Parlamento boliviano recebe carta de renúncia de Evo Morales

Ex-presidente disse estar determinado a evitar a violência e expressa desejo de que a paz social retorne ao país, que governou por quase 14 anos

Parlamento recebe carta de renúncia de Evo

Parlamento recebe carta de renúncia de Evo

TV do Governo da Bolívia via REUTERS/11.11.2019

O Parlamento boliviano recebeu nesta segunda-feira (11) a carta de renúncia de Evo Morales à Presidência, na qual ele disse estar determinado a evitar a violência e expressa seu desejo de que a paz social retorne ao país, do qual foi chefe de governo por 13 anos e nove meses.

"Minha responsabilidade como presidente indígena e de todos os bolivianos é evitar que os golpistas continuem perseguindo meus irmãos e irmãs líderes sindicais", afirmou o agora ex-presidente no texto, cuja autenticidade foi confirmada à Agência Efe por fontes do Senado.

Evo anunciou renúncia no domingo

A correspondência foi enviada um dia depois que Morales confirmou a renúncia e um pronunciamento televisivo.

No texto, o ex-chefe de governo condena o fato de que, segundo ele, os povos indígenas continuam sendo perseguidos e assediados no país, assim como líderes e autoridades de seu partido, o Movimento pelo Socialismo (MAS).

"Hoje é o momento da solidariedade entre nós mesmos. Amanhã será o momento da reorganização e a passagem para a frente desta luta que não termina com estes tristes acontecimentos", escreveu.

A nota, na qual Morales destaca várias das conquistas de sua gestão, menciona o slogan "resistir" e termina com o slogan "Pátria ou Morte!".

Vice também renuncia

Além da carta do presidente, há também a do vice-presidente do país e presidente da Assembléia Legislativa Boliviana, Álvaro García Linera, que afirma ter sido obrigado a renunciar por um golpe de Estado e por "forças obscuras que destruíram a democracia".

Ainda se espera que a legislatura convoque uma sessão extraordinária para eleger um sucessor, que poderia ser a senadora da Unidade Democrática (UD), de oposição, Jeannine Áñez, que também é a segunda vice-presidente do Senado.

Añez é a principal opção na cadeia de sucessão constitucional após as renúncias de García Linera, da presidente do Senado, Adriana Salvatierra, do presidente da Câmara dos Deputados, Víctor Borda, e do primeiro presidente do Senado, Rubén Medinaceli, todos integrantes do partido governante.