O que muda com a chegada de um petroleiro russo em Cuba
Embarcação atracou no terminal de Matanzas e deve descarregar mais de 700 mil barris na ilha
Internacional|Do R7
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Um navio-tanque com petróleo enviado pela Rússia chegou a Cuba em meio à crise energética marcada por apagões e falta de combustível. A embarcação atracou no terminal de Matanzas e deve descarregar mais de 700 mil barris na ilha.
O petroleiro, chamado Anatoly Kolodkin, é o primeiro a transportar petróleo para Cuba em várias semanas, após a intensificação da pressão econômica parte dos Estados Unidos. Questionado se o governo americano havia autorizado a passagem, Dmitry Peskov, porta-voz do presidente russo Vladimir Putin, respondeu que o tema foi previamente discutido entre os dois países.
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Cuba precisa de cerca de 100 mil barris de petróleo por dia para manter suas atividades básicas, mas produz apenas cerca de 40 mil. Além da Rússia, o regime contava com aliados como a Venezuela para suprir essa diferença, mas a captura de Nicolás Maduro, em janeiro, interrompeu o fluxo de combustível para a ilha.
Questionado por jornalistas sobre a ajuda russa, o republicano afirmou não ver problema no envio de petróleo por outros países, incluindo Moscou. “Não nos importamos se alguém está assumindo esse peso porque precisa (...) precisa sobreviver”, declarou, acrescentando que Cuba está “acabada”.
Especialistas ressaltam, no entanto, que o envio de petróleo russo a Cuba é limitado e deve oferecer apenas um alívio temporário para a crise energética. Além disso, o combustível fornecido não pode ser utilizado de imediato.
Em entrevista à BBC, o pesquisador Jorge Piñón, da Universidade do Texas em Austin, explica que o petróleo recém-chegado da Rússia exige processamento antes de poder ser aproveitado. “Depois de ser descarregado no terminal de Matanzas, em alguns dias, eles têm que carregar todo esse volume novamente em dois pequenos navios-tanque para levá-lo à refinaria de Havana, onde o petróleo bruto será processado”, explica.
A partir daí, começa o processamento do petróleo para a produção de gasolina, diesel e outros derivados. A etapa, segundo o pesquisador, deve levar entre 15 e 20 dias.
Mesmo após o refino, porém, o combustível não estará disponível de imediato. Serão necessários cerca de mais 10 dias para que esse diesel chegue à indústria.
No total, os cubanos devem levar entre 20 e 30 dias para começar a sentir os efeitos da chegada do petróleo. Após o processamento, o diesel, estimado em apenas 250 mil barris devido à limitada capacidade de refino do país, deve ser distribuído de acordo com as prioridades do regime.
Segundo Piñón, entre os setores contemplados devem estar transporte, agricultura e hospitais. Uma parcela pode ser direcionada à reserva para casos de emergência, sem chegar à sociedade civil.
Trump diz que Cuba é a ‘próxima’
Durante discurso em um fórum de investimentos na sexta-feira (27), Trump afirmou que “Cuba é a próxima”, sem detalhar exatamente o que planeja fazer com a nação insular.
Nas últimas semanas, o governo americano iniciou negociações com elementos da liderança de Cuba, enquanto o próprio Trump deu a entender que uma ação cinética poderia ser possível.
“Eu construí esse grande exército. Eu disse: ‘Você nunca terá que usá-lo.’ Mas, às vezes, é preciso usá-lo. E, a propósito, Cuba é a próxima”, disse Trump na conferência desta sexta-feira. “Mas finjam que eu não disse isso. Finjam que eu não disse isso.”
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, reconheceu que o país está em negociações com os EUA em uma tentativa de evitar um possível confronto militar. A economia de Cuba tem sido prejudicada por interrupções nas importações de petróleo, das quais o país depende para operar usinas de energia e transporte.
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