O que se sabe sobre a suposta nova espécie de ancestrais humanos descoberta na Etiópia
Descoberta sugere coexistência de duas espécies de hominídeos, uma possivelmente nova há cerca de 2,6 milhões de anos
Internacional|Do R7
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Uma descoberta arqueológica no nordeste da Etiópia revelou dentes fossilizados que apontam para a coexistência de dois tipos de hominídeos, ancestrais humanos, que viveram entre 2,6 e 2,8 milhões de anos atrás.
A descoberta, publicada na revista Nature na última quarta-feira (13), indica que um desses hominídeos pode pertencer a uma espécie de Australopithecus até então desconhecida pela ciência.
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Os fósseis foram encontrados durante escavações do Projeto de Pesquisa Ledi-Geraru, iniciado em 2002 na região de Afar, um local conhecido por abrigar vestígios cruciais da evolução humana.
Dez dentes, descobertos entre 2018 e 2020, pertencem ao gênero Australopithecus, enquanto três dentes, encontrados em 2015, são do gênero Homo, que inclui os humanos modernos (Homo sapiens).
A coexistência de dois hominídeos no mesmo período e local é considerada rara, e desafia a ideia de que o gênero Homo surgiu após a extinção do Australopithecus.
De acordo com Kaye Reed, coautora do estudo e professora emérita da Universidade Estadual do Arizona, a evolução humana não é linear, mas sim uma “árvore arbustiva”, com várias espécies coexistindo e algumas se extinguindo.
“Aqui temos duas espécies de hominídeos que estão juntas. A evolução não funciona como uma linha reta de um macaco a um humano moderno”, afirmou Reed à rede norte-americana CNN.
Nova espécie e ambiente da época
Os dentes de Australopithecus, datados de 2,63 milhões de anos, não correspondem a espécies conhecidas, como o Australopithecus afarensis — representado pelo famoso esqueleto de Lucy, descoberto em 1974 na Etiópia — ou o Australopithecus garhi.
Isso levou os pesquisadores a sugerirem que podem ter encontrado uma nova espécie.
Já os dentes do gênero Homo, datados de 2,59 a 2,78 milhões de anos, reforçam a descoberta de 2015 de uma mandíbula de 2,8 milhões de anos, considerada a mais antiga do gênero Homo.
A região de Afar, onde os fósseis foram encontrados, é um ambiente geologicamente ativo, onde placas tectônicas se separam e expõem sedimentos antigos. “O continente está literalmente se desfazendo ali, criando vulcanismo e tectônica”, disse Christopher Campisano, coautor do estudo e professor da Universidade Estadual do Arizona, em um vídeo da instituição.
Os dentes de Australopithecus têm semelhanças com os do afarensis em tamanho e contorno, mas diferem nas cúspides e caninos, o que os distingue de outras espécies conhecidas. “São apenas dentes, mas continuamos o trabalho de campo na esperança de encontrar outras partes da anatomia”, disse Brian Villmoare, principal autor do estudo e professor da Universidade de Nevada, Las Vegas.
A descoberta é significativa porque ilumina um período pouco conhecido da evolução humana, entre 3 e 2 milhões de anos atrás. Cinzas vulcânicas da época, contendo cristais de feldspato, permitiram a datação precisa dos fósseis.
Na época em que esses hominídeos viveram, a região de Afar era marcada por uma estação seca predominante, com curtas chuvas sazonais, pântanos e pastagens.
A equipe agora busca entender se Homo e Australopithecus competiam por recursos ou compartilhavam fontes de alimento, analisando isótopos e arranhões microscópicos nos dentes.
Qual foi a descoberta arqueológica recente na Etiópia?
Uma descoberta arqueológica no nordeste da Etiópia revelou dentes fossilizados que indicam a coexistência de dois tipos de hominídeos, ancestrais humanos, que viveram entre 2,6 e 2,8 milhões de anos atrás.
O que os dentes fossilizados sugerem sobre as espécies de hominídeos?
A descoberta sugere que um dos hominídeos pode pertencer a uma espécie de Australopithecus até então desconhecida pela ciência.
Onde e quando foram encontrados os fósseis?
Os fósseis foram encontrados durante escavações do Projeto de Pesquisa Ledi-Geraru, iniciado em 2002 na região de Afar, um local conhecido por abrigar vestígios importantes da evolução humana. Dez dentes foram descobertos entre 2018 e 2020, e três dentes foram encontrados em 2015.
Qual é a importância da coexistência de dois hominídeos?
A coexistência de dois hominídeos no mesmo período e local é considerada rara e desafia a ideia de que o gênero Homo surgiu após a extinção do Australopithecus.
O que diz Kaye Reed sobre a evolução humana?
Kaye Reed, coautora do estudo, afirma que a evolução humana não é linear, mas sim uma "árvore arbustiva", com várias espécies coexistindo e algumas se extinguindo.
Os dentes de Australopithecus encontrados correspondem a espécies conhecidas?
Os dentes de Australopithecus, datados de 2,63 milhões de anos, não correspondem a espécies conhecidas, como o Australopithecus afarensis ou o Australopithecus garhi, levando os pesquisadores a sugerirem a possibilidade de uma nova espécie.
Qual é a relação entre os dentes do gênero Homo e descobertas anteriores?
Os dentes do gênero Homo, datados de 2,59 a 2,78 milhões de anos, reforçam a descoberta de 2015 de uma mandíbula de 2,8 milhões de anos, considerada a mais antiga do gênero Homo.
Como é o ambiente geológico da região de Afar?
A região de Afar é geologicamente ativa, onde placas tectônicas se separam e expõem sedimentos antigos, criando vulcanismo e tectônica.
Quais são as características dos dentes de Australopithecus encontrados?
Os dentes de Australopithecus têm semelhanças com os do afarensis em tamanho e contorno, mas diferem nas cúspides e caninos, o que os distingue de outras espécies conhecidas.
Qual é a relevância da descoberta para o entendimento da evolução humana?
A descoberta é significativa porque ilumina um período pouco conhecido da evolução humana, entre 3 e 2 milhões de anos atrás, e a datação precisa dos fósseis foi possível graças a cinzas vulcânicas da época.
O que a equipe de pesquisa está investigando atualmente?
A equipe busca entender se Homo e Australopithecus competiam por recursos ou compartilhavam fontes de alimento, analisando isótopos e arranhões microscópicos nos dentes.
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