Internacional Otan: entenda o que é e sua relação com a guerra na Ucrânia

Otan: entenda o que é e sua relação com a guerra na Ucrânia

Aliança militar, criada há 70 anos na Guerra Fria, reúne países da América do Norte e da Europa, e está em expansão para o leste

  • Internacional | Do R7

O economista norueguês Jens Stoltenberg é o atual secretário-geral da Otan

O economista norueguês Jens Stoltenberg é o atual secretário-geral da Otan

Hannibal Hanschke/AFP - 18.01.2022

A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) é uma aliança militar que tem o objetivo de defender incondicionalmente seus Estados-membros. Trata-se de um sistema de segurança coletiva, no qual cada integrante concorda em defender-se mutuamente de ataques de nações externas.

Como o próprio nome diz, só podem fazer parte do bloco países que se localizam no Hemisfério Norte da Terra. Hoje, 30 nações integram a Otan: Albânia, Alemanha, Bélgica, Bulgária, Canadá, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estados Unidos, Estônia, França, Grécia, Hungria, Islândia, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Montenegro, Macedônia do Norte, Noruega, Países Baixos, Polônia, Portugal, Reino Unido, Romênia, República Tcheca e Turquia.  

A aliança surge no contexto da Guerra Fria, que marcou a segunda metade do século 20, época em que o mundo ficou dividido entre a influência e o poderio de duas superpotências, com visões políticas e ideológicas distintas: os Estados Unidos e União Soviética (URSS), cujo principal país-membro era a Rússia. O objetivo da Otan era conter a influência geopolítica dos soviéticos. 

A Otan foi criada em 1949, depois de acordos entre alguns países, principalmente os EUA, Canadá, Reino Unido e França. A Segunda Guerra Mundial tinha acabado quatro anos antes e, mesmo tendo ajudado a derrotar a Alemanha nazista, os soviéticos se tornaram adversários dos países europeus e dos Estados Unidos, por causa da oposição entre os campos capitalista e comunista. Portanto, a aliança é, desde o início, fruto da rivalidade com a Rússia.

Anos depois, com a unificação da Alemanha, em 1990, e a dissolução da União Soviética, em 1991, os países da Otan revisaram seus propósitos. Posteriormente, nas décadas de 1990 e 2000, houve acordos de reduções militares específicas com a Rússia, que também estabeleceu parcerias com membros da aliança.

Em 1994, a Rússia assinou um acordo para a paz com a Otan. Os russos tentaram entrar para a organização, sem sucesso, e, em 2002, foi fundado o conselho Rússia-Otan. Entretanto, com a invasão russa da Crimeia (2014), essa cooperação foi suspensa. 

Avanço para o leste

Desde o fim da União Soviética, a organização militar começou a se expandir para o leste da Europa, aceitando mais países-membros: em 1952, entraram para o grupo Grécia e Turquia; em 1955, Alemanha Ocidental; em 1982, Espanha; em 1999, República Tcheca, Polônia e Hungria; em 2004, Letônia, Lituânia, Estônia, Eslováquia, Eslovênia, Romênia e Bulgária; em 2009, Croácia e Albânia; em 2017, Montenegro; e, em 2020, Macedônia do Norte. 

As divergêrcias com a Rússia aumentaram em 2004, quando Estônia, Letônia e Lituânia, ex-repúblicas soviéticas, aderiram à aliança. O governo de Moscou afirmou que, em 1990, os Estados Unidos concordaram que o bloco não chegaria à antiga União Soviética, mas essa cláusula nunca fez parte de nenhum acordo assinado entre as partes.

A partir de então, os russos vêm tentando bloquear novas parcerias. Hoje, a Rússia está praticamente rodeada por membros da organização, e as fronteiras que ainda estavam livres eram as da Ucrânia e da Geórgia. A Ucrânia, desde 2014, busca uma aproximação com o Ocidente e sinaliza seu interesse de se juntar aos Estados-membros da Otan. Com seu ingresso, Vladimir Putin teme perder a soberania na região.

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