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Novo documento sinaliza ambição da Rússia por dominação cultural além da Ucrânia; entenda

Professor analisa anúncio de Putin, que quer aumento de pessoas identificadas como russas nos territórios ucranianos ocupados

Internacional|Do R7

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Um documento assinado pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, nesta terça-feira (25) pede que autoridades russas aumentem o número de pessoas que se identificam como russas nas partes ocupadas da Ucrânia. Muitos ucranianos, tradicionalmente, simpatizavam com a Rússia em razão da era soviética — situação que mudou desde o início do conflito há três anos.

“Quando a gente olha para as quatro regiões que o Putin avançou, Luhansk e Donetsk, Zaporizhzhya e Kharkiv, há uma forte presença do idioma russo. Mais de 60% da população fala russo. O próprio Zelensky [presidente da Ucrânia] fala russo fluentemente”, destaca o professor de relações internacionais Leonardo Trevisan, em entrevista ao Conexão Record News.


Reforçar identidade russa na Europa não é uma ideia nova, diz professor Reprodução/Record News

A “Estratégia da Política Nacional da Rússia para o período até 2036” prevê medidas para garantir que 95% da população da Ucrânia se identifique como russa até a data. Segundo o texto que entra em vigor em janeiro, é vital adotar medidas adicionais para fortalecer a identidade cívica russa, consolidar o uso do idioma e agir contra os esforços de Estados estrangeiros hostis para desestabilizar as relações interétnicas.

Trevisan explica que reforçar a questão identitária russa não é uma ideia nova. “Por outro lado”, continua, “a Ucrânia, como qualquer região do mundo, é ciosa da sua nacionalidade. Fala russo, mas não era tão adepta, era mais próxima à Rússia economicamente. Não culturalmente”, diz.


Ele cita as divisões ao longo do território ucraniano: enquanto a porção mais a norte, próxima à capital Kiev, está mais próxima da Europa ocidental, a parte mais a sul e leste compartilha uma visão mais russa. Ainda assim, “pedir a esses habitantes que assinem um documento dizendo que eles são russos é uma outra realidade”.

Para o professor, o anúncio de Putin significa que o líder se prepara para uma fase diferente da guerra, em que deixa claro o desejo de interferência cultural no continente. Vale mencionar que outros países vizinhos também lidam com a presença do idioma e a influência russa no seu dia a dia.


“Não é só na Ucrânia que isso está presente. Pensa na Geórgia, pensa na Moldávia. Há muitos falantes de russo ali, porque são séculos de proximidade. Esse documento assusta mais aos europeus do que qualquer coisa”, analisa Trevisan. Ele vê um sinal de que Putin não pretende parar nas regiões conquistadas, e pensa que o novo documento pode ser um jeito de “tentar arrancar uma paz mais rápida”.

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