Internacional Novos arranha-céus redesenham a famosa silhueta de Nova York

Novos arranha-céus redesenham a famosa silhueta de Nova York

Colossos residenciais apelidados de 'agulhas', por serem exageradamente estreitos, surgem ao lado de prédios comerciais que já quase 'tocam o céu'

  • Internacional | Do R7, com EFE

Nova York em 1989, no 11 de setembro de 2001 e em 2019: crises e oportunidades

Nova York em 1989, no 11 de setembro de 2001 e em 2019: crises e oportunidades

Fotos: EFE / Montagem: R7

Nova York é seu perfil, forjado pelos arranha-céus que a preenchem e que a modificam contantemente a cada impulso econômico ou a cada crise. A febre multimilionária pelos edifícios tipo "agulha" em Manhattan está criando agora uma nova silhueta, admirada por alguns e detestada por outros.

Duas dezenas de colossos residenciais apelidados de "agulhas" ou de "torres lápis" por serem exageradamente estreitos e altos, começaram a surgir com o início da nova década, junto às torres de escritórios e hotéis que continuam subindo pelo céu novaiorquino.

Muitos se elevam a mais de 400 metros de altura, como o 111 West, na rua 57 (435 metros) ou o Central Park Tower (442 metros), que têm em comum o fato de se erguerem sobre a maçã de ouro dos multimilionários, onde os ricos do mundo inteiro competem para comprar um apartamento com vista de pássaro sobre um dos parques mais conhecidos do planeta.

No total, mais de 20 edifícios de 300 metros ou mais foram construídos nos últimos dez anos, estão em construção ou têm sua conclusão projetada para os próximos 5 anos, o que está mudando a cara da Grande Maçã.

Origem e expansão

"O que você precisa para construir arranha-céus é uma economia em alta, uma demanda por espaço, gente disposta a se empilhar no mesmo lugar e que está disposta a pagar altos preços, que provocam um aumento no preço do terreno. E é nessa área que Nova York se manteve muito competitiva reiventando seu horizonte de novo e de novo e esticando o perfil da ilha", disse à Efe Carol Willis, diretora do Museu do Arranha-céu.

Willis conta como os arranha-céus, que começaram a ser erguidos na última década do século 19, ocuparam primeiro a zona da baixa Manhattan, em volta de Wall Street, depois foram subindo rumo ao norte até a metade da ilha, na rua 42 e na estação Grand Central, "onde um novo centro de desenvolvimento de negócios começou a crescer, principalmente depois das guerras mundiais".

Novo edifício 'agulha' em NY

Novo edifício 'agulha' em NY

Jorge Fuentelsaz / EFE - 18.2.2019

Eram prédios de escritórios e alguns hotéis, "mas agora os arranha-céus com plantas residenciais constituem o novo crescimento, uma categoria de edifícios hiperluxuosos, espetaculares, muito altos e muito esbeltos que demonstram a última década de desenvolvimento e inovação no perfil urbano da cidade".

E além do baixo e médio Manhattan, onde continuam crescendo os arranha-céus, novas torres estão sendo erguidas na rua 57, junto ao Central Park e ao bairro novinho em folha de Hudson Yards, que além de alguns dos últimos colossos de concreto e aço da cidade, também abriga, como é cada vez mais comum na política imobiliária da cidade, um novo museu — o Shed — e grandes armazéns.

A maquete de um desses arranha-céus, que fica no número 56 da rua Leonard, de 250 metros de altura, até ganhou um espaço no museu MoMa, em cuja loja se encontra todo tipo de lembranças com a característica silhueta de Nova York.

No entanto, para o jornalista e escritor Sam Roberts, que acaba de publicar o livro "Uma História de Nova York em 27 prédios", sobre 27 edifícios emblemáticos da cidade, esses novos "arranha-céus agulha" residenciais são "feios e "ofensivos".

Se tivesse que escolher um deles para morar, ele diz que ficaria com o situado no número 432 da Park Avenue (425 metros de altura), porque "me parece o menos ofensivo, talvez porque seja um pouco mais cúbico e menos esbelto, talvez porque seja o mais antigo e por isso estou mais acostumado com ele".

Willis conta que nos anos 20 e 30 do século 20, representados em edifícios como o Chrysler ou o Empire State — seu favorito — são o reflexo da mentalidade de investidores da bolsa e de uma "ideia de modernidade, de que Nova York estava se inventando como a capital do mundo, a maior cidade do mundo, capital da cultura".

O período após as guerras mundiais foi encarnado pelo World Trade Center, "os mais altos edifícios do mundo, e também os maiores em termos de espaço", que refletiam um "aumento da confiança na economia, mas também um excesso de confiança".

Os atentados e o fim dos arranha-céus

WTC em chamas no 11 de setembro de 2001

WTC em chamas no 11 de setembro de 2001

Hubert Michael Boesl / DPA-EPA-EFE - 11.9.2001

Depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 contra as torres gêmeas, "a maioria das pessoas previram que não iria haver mais outro arranha-céu em Nova York, que as pessoas teriam medo de ocupá-los, que os bancos não emprestariam dinheiro porque seria muito arriscado".

"No entanto, menos de duas décadas depois temos um novo crescimento", diz Willis, antes de comentar que depois de 2009, mas sobretudo de 2012, com a recuperação da crise financeira, a silhueta de Nova York começou a sofrer as mudanças que continuam até hoje.

Nova York, brinca Willis, dá as mesmas condições para o crescimento dos arranha-céus que as ilhas Galápagos oferecem para a evolução dos animais: leis especiais, um mercado muito atrativo e muitos multimilionários estrangeiros que querem investir em "apartamentos-troféus", que muitas vezes nunca são habitados.

Em seu livro, Roberts defende que os novaiorquinos dão forma aos edifícios e que estes, muitas vezes, acabam moldando seus moradores.

Novas 'agulhas' construídas mudam perfil de Nova York

Novas 'agulhas' construídas mudam perfil de Nova York

Jorge Fuentelsaz / EFE - 18.02.2019

Entretanto, com relação às novas "agulhas", que contém cerca de "10 mil apartamentos", o jornalistaacredita que elas não "afetarão a personalidade da pixcidade", a essência de seus mais de 8 milhões de moradores.

"Nova York continua a mesma, ainda tem muita gente quem para cá para trabalhar, buscar sucesso, tentar uma vida melhor para seus filhos, e isso não mudou em 400 anos", destaca Roberts, para quem o Empire State — por sua beleza e romantismo — continua sendo um ícone da cidade, apesar de ter sido superado em altura por outros imponentes arranha-céus.

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