Pentágono comprou dispositivo que pode estar ligado à Síndrome de Havana em operação secreta
Doença misteriosa afeta espiões, diplomatas e tropas dos Estados Unidos
Internacional|Katie Bo Lillis, Natasha Bertrand, Priscilla Alvarez, Jim Sciutto e Zachary Cohen, da CNN Internacional
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O Departamento de Defesa dos Estados Unidos passou mais de um ano testando um dispositivo adquirido em uma operação disfarçada que alguns investigadores acreditam poder ser a causa de uma série de enfermidades misteriosas que afetam espiões, diplomatas e tropas dos Estados Unidos, conhecidas informalmente como Síndrome de Havana, segundo quatro fontes informadas sobre o assunto.
Uma divisão do Departamento de Segurança Interna, a HSI, comprou o dispositivo por milhões de dólares nos últimos dias do governo Biden, usando recursos fornecidos pelo Departamento de Defesa, de acordo com duas das fontes.
Autoridades pagaram “oito dígitos” pelo dispositivo, disseram essas pessoas, recusando-se a fornecer um valor mais específico.
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O dispositivo ainda está sendo estudado, e há um debate contínuo — e, em alguns setores do governo, ceticismo — sobre sua ligação com as aproximadamente dezenas de incidentes anômalos de saúde que permanecem oficialmente sem explicação.
A CNN solicitou comentários ao Pentágono, à HSI e ao Departamento de Segurança Interna. A CIA (Agência Central de Inteligência) se recusou a comentar.
Como funciona o dispositivo
O dispositivo adquirido pela HSI produz ondas de rádio pulsadas, disse uma das fontes, algo que alguns funcionários e acadêmicos especulam há anos que poderia ser a causa dos incidentes.
Embora o dispositivo não seja inteiramente de origem russa, ele contém componentes russos, acrescentou essa pessoa.
Autoridades há muito tempo lutam para entender como um dispositivo potente o suficiente para causar o tipo de dano relatado por algumas vítimas poderia ser portátil; essa continua sendo uma questão central, segundo uma das fontes informadas sobre o dispositivo. O equipamento caberia em uma mochila, disse essa pessoa.
A aquisição do dispositivo reacendeu um debate doloroso e controverso dentro do governo dos EUA sobre a Síndrome de Havana, conhecida oficialmente como “episódios anômalos de saúde”.
O que é a Síndrome de Havana?
A doença misteriosa surgiu pela primeira vez no final de 2016, quando um grupo de diplomatas dos EUA lotados na capital cubana, Havana, começou a relatar sintomas compatíveis com traumatismo craniano, incluindo vertigem e dores de cabeça intensas. Nos anos seguintes, houve casos relatados em várias partes do mundo.
Na década seguinte, a comunidade de inteligência e o Departamento de Defesa buscaram entender se esses funcionários foram vítimas de algum tipo de ataque de energia direcionada por um governo estrangeiro — com altos funcionários da inteligência afirmando publicamente que não havia evidências suficientes para sustentar essa conclusão, enquanto as vítimas argumentam que o governo dos EUA as manipulou psicologicamente e ignorou provas importantes de que a Rússia estaria atacando autoridades do governo americano.
Ainda assim, autoridades de defesa consideraram suas descobertas suficientemente sérias para informar os Comitês de Inteligência da Câmara e do Senado no final do ano passado, incluindo referências ao dispositivo adquirido e aos testes realizados.
Uma preocupação central agora para alguns funcionários é que, se a tecnologia se mostrar viável, ela possa ter se proliferado, disseram várias fontes, o que significa que mais de um país poderia agora ter acesso a um dispositivo capaz de causar lesões que encerram carreiras de autoridades dos EUA.
A CNN não conseguiu apurar onde — ou de quem — a HSI comprou o dispositivo, mas a HSI tem um histórico de colaboração com o Departamento de Defesa em operações realizadas em todo o mundo.
O órgão tem ampla jurisdição para investigar crimes ligados a violações alfandegárias, incluindo investigações sobre a proliferação de tecnologia ou conhecimento controlados pelos EUA no exterior.
Essas investigações são “o principal ponto de colaboração entre a HSI e os militares dos EUA”, segundo um ex-funcionário do Departamento de Segurança Interna.
Por exemplo, quando os militares dos EUA encontravam tecnologia americana no Afeganistão ou no Iraque que levantava dúvidas sobre como aqueles componentes chegaram à região, eles recorriam à HSI, de acordo com o ex-funcionário.
Também não estava claro como o governo dos EUA tomou conhecimento da existência do dispositivo para então adquiri-lo.
A Síndrome de Havana — e sua causa — permaneceram frustrantemente obscuras tanto para a comunidade de inteligência quanto para a comunidade médica.
Um dos problemas enfrentados pela comunidade médica é que ainda não há uma definição clara de “incidentes anômalos de saúde”. Em alguns casos, os exames foram realizados muito tempo depois do início dos sintomas, dificultando a compreensão do que ocorreu fisicamente.
Investigação da Síndrome de Havana
Em 2022, um painel de inteligência afirmou que alguns dos episódios poderiam ter sido “plausivelmente” causados por “energia eletromagnética pulsada” emitida por uma fonte externa.
Mas, em 2023, a comunidade de inteligência declarou publicamente que não conseguiu vincular nenhum dos casos a um adversário estrangeiro, considerando improvável que a doença inexplicada tenha sido resultado de uma campanha direcionada por um inimigo dos EUA.
Ainda em janeiro de 2025, a avaliação mais ampla da comunidade de inteligência continuava sendo de que era muito improvável que os sintomas tenham sido causados por um ator estrangeiro — mesmo enquanto um funcionário do Escritório do Diretor de Inteligência Nacional enfatizava que os analistas não podem “descartar” essa possibilidade em um pequeno número de casos.
Essa posição há muito irrita as vítimas, muitas das quais acreditam firmemente que existem informações de inteligência oferecendo provas claras e inequívocas de que a Rússia está por trás de seus sintomas, alguns deles graves o suficiente para forçar aposentadorias.
Alguns oficiais atuais e antigos da CIA levantaram preocupações de que a agência minimizou sua investigação, como a CNN já havia noticiado anteriormente.
A aquisição do dispositivo foi tratada por algumas vítimas como uma possível vindicação.
“Se o [governo dos EUA] de fato descobriu tais dispositivos, então a CIA deve a todas as vítimas um p*** pedido de desculpas grande e público por como fomos tratados como párias”, disse Marc Polymeropoulos, um dos primeiros oficiais da CIA a tornar públicas as lesões que afirma ter sofrido em um ataque em Moscou em 2017, em declaração à CNN.
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