Internacional Opositores de Evo tentam colocar seu partido na clandestinidade

Opositores de Evo tentam colocar seu partido na clandestinidade

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) local aceitou a demanda, e agora notificou o partido MAS para que se pronuncie sobre o caso em 48 horas

Processo no TSE pretende inviabilizar o candidato Luis Arce, do partido MAS

Processo no TSE pretende inviabilizar o candidato Luis Arce, do partido MAS

EFE/Martín Alipaz

A aliança Creemos, do candidato à presidencia na Bolívia, Fernando Camacho, ingressou com um processo no TSE que pede a suspensão da pessoa jurídica do partido MAS, de Evo Morales, por supostamente desrespeitar a lei eleitoral do país. O argumento é que o partido teria publicado pesquisas de intenção de voto e feito comentários sobre o resultado dela.

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O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) local aceitou a demanda, e agora notificou o partido MAS para que se pronuncie sobre o caso em 48 horas. De acordo com o pedido do Creemos, o MAS teria violado o artigo 136, parágrafo 3, da Lei 26, do Regime Eleitoral.

"As organizações políticas que difundam resultados de pesquisas de opinião em matéria eleitoral, serão sancionadas pelo Órgão Eleitoral Plurinacional com o cancelamento automático da pessoa jurídica", diz o trecho da norma jurídica local.

A acusação se deu com base em uma entrevista concedida pelo candidato à presidencia do MAS, Luis Arce, ao canal Abya Yala. Na entrevista, Luis Arce teria comentado dados de uma pesquisa interna do partido sobre a intenção de voto ao ser questionado pelo próprio entrevistador.

O MAS então ingressou com outras duas ações no Tribunal Constitucional Plurinacional do país para barrar a tramitação do caso no TSE e ainda questionar a constitucionalidade da norma.

Luis Arce afirmou que não violou nenhuma regra eleitoral. "Não cometemos nenhuma falha, temos certeza de que o Supremo Tribunal Eleitoral analisará tudo o que está acontecendo e, sobre o regulamento atual, não precisamos nos preocupar porque não houve violação do Regulamento do Órgão Eleitoral", disse Arce.

"Alguns políticos desejam alcançar, através da proscrição de nosso instrumento político, o que não conseguem nas urnas", destaca o documento publicado pelo partido MAS. O partido alega também que durante a entrevista, Arce respondeu de forma genérica, sem apresentar dados concretos.

Crise política

Fernando Camacho, que agora é candidato à presidencia pelo Creemos, foi um dos principais protagonistas da crise política na Bolívia. Autointitulado "El Macho", ele é líder de um movimento assumidamente conservador, com traços fortes de religiosidade, discurso nacionalista e francamente anti-indígena, com base no departamento de Santa Cruz de La Sierra — o mais branco e rico da Bolívia.

Ele protagonizou alguns dos momentos mais midiáticos da oposição, quando levou uma Bíblia e uma carta de renúncia para Evo assinar, mas voltou para casa no dia seguinte sem conseguir alcançar o objetivo e sem poder deixar o aeroporto, já que um grupo de manifestantes pró-governo o esperava.

Antes de se envolver diretamente com a política, ele fez nome e fortuna na região em que mora, a próspera Santa Cruz. O advogado vem de família rica e é presidente de um conglomerado de entidades empresariais e trabalhistas da direita, o Comitê Pro Santa Cruz.

Suas empresas foram citadas no escândalo das offshores Panama Papers.

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