Entenda o que o presidente da Colômbia busca em reunião com Trump em Washington
Após troca de farpas, Gustavo Petro deve ir ao encontro do americano em 3 de fevereiro
Internacional|Fernando Ramos, da CNN Internacional
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Em uma reunião de gabinete realizada na noite desta quarta-feira (14) na Casa de Nariño, em Bogotá, Gustavo Petro anunciou que se encontrará com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington, no dia 3 de fevereiro. Petro enfatizou que o objetivo deste encontro é garantir que os colombianos “não sofram”. “Veremos os resultados desta reunião, que é crucial”, disse ele a seus assessores.
Em 7 de janeiro, após um ano de tensões diplomáticas e sanções, Petro e Trump conversaram por telefone, após intensos esforços do embaixador da Colômbia em Washington, Daniel García Peña. Apesar da retórica hostil, que incluiu ameaças de intervenção militar após a ofensiva dos EUA na Venezuela em 3 de janeiro, e da resposta de Petro afirmando que considerava, inclusive, pegar em armas novamente, os dois líderes descreveram a ligação como cordial e respeitosa, e foi a partir dela que Petro foi convidado à Casa Branca.
Para Petro, este é um primeiro passo a seu favor após o cancelamento de seu visto para entrar nos Estados Unidos. Em outubro, o Departamento de Estado adicionou-o, juntamente com alguns membros de sua família e do Gabinete, à lista de sanções do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês), e o governo dos EUA revogou seu visto para ingressar no país.
Isso ocorreu após uma manifestação pública em Nova York contra o conflito em Gaza, em setembro, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, quando Petro pediu explicitamente aos soldados americanos que desobedecessem ao seu comandante, Trump, instando-os a “não atacar a humanidade” e a seguir “as ordens da humanidade” em vez das diretrizes do governo americano.
Nesta quarta, o presidente Gustavo Petro realizou uma sessão extraordinária na Casa de Nariño com membros da Comissão Consultiva de Relações Exteriores para definir o roteiro diplomático da Colômbia antes do encontro com Trump. Os ex-presidentes Juan Manuel Santos, César Gaviria e Ernesto Samper também estiveram presentes. A principal recomendação dos especialistas foi evitar a gestão das relações diplomáticas do país por meio de declarações nas redes sociais, como o presidente costuma fazer. Os presentes concordaram em rejeitar qualquer intervenção militar na região.
“Nesse contexto, o presidente Gustavo Petro Urrego explicou à Comissão a importância de manter uma agenda ativa de diálogo, cooperação e construção de consensos, particularmente com os Estados Unidos, baseada no respeito mútuo e em objetivos compartilhados para a região”, afirmou o governo em comunicado público após a reunião.
Os ex-presidentes Álvaro Uribe, Iván Duque e Andrés Pastrana não compareceram à reunião, tendo se apresentado ao Ministério das Relações Exteriores devido a compromissos prévios.
Em seu encontro com Trump, Petro buscará renegociar a cooperação em segurança e abordar a crise do narcotráfico e as operações conjuntas contra o grupo guerrilheiro ELN (Exército de Libertação Nacional). “Petro buscará que Washington reconsidere as atuais sanções pessoais vigentes contra o círculo próximo do presidente. Mas isso não será fácil, especialmente considerando que seu mandato termina em 7 de agosto deste ano. Ele tem muito pouca margem de negociação“, disse o analista político Óscar Montes à CNN.
Nesta semana, o Ministro da Defesa, General da Reserva Pedro Sánchez, realizou reuniões em Washington com congressistas americanos e altos funcionários do Departamento de Defesa para apresentar os resultados da Colômbia no combate às drogas, um dos principais pontos de discórdia com o governo Trump.
“A relação entre Colômbia e Estados Unidos é estratégica, sólida e de longo prazo. Continuaremos a fortalecer a cooperação em segurança, defesa e no combate ao crime transnacional, porque proteger a democracia e a estabilidade hemisférica é um interesse comum de nossos povos”, declarou Sánchez após uma reunião com a senadora democrata Jeanne Shaheen.
A aproximação entre Petro e Trump representa um alívio para a economia colombiana e para a estabilidade regional, após meses em que a relação bilateral era considerada a mais frágil em um século. No início de seu mandato, em 2025, Trump já havia aplicado táticas de pressão iniciais depois que Petro se recusou a receber voos de colombianos deportados. Naquela época, foi imposta uma tarifa de 25% sobre produtos colombianos e os vistos de funcionários foram revogados, embora essas medidas tenham sido temporariamente suspensas graças a um acordo diplomático alcançado após esforços do Ministério das Relações Exteriores da Colômbia.
Enquanto busca uma aproximação com Trump, Petro também tem previsto um encontro com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, a quem estendeu um convite para a Casa de Nariño. Ainda não se sabe de uma data para esse possível encontro.
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