divulgar a bela mensagem da filha, em favor dos direitos humanos e da vida. Até certo ponto, era tarde. Mas ele já não precisava mais esconder nada de ninguém.
Quadrinho polonês conta história de prisioneiros em campo nazista












