O que é a ‘bazuca anticoerção’ que a UE pode usar contra os EUA por causa da Groenlândia
Instrumento pode ser usado como resposta às ameaças de Trump, que promete impor tarifas caso o território não seja cedido aos EUA
Internacional|Do R7
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A pressão para que a UE (União Europeia) responda às ameaças de Donald Trump de impor tarifas em meio ao impasse envolvendo a Groenlândia cresce a cada dia. E os europeus podem acionar a “bazuca anticoerção”, um mecanismo que visa dissuadir práticas de coerção econômica contra qualquer um dos 27 países-membros do bloco.
A UE define coerção como a ação de um país terceiro que “aplica, ou ameaça aplicar, medidas que afetam o comércio ou os investimentos”, interferindo assim nas “escolhas soberanas legítimas” do bloco e de seus Estados-membros.
A pressão para que a UE acione esse instrumento comercial ganhou força após a ameaça de Trump, no último sábado (17), de aplicar tarifas de até 25% contra membros como Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Holanda e Suécia, além de países não integrantes do bloco, como Reino Unido e Noruega, caso o território dinamarquês da Groenlândia não seja cedido aos Estados Unidos.
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Vozes como Emmanuel Macron, presidente francês, e Valerie Hayer, líder do grupo liberal Renew no Parlamento Europeu, têm defendido a possibilidade de retaliação por meio do uso da arma comercial da UE.
O que é a “bazuca anticoerção”?
Criado em 2023, o mecanismo autoriza a União Europeia a adotar medidas como restrições à importação e exportação de bens e serviços dentro de seu mercado único, que reúne cerca de 450 milhões de consumidores. Além disso, o mecanismo permite que Bruxelas, centro político da UE, limite o acesso de empresas americanas a contratos públicos na Europa.
Em 2025, o bloco chegou a ameaçar o uso da ferramenta durante negociações comerciais tensas com Trump para evitar tarifas elevadas, mas acabou chegando a um acordo com o presidente estadunidense. Um dos principais alvos potenciais seriam as gigantes de tecnologia americanas, já que os EUA têm superávit no setor de serviços em relação à UE.
A criação do instrumento ocorreu após a Lituânia acusar a China de barrar suas exportações, depois que o país permitiu a abertura de uma representação diplomática de Taiwan em seu território, em 2021.
Como funciona a ferramenta?
Tanto a Comissão Europeia quanto os Estados-membros podem solicitar a ativação do mecanismo, mas a medida precisa do aval de ao menos 55% dos países-membros. Mesmo que Bruxelas decida acionar o instrumento, pode levar meses até que qualquer medida concreta seja adotada, segundo as regras.
Inicialmente, a Comissão Europeia tem quatro meses para investigar o país acusado de práticas comerciais prejudiciais. Em seguida, os Estados-membros dispõem de oito a dez semanas para apoiar uma proposta de ação.
Somente depois disso a comissão recebe sinal verde para preparar as medidas, que devem entrar em vigor em até seis meses. A UE afirma que esse prazo é apenas indicativo. Ainda assim, o simples início de uma investigação com base nesse instrumento já enviaria uma mensagem forte de que Bruxelas está disposta a reagir até mesmo contra um aliado estratégico.
“Os Estados Unidos estão cometendo um erro de cálculo que não é apenas perigoso, mas que pode ser doloroso”, afirmou Valerie Hayer em nota.
“O instrumento anticoerção é a nossa arma nuclear econômica”, completou.
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