ONU apoia intervenção francesa e pede início de processo político no Mali
Internacional|Do R7
Nações Unidas, 14 jan (EFE).- A ONU respaldou nesta segunda-feira a intervenção militar francesa no Mali para evitar que os radicais islâmicos tomem o controle do país, para o que voltou a pedir um processo político de reconciliação nacional. O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, "está satisfeito que membros bilaterais tenham respondido, a pedido e com o consentimento do Governo do Mali, a sua solicitação de ajuda para frear o preocupante crescimento no sul de grupos armados e terroristas", disse seu porta-voz em comunicado. Ban espera que estas ações "ajudem a frear a última ofensiva" dos rebeldes islâmicos com laços com a Al Qaeda enquanto continuam os esforços para implementar a resolução 2085 do Conselho de Segurança da ONU, dirigida à restauração da ordem constitucional e da integridade territorial do Mali. Pouco depois, o Conselho de Segurança da ONU respaldou a ofensiva militar que a França lançou na sexta-feira passada por considerar que aconteceu dentro da legalidade internacional. "A França tem a compreensão e o apoio de todos os membros", afirmou o embaixador francês nas Nações Unidas, Gérard Araud, após uma reunião especial do Conselho de Segurança solicitada por Paris. Araud ressaltou que a França atua de acordo com as resoluções 2056, 2071 e 2085 do Conselho de Segurança, "que pedem aos Estados-membros apoiar às forças malinesas contra grupos terroristas". A operação francesa, baseada principalmente em ataques aéreos, se intensificou hoje após a contra-ofensiva salafista no oeste e no centro de Mali, onde os rebeldes recuperaram a cidade de Diabali. O embaixador francês salientou que a intervenção militar de seu país "não é mais que um aspecto", já que tenta "encorajar" o processo de normalização, para o que é "importante" que se lance "o mais rápido possível" um roteiro com apoio da ONU que inclua o diálogo com os grupos armados do norte que rejeitam o terrorismo. "Uma vez que se estabilize a situação militar, é preciso lançar um processo político entre norte e sul", insistiu. Araud afirmou que a ação francesa em Mali "acelerou" o processo de envio de uma força militar africana com o respaldo das Nações Unidas. O general nigeriano que comandará essa força já está no Mali e os contingentes de diversos países chegarão "nos próximos dias e semanas", explicou. O embaixador acrescentou que seu país recebeu ofertas de apoio aéreo logístico por parte de Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Bélgica e Dinamarca, para ajudar a transferir essas tropas e o material necessário. Araud lembrou ainda que seu país tentou evitar até o final envolver-se militarmente no Mali, já que durante o último ano promoveu na ONU três resoluções que buscavam outro tipo de solução. O Governo francês se decidiu quando, após a ofensiva do Ansar al Din da semana passada, os rebeldes "conquistaram Kona e achamos possível que tomassem Bamaco", o que "punha em risco a existência do próprio Mali". A França considera que após esta ofensiva os grupos armados do norte de Mali verão que não há alternativa que não seja a negociação. "A determinação da França é total" para evitar que os radicais islâmicos controlem o Mali, afirmou o diplomata, sustentando que seu país continuará as operações "enquanto for necessário". Os integrantes dos grupos islâmicos radicais Ansar al Din, Monoteísmo e Jihad em África Ocidental (MYAO) e Al Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI) controlam o norte de Mali desde junho passado, quando arrebataram o território do movimento independentista tuaregue MNLA, que tinha aproveitado um golpe de estado no país para dominar a região. EFE rcf/rsd











