Internacional ONU pede ajuda contra praga de gafanhotos na África

ONU pede ajuda contra praga de gafanhotos na África

Países do oeste africano sofrem com enxames do tamanho de Manhattan, capazes de comer em um só dia tanto quanto toda a população do Quênia

  • Internacional | Da EFE

Feisal Omar/Reuters - 21.12.2019

As Nações Unidas pediram a seus doadores, nesta segunda-feira (10), que forneçam urgentemente fundos para conter na África Oriental a praga de gafanhotos, insetos que se movem em enxames do tamanho de Manhattan e são capazes de comer em um só dia tanto quanto toda a população do Quênia.

"A menos que haja uma resposta rápida, vamos ter um enorme problema neste ano", declarou o chefe humanitário da ONU, Mark Lowcock, em entrevista coletiva.

Lowcock, juntamente com especialistas da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), se reuniu com representantes do governo em Nova York nesta segunda-feira para tentar convencê-los da urgência de doar fundos para combater o problema.

ONU pede US$ 76 milhões

No início deste ano, a ONU pediu US$ 76 milhões (R$ 328 milhões), dos quais apenas US$ 20 milhões (R$ 86 milhões) foram obtidos até agora, mais da metade destinado pela própria organização.

O chefe dos serviços humanitários da entidade salientou que, no contexto internacional, o montante não é muito elevado e permitiria evitar ter de fazer desembolsos muito maiores em poucos meses para responder ao risco de fome.

"O momento de agir é agora", insistiu o Diretor de Emergências da FAO, Dominique Burgeon, que alertou que as necessidades humanitárias serão "enormes" se a praga não for interrompida muito em breve.

A ONU lembrou que a Etiópia, o Quênia e a Somália, os países mais afetados, são o lar de 13 milhões de pessoas com insegurança alimentar, 10 milhões das quais vivem em áreas diretamente afetadas pelo problema, o que ameaça arruinar as colheitas.

Gafanhotos vêm da Península Arábica

Os insetos chegaram à África Oriental vindos dos desertos da Península Arábica, onde a passagem de vários ciclones tropicais nos últimos anos criou condições propícias à reprodução. Novas tempestades nos países africanos complicaram ainda mais a situação, o que é inédito nos últimos 25 anos, de acordo com a ONU.

Keith Cressman, especialista em gafanhotos da FAO, explicou que os animais se movem em enormes enxames, compostos por centenas de milhões de insetos, e que se nenhuma ação for tomada agora eles poderiam se espalhar para outras áreas, incluindo o norte da África e sudoeste da Ásia.

"Pense em um enxame que cobre toda Manhattan, de sul a norte. Este é apenas um enxame médio, não muito grande", declarou Cressman para ilustrar o tamanho da ameaça em Nova York.

Segundo o especialista, em um único dia, um enxame do tipo pode consumir tanta comida quanto toda a população do Quênia, um país de mais de 53 milhões de pessoas. A potencial destruição, segundo ele, é tremenda, e as consequências de não agir agora para eliminar os gafanhotos "não podem ser subestimadas".

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