O bem sempre triunfa, ainda que, em alguns momentos da história, a escuridão pareça prevalecer. O povo palestino merece autodeterminação, mas para que isso aconteça de maneira justa e duradoura, é essencial que ele se liberte do domínio de organizações terroristas, em especial o Hamas. A opressão imposta por esse grupo não apenas sufoca os palestinos, mas também impede qualquer possibilidade real de paz com Israel, um país que, em sua quase totalidade, apoia a criação de um Estado palestino — desde que este respeite a existência de Israel e garanta a segurança de suas populações.Infelizmente, os palestinos da Faixa de Gaza entregaram um poder desproporcional ao Hamas, que, ao invés de construir um futuro melhor para seu povo, desviou recursos para o terror e a destruição. Já a Autoridade Palestina, que governa a Cisjordânia, falhou miseravelmente em garantir qualquer segurança para Israel, perpetuando discursos de ódio e incentivando ataques contra civis. Com essas lideranças, qualquer tentativa de paz sempre esteve fadada ao fracasso.Olhando para a história, percebe-se que o mundo foi, por muito tempo, indiferente ao destino dos palestinos. Jordânia e Egito, que governaram a Cisjordânia e Gaza, respectivamente, entre 1948 e 1967, jamais permitiram a criação de um Estado palestino. Nenhuma pressão internacional foi feita sobre esses países para garantir um lar para os palestinos, o que demonstra que a questão nunca foi realmente sobre autodeterminação, mas sobre a recusa em aceitar a existência de Israel.Quem hoje enxerga o conflito sem compreender sua origem ignora que a solução de dois Estados já foi proposta e rejeitada reiteradas vezes pelos próprios líderes árabes e palestinos. No entanto, surge agora uma esperança: os cidadãos palestinos começam a se revoltar contra o Hamas, abrindo caminho para um futuro em que possam escolher líderes comprometidos com a paz e o progresso. A cada dia, fica mais evidente que o Irã, principal patrocinador do Hamas, foi o grande responsável por um banho de sangue que custou vidas tanto israelenses quanto palestinas. Diferentemente do que muitos dizem, nem o Irã, nem o Hamas lutam pela criação de dois Estados, mas sim pela destruição de Israel. E com quem deseja aniquilar a sua existência, não há negociação possível.O que causa enorme estranheza é que, para quem desconhece a história, certos equívocos até poderiam ser compreensíveis, mas para aqueles que participam ativamente da geopolítica internacional — e particularmente para a ONU —, ignorar essa realidade é um verdadeiro absurdo. A própria ONU, por meio de sua agência de ajuda humanitária para os palestinos, tem sido cúmplice, ainda que indiretamente, do fortalecimento do terrorismo. Recursos destinados à assistência humanitária foram desviados sistematicamente para sustentar o Hamas e sua máquina de guerra. Como é possível que, em pleno século XXI, a comunidade internacional ainda não tenha reconhecido que está financiando, com suas próprias mãos, um regime terrorista que oprime seu próprio povo e ameaça a segurança de Israel? Essa realidade precisa ser exposta de forma clara e incontestável.No centro de qualquer negociação para um cessar-fogo definitivo está uma questão inegociável: a libertação dos reféns sequestrados pelo Hamas. Enquanto civis inocentes continuarem sendo usados como moeda de troca, qualquer trégua será apenas temporária e artificial. Não pode haver paz sem justiça, e justiça significa trazer todos os reféns de volta para suas famílias.A verdadeira esperança para a paz não virá de resoluções vazias ou de condenações seletivas da comunidade internacional. Ela virá quando o povo palestino escolher um futuro diferente, longe do terror e da manipulação externa. O bem sempre triunfa — e, para que isso aconteça, é preciso romper definitivamente com aqueles que usam o sofrimento de seu próprio povo como instrumento de poder.*Cláudio Luiz Lottenberg é médico oftalmologista e presidente da Confederação Israelita do Brasil (CONIB)