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Os arquivos Epstein ameaçam dividir a família real da Noruega em dois

Realeza do país enfrenta diversos escândalos esta semana, como a acusação contra o filho da princesa herdeira de estupro

Internacional|Billy Stockwell, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A família real da Noruega enfrenta escândalos relacionados a Jeffrey Epstein e acusações de estupro envolvendo Marius Borg Høiby, filho da princesa herdeira.
  • Correspondência revelada entre Mette-Marit e Epstein levanta questionamentos sobre sua adequação ao papel de futura rainha.
  • A confiança na princesa herdeira caiu drasticamente, e organizações já romperam vínculos com ela devido às recentes controvérsias.
  • O primeiro-ministro norueguês criticou publicamente Mette-Marit, um fato inusitado na história moderna da Noruega.

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Princesa Herdeira da Noruega com um vestido branco e uma faixa vermelha atravessando o peito. Ela usa uma coroa e tem os cabelos soltos
Família real enfrentou semana de escândalos; sucessão de Mette-Marit está fragilizada Reprodução/Royal House of Norway - arquivo

A família real da Noruega enfrentou escândalos em várias frentes nesta semana. Entidades beneficentes passaram a cortar ou reavaliar vínculos com a princesa herdeira devido a contatos passados com o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein, enquanto outros questionam sua adequação ao papel de futura rainha.

A primeira controvérsia envolve Marius Borg Høiby, filho de 29 anos da princesa herdeira Mette-Marit, que no início da semana chorou durante o primeiro dia de depoimento ao negar quatro acusações de estupro em um tribunal de Oslo.


Høiby está fora da linha de sucessão, pois nasceu antes de sua mãe se casar com o príncipe herdeiro Haakon, em 2001.

Haakon reafirmou o status de Høiby como cidadão comum em uma rara declaração antes do início do julgamento por estupro, na terça-feira, afirmando que o enteado “não é membro da Casa Real da Noruega e, portanto, é autônomo”.


Mas os esforços para resguardar a reputação da Coroa foram ofuscados quando uma segunda controvérsia veio à tona, desta vez envolvendo sua esposa e mãe de Høiby — a futura rainha do país.

Novos arquivos de Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA mostram extensa correspondência entre Mette-Marit e o falecido criminoso sexual — algo que a princesa afirmou lamentar — anos depois de Epstein ter se declarado culpado por solicitar sexo de uma menor de idade.


Na sexta-feira, a Casa Real da Noruega afirmou que Mette-Marit “repudia fortemente os abusos e atos criminosos de Epstein” e lamenta “não ter compreendido cedo o suficiente que tipo de pessoa ele era”.

“Parte do conteúdo das mensagens entre Epstein e eu não representa a pessoa que quero ser. Também peço desculpas pela situação em que coloquei a Família Real, especialmente o Rei e a Rainha”, disse Mette-Marit em comunicado.


Desafios em múltiplas frentes

Segundo especialistas, o caso desencadeou um debate público aberto na Noruega sobre se Mette-Marit deveria se tornar rainha.

“A confiança na princesa herdeira caiu drasticamente”, afirmou Tove Taalesen, correspondente da realeza do portal Nettavisen. “A maioria ainda apoia a instituição, mas esse apoio está mais fraco, e a incerteza cresce.”

A controvérsia levanta questões delicadas sobre a posição de Mette-Marit dentro da família, sobretudo diante da idade avançada do rei Harald V, que, aos 88 anos, é o monarca mais velho da Europa. A saúde física de Harald se deteriorou nos últimos anos, exigindo que Haakon atuasse como regente em algumas ocasiões.

Mette-Marit não enfrenta um afastamento imediato de suas funções oficiais, ponderou Taalesen, mas uma possibilidade seria ela se retirar das atividades reais alegando motivos de saúde, deixando o príncipe herdeiro governar sozinho no futuro.

Mette-Marit foi diagnosticada com fibrose pulmonar — uma doença pulmonar crônica e progressiva, de prognóstico desfavorável — em 2018 e provavelmente precisará de um transplante de pulmão, segundo o palácio real.

Outros comentaristas concordam. Kjetil Alstadheim, editor político do influente jornal Aftenposten, disse que muitos noruegueses ficaram decepcionados com as revelações e perderam confiança na princesa.

“Eles questionam como será o julgamento dela no futuro”, disse Alstadheim à CNN.

Ole-Jørgen Schulsrud-Hansen, comentarista da realeza da emissora TV2, acrescentou: “Precisamos esperar a poeira baixar para ver o quanto isso realmente afetou a monarquia”.

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Uma monarquia moderna

Mette-Marit tornou-se princesa herdeira em 2001, ao se casar com Haakon na catedral de Oslo diante de 800 convidados e de uma audiência televisiva de milhões. À época, a franqueza de Mette-Marit ao falar sobre o que descreveu como uma “vida selvagem” na juventude foi bem recebida, especialmente entre os mais jovens.

“Isso mobilizou as gerações mais jovens, que sentiram que se tratava de uma monarquia moderna e com a qual podiam se identificar”, disse Alstadheim. “Ela conseguiu construir confiança e ser respeitada.”

Em meio ao recente turbilhão, essa confiança e respeito parecem estar se esvaindo.

Nesta semana, o maior centro de saúde sexual da Noruega, o “Sex and Society”, com sede em Oslo, anunciou que romperia vínculos com Mette-Marit, afirmando que as últimas revelações são incompatíveis com o ethos da instituição.

“O mais importante para a fundação tem sido a consideração com nossos pacientes, com todas as vítimas de abuso e com todos que atuam para prevenir o abuso sexual”, disse o centro em nota.

Três organizações culturais da Noruega — todas sob o patronato da princesa herdeira — também escreveram à Casa Real sobre a associação passada de Mette-Marit com Epstein, dizendo que o contato entre eles parece “grave e preocupante”.

“É importante para nossa cooperação futura que a Casa Real forneça uma boa explicação sobre o assunto”, escreveram o Centro Hamsun, o Festival de Førde e o Centro Cultural Nynorsk, em carta obtida pela CNN.

Rara intervenção política

As trocas de e-mails controversas — que demonstraram uma relação mais profunda entre Epstein e a princesa herdeira do que se sabia anteriormente — provocaram uma rara intervenção política. Na segunda-feira, o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, afirmou que Mette-Marit demonstrou mau julgamento.

“Ela diz que demonstrou mau julgamento. Eu concordo”, disse Støre a jornalistas.

Embora ecoem as próprias palavras de Mette-Marit, os comentários refletem a pressão pública significativa enfrentada pela família, segundo especialistas. “Não encontrei nenhum exemplo na história moderna da Noruega em que um primeiro-ministro tenha criticado publicamente um membro da família real dessa forma”, afirmou Alstadheim.

Em e-mails enviados de “H.K.H. Kronprinsessen” — que em norueguês significa “Sua Alteza Real, a Princesa Herdeira” — a Epstein, em 2012, Mette-Marit chama o criminoso sexual de “querido” e “de coração suave”.

Em outra troca de e-mails de 2012, ela o descreve como “muito charmoso”, acrescentando: “É inadequado para uma mãe sugerir duas mulheres nuas carregando uma prancha de surfe para o papel de parede do meu filho de 15 anos?”

Outra conversa de 2012 mostra Epstein dizendo a Mette-Marit que estava em uma “caça a esposa”, antes de acrescentar: “Paris está se mostrando interessante, mas prefiro escandinavas (sic)”. Em resposta, Mette-Marit diz que Paris é “boa para adultério” e que “escandinavas são melhor material para esposa”.

Mette-Marit reconheceu que demonstrou “mau julgamento” em sua relação com Epstein, mas afirmou que ele era “o único responsável por seus atos”.

“Devo assumir a responsabilidade por não ter investigado mais profundamente o histórico de Epstein e por não ter percebido antes que tipo de pessoa ele era. Lamento profundamente isso, e é uma responsabilidade que preciso carregar”, disse ela à CNN, em nota.

Não apenas a princesa herdeira

À medida que a pressão sobre Mette-Marit aumenta, o ex-primeiro-ministro norueguês Thorbjørn Jagland está sendo investigado “sob suspeita de corrupção qualificada” relacionada a seus vínculos com Epstein, informaram autoridades policiais norueguesas em comunicado na quinta-feira.

A Noruega investiga “se presentes, viagens e empréstimos foram recebidos em conexão com sua posição”, segundo a Økokrim, o serviço nacional de promotoria e polícia do país.

Arquivos do Departamento de Justiça mostram que Jagland trocou e-mails amistosos com Epstein e planejou férias em sua ilha. O advogado de Jagland disse à CNN que o ex-líder colaborará plenamente com a investigação, acrescentando que “com base no que apuramos até agora, permanecemos confiantes quanto ao desfecho”.

Outras figuras europeias também aparecem no novo conjunto de documentos, incluindo membros da realeza — embora a menção nos arquivos não indique irregularidade.

Em um e-mail enviado a Epstein em 2010, uma pessoa cujo nome foi suprimido incluiu uma foto que parece mostrar a princesa Sofia da Suécia — então Sofia Kristina Hellqvist — em uma viagem à África.

O e-mail diz: “Aqui está uma foto da nossa Sofia — você se lembra — ou seja, em breve princesa Sofia… toda a imprensa sueca está procurando por ela… enquanto ela está na África..!” O contexto da troca é desconhecido.

O nome “Sophia Hellqvist” também aparece ao lado de Epstein em uma lista de convidados de 2012 — enviada por e-mail ao criminoso — para o que parece ser uma apresentação de Os Miseráveis.

A princesa Sofia encontrou Epstein em várias ocasiões há cerca de 20 anos, antes de se tornar membro da família real, informou a corte real sueca à CNN na sexta-feira. No entanto, negou que ela tenha participado de um evento em 2012.

“Estamos cientes de que o nome da princesa (grafado incorretamente) teria sido encontrado em um documento de uma estreia em 2012.”

“Contudo, a princesa não sabe como seu nome foi parar nessa lista”, disse a corte, acrescentando que ela estava na Suécia na época e não se encontrava com Epstein havia “vários anos”.

Enquanto isso, em 2012, o então príncipe herdeiro da Dinamarca — hoje rei Frederik X — foi listado em um e-mail enviado a Epstein como “convidado confirmado” para um jantar. Não está claro se Epstein ou o príncipe compareceram ao evento. A CNN procurou a família real dinamarquesa para comentar.

Como a CNN já informou, o ex-príncipe britânico Andrew também aparece várias vezes nos arquivos, assim como sua ex-esposa Sarah Ferguson, que já expressou arrependimento por sua associação com Epstein.

De volta à Noruega, e com o julgamento de Høiby por estupro previsto para durar várias semanas, Taalesen acredita que as duas controvérsias envolvendo a realeza “se reforçam mutuamente”.

A cobertura diária do tribunal manterá a família real no centro da atenção pública à medida que cresce a pressão sobre Mette-Marit, afirma.

Mas, refletindo o impacto visto no Reino Unido, são os e-mails de Epstein que representam o desafio mais sério ao nome da família em décadas — um desafio que, segundo ela, a Casa Real não pode se dar ao luxo de ignorar.

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