ONU alerta para diversificação de novas drogas e aumento de consumidores
Internacional|Do R7
Luis Lidón. Viena, 26 jun (EFE).- Os tipos de drogas e de consumidores de entorpecentes se diversificam cada vez mais no mundo, segundo o Relatório Mundial sobre as Drogas de 2013, publicado nesta quarta-feira em Viena (Áustria) pelas Nações Unidas. Até 315 milhões de pessoas, ou 6,9% da população mundial de 15 a 64 anos, consumiu alguma droga pelo menos uma vez em 2011, um aumento de 9% em relação ao ano anterior, segundo o estudo do Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC). O relatório aponta que a alta do número de consumidores, de 18% desde 2008, deve-se em grande parte ao aumento da população mundial, enquanto o de "consumidores problemáticos de drogas" permanece estável em 39 milhões de pessoas, ou 0,9% da população adulta mundial. O estudo também destaca que o número de mortos pelo consumo de entorpecentes (247.000 pessoas em 2011) foi similar ao de anos anteriores. "Temos que admitir que, em escala global, a demanda por drogas não se reduziu substancialmente e existem desafios à aplicação do sistema de controle de drogas", disse no estudo o diretor da UNODC, o russo Yuri Fedotov. O relatório ressalta uma tendência que começou anos atrás e que parece estar se acentuando: o consumo de drogas tradicionais como as derivadas do ópio ou da cocaína está se estabilizando, enquanto sobe o de estimulantes sintéticos e na internet proliferam novos tipos de entorpecentes vendidos de forma legal. O Relatório Mundial se concentrou neste ano na diversificação sem precedentes de novas "drogas legais", que imitam o efeito de outras ilegais. Os fabricantes aproveitam um vazio legal, já que os laboratórios policiais demoram para identificar estas substâncias, e quando fazem isso, sua composição costuma ser modificada muito rápido para burlar a lei. Os analistas da ONU indicam que até o final de 2009 foram detectadas no mundo todo 166 novas substâncias deste tipo, enquanto em meados de 2012 já se contabilizavam 251, um aumento de mais do 50% em menos de três anos. Estas drogas são "um problema alarmante" e apresentam "desafios inéditos" para a saúde pública, segundo a UNODC, porque são muito fáceis de conseguir, O estudo adverte para o erro de se pensar que estas substâncias são inócuas, já que podem ser mais perigosas para a saúde do que as drogas tradicionais, geram intoxicações, condutas agressivas e inclusive podem induzir ao suicídio. Pelo lado das drogas tradicionais, o estudo assinala que a cocaína -a que mais dinheiro movimenta- é consumida por entre 13,9 e 20,7 milhões de pessoas, quantidade similar a anos anteriores. A produção de cocaína ficou entre 776 e 1.051 toneladas, um volume que também permanece estável. A demanda caiu nos EUA e se estabilizou na Europa, mas aumentou na América do Sul, onde é consumida por 1,3% da população adulta, e está em alta na Ásia. "O consumo de cocaína aumentou significativamente no Brasil, Costa Rica e, em menor medida, Peru, enquanto não ocorreu mudança na Argentina", indica o documento. A ONU atribui boa parte da tendência de alta do consumo de cocaína na América Latina a uma crescente facilidade para se obter essa droga de forma barata, graças à proximidade dos países produtores. "A maior concorrência no tráfico de cocaína levou a crescentes níveis de violência nas América Central, e os problemas não se resolverão se as drogas forem legalizadas", considera Fedotov no estudo. Em relação à maconha, México e Estados Unidos são os países onde se apreende o maior volume da droga, cerca de 70% das 5.700 toneladas interceptadas em todo o mundo em 2011. O maior produtor mundial de canabbis continua sendo o Marrocos, com 47.500 hectares. EFE ll/dk










