Nova Guerra Fria? O que se sabe sobre o provável teste nuclear feito pelos EUA
Flagrante de bombardeiro B-52 com míssil furtivo reacende disputa atômica com a Rússia
Internacional|Do R7
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O governo dos Estados Unidos realizou, no fim de outubro, um novo teste ligado ao seu programa de armamento nuclear estratégico. Um bombardeiro B-52H Stratofortress, modelo desenvolvido ainda na Guerra Fria, foi visto sobrevoando o Vale de Owens, na Califórnia, carregando dois artefatos que especialistas acreditam ser protótipos do novo míssil de cruzeiro nuclear furtivo conhecido como Long-Range Standoff, ou LRSO.
A aeronave foi fotografada por um entusiasta da aviação, Ian Recchio, em 29 de outubro, e as imagens rapidamente chamaram a atenção de veículos especializados em defesa.
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O site The Aviationist analisou as imagens e concluiu que os objetos fixados sob a asa direita do bombardeiro se assemelham às imagens ilustradas oficiais divulgadas pela Força Aérea dos EUA do míssil AGM-181A LRSO. Esse novo armamento faz parte de um ambicioso plano de modernização da chamada tríade nuclear americana, composta por armas lançadas de terra, mar e ar, e pretende substituir o míssil AGM-86B Air-Launched Cruise Missile (ALCM), em serviço desde 1982.
O LRSO é projetado para ser uma arma de cruzeiro de longo alcance, furtiva e capaz de penetrar defesas aéreas modernas, mantendo a capacidade de dissuasão nuclear dos Estados Unidos contra potências rivais como Rússia e China. Segundo o Escritório de Responsabilidade Governamental (GAO), o projeto prevê a aquisição de mais de 1.000 mísseis, cada um com custo aproximado de US$ 14 milhões. O armamento está sendo desenvolvido pela empresa Raytheon, parte da RTX Corporation, contratada oficialmente em 2020 após vencer a concorrência contra a Lockheed Martin.
O Pentágono informou que o LRSO já passou por nove testes de voo bem-sucedidos, atingindo todos os objetivos técnicos previstos. A previsão é de que o míssil alcance capacidade operacional inicial em maio de 2030. Até lá, os testes devem continuar com o uso de bombardeiros B-52H, que atualmente são os únicos aviões capazes de transportar o modelo — e, futuramente, também com o novo bombardeiro furtivo B-21 Raider, em fase final de desenvolvimento.
O episódio do sobrevoo do B-52 ocorreu poucos dias antes de outro evento significativo: o lançamento de um míssil intercontinental Minuteman III, que representa a segunda perna da tríade nuclear americana, voltada para dissuadir ataques inimigos. A combinação desses dois testes em sequência chamou atenção por representar uma demonstração de força atômica rara em tão curto intervalo de tempo.
O contexto geopolítico também ajuda a explicar a movimentação. A Rússia realizou recentemente o teste de seu míssil Burevestnik, movido a energia nuclear e descrito por Vladimir Putin como “invencível” e capaz de atingir qualquer ponto do planeta. Pouco depois, o presidente Donald Trump autorizou a retomada dos testes de armas nucleares nos Estados Unidos, decisão que reforçou a percepção de uma nova fase de competição militar entre as grandes potências.
Para os analistas, o objetivo central do LRSO é garantir que os bombardeiros americanos possam lançar ataques nucleares a partir de distâncias seguras, fora do alcance das defesas antiaéreas de adversários. A Federação de Cientistas Americanos descreve o míssil como uma “opção flexível” que oferece aos líderes militares e políticos dos EUA maior margem de manobra em crises regionais sem depender exclusivamente de mísseis intercontinentais ou submarinos nucleares.
O míssil que o LRSO substituirá, o AGM-86B, foi projetado para durar apenas dez anos, mas já acumula mais de quatro décadas de serviço. Seu desempenho tornou-se limitado diante dos avanços tecnológicos russos e chineses em radares e sistemas antimísseis. O novo modelo promete alcance superior a 2.400 quilômetros e uma assinatura de radar reduzida, o que dificulta sua detecção.
Segundo o relatório anual do GAO, a Força Aérea dos Estados Unidos considera o LRSO uma peça essencial para modernizar o segmento aéreo de sua tríade nuclear, ao lado da substituição dos mísseis intercontinentais Minuteman III pelo sistema Sentinel. Juntas, essas atualizações visam assegurar a credibilidade da capacidade dissuasória do país até meados do século XXI.
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