O que se sabe sobre os drones iranianos no arsenal da Venezuela após a captura de Maduro
Mohajer-6 é capaz de executar tarefas de vigilância e reconhecimento e pode ser equipado com pequenas munições guiadas
Internacional|Do R7
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A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, anunciada na madrugada de sábado (3), reacendeu dúvidas sobre a real capacidade militar da Venezuela e, em especial, sobre o uso de drones iranianos que vinham sendo incorporados ao arsenal do país nos últimos anos.
Antes da operação que retirou Maduro do poder em menos de um minuto, segundo o presidente Donald Trump, imagens que circularam nas redes sociais já indicavam que a Venezuela poderia estar operando o drone iraniano Mohajer-6, ainda que de forma limitada. O episódio agora levanta questionamentos sobre o papel desses equipamentos na defesa do regime e se eles chegaram a ser empregados ou estavam operacionais no momento da captura.
Uma das imagens mais citadas mostra, supostamente, um Mohajer-6 em atividade na Base Aérea El Libertador, instalação estratégica da Força Aérea Venezuelana próxima a Caracas e à costa do Caribe. A base abriga também os caças F-16 de fabricação americana ainda em uso no país. A autenticidade da foto e a data exata do registro, no entanto, nunca foram verificadas de forma independente.
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A presença dos drones foi confirmada oficialmente pelo governo dos Estados Unidos antes da captura de Maduro. Em comunicado divulgado pelo Departamento do Tesouro, Washington afirmou que a Empresa Aeronáutica Nacional SA da Venezuela supervisionava a montagem dos Mohajer-6 no país, em parceria direta com a fabricante iraniana Qods Aviation Industries. Segundo os EUA, o acordo envolveu a negociação de milhões de dólares e levou à imposição de novas sanções contra Teerã e Caracas.
Autoridades americanas afirmam que o governo venezuelano buscava adquirir esse modelo de drone desde 2020, mas até recentemente não havia provas concretas de sua presença em solo venezuelano. O Irã já exportou o Mohajer-6 para outros países, incluindo a Rússia, que o utilizou no conflito com a Ucrânia.
Apresentado oficialmente em 2016 e produzido em série a partir de 2018, o Mohajer-6 tem envergadura próxima de dez metros, motor de combustão interna e autonomia de voo de até 12 horas. O equipamento pode realizar missões de vigilância e reconhecimento e também operar com pequenas munições guiadas, instaladas em até quatro pontos sob as asas.
A configuração específica dos drones em posse da Venezuela nunca foi detalhada. Imagens divulgadas em 2022 mostraram no país munições iranianas Qaem, bombas planadoras guiadas compatíveis com o Mohajer-6, o que sugere a possibilidade de uso armado. Especialistas apontam que a aquisição desses drones fazia parte de um esforço mais amplo para reforçar capacidades militares consideradas defasadas.
A introdução de drones iranianos passou a ser vista como um elemento central da estratégia de defesa venezuelana, permitindo vigilância aérea sobre fronteiras e áreas costeiras e oferecendo maior flexibilidade operacional. Esse movimento foi descrito por analistas como uma adaptação da doutrina militar do país a modelos adotados pelo Irã.
Após a captura de Maduro, não há informações públicas sobre se os Mohajer-6 chegaram a ser mobilizados, se estavam plenamente operacionais ou quantas unidades a Venezuela possui. O episódio, porém, expôs limites claros da capacidade de dissuasão do regime e colocou em xeque a eficácia prática desse arsenal diante de uma operação militar direta dos Estados Unidos.
Com Maduro e a primeira-dama Cilia Flores levados para os Estados Unidos, segundo Trump, o futuro do programa de drones venezuelano permanece incerto e pode ser impactado por mudanças no comando político e militar do país, além do reforço das sanções internacionais.
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