Internacional Pesquisa sobre origem de Cristóvão Colombo entra em reta final

Pesquisa sobre origem de Cristóvão Colombo entra em reta final

Exame de DNA dos restos mortais atribuídos ao descobridor e a dois de seus parentes pode ficar pronto até 12 de outubro

Provável retrato de Colombo feito por Sebastiano del Piombo em 1519

Provável retrato de Colombo feito por Sebastiano del Piombo em 1519

Wikipédia

A pesquisa científica sobre a origem de Cristóvão Colombo, paralisada há 16 anos à espera de um avanço tecnológico já disponível, entra em sua reta final com um exame de DNA dos restos mortais atribuídos ao descobridor e a dois de seus parentes, e os resultados podem ficar prontos até 12 de outubro.

O anúncio foi feito em entrevista coletiva por José Antonio Lorente, professor de Medicina Legal da Universidade de Granada, no sul da Espanha, e diretor da equipe multidisciplinar que, com a ajuda de cinco laboratórios de identificação genética da Europa e das Américas, tenta esclarecer a origem do navegador. Várias teorias circulam a respeito, mas a mais difundida e aceita internacionalmente é de que ele tenha nascido em Gênova, na Itália.

Em duas ou três semanas, quando a análise de DNA dos restos mortais de Colombo, de seu filho bastardo Hernando e do filho reconhecido Diego começará. A intenção, segundo Lorente, é que em cerca de oito semanas a partir de então sejam obtidos os primeiros resultados, que serão gerados progressivamente até que as conclusões sejam apresentadas, se possível, no dia 12 de outubro, dia do Descobrimento da América.

Tudo isso será gravado em um documentário e em uma minissérie coproduzida pela rede espanhola TVE e pela Story Producciones.

Esta pesquisa, inicialmente promovida pelo historiador Marcial Castro, começou em 2002. No ano seguinte, os restos mortais do descobridor e de seus parentes foram exumados da catedral da cidade espanhola de Sevilha, e só em 2005 foi concluída a extração do primeiro lote de análise, quando os pesquisadores decidiram interromper o estudo porque a tecnologia então disponível não era "eficiente" o suficiente.

Eles chegaram à conclusão de que era melhor preservar as peças enquanto esperavam por um avanço tecnológico de nova geração, que agora, 16 anos depois, já ocorreu, o que permitirá uma melhoria "drástica" tanto na extração do DNA dos ossos (maior quantidade e qualidade) quanto nas análises subsequentes.

O material disponível para análise é composto por quatro fragmentos de ossos de Cristóvão Colombo do tamanho de uma amêndoa; outros sete — um deles um dente — de Hernando e 12 fragmentos de ossos de Diego.

Estudos genéticos realizados entre 2004 e 2005 sobre o parentesco dos três deram "resultados positivos".

"Isso não significa um resultado totalmente conclusivo. Os dados apontavam para uma relação pai-filho e irmão-irmão (...) A partir daí temos que aumentar as informações geradas para que estes resultados positivos se tornem conclusões definitivas", esclareceu.

Mas o objetivo final deste estudo é confirmar as origens de Colombo. "É amplamente aceito que ele é da Itália, não duvidamos disso, mas podemos lançar dados objetivos que podem ser interpretados pelos historiadores para chegar a uma ou outra conclusão", disse Lorente, que se referiu às teorias defendidas por outros estudiosos de Colombo que apontam para uma origem galega, portuguesa, valenciana ou basca, entre outras.

E o DNA pode fornecer informações para descartar ou apoiar uma ou outra teoria, ainda de acordo com o diretor do projeto.

Para que a conclusão final seja a mais confiável e corroborada possível, cinco laboratórios participarão do processo, dois dos quais — um em Florença, na Itália, e o outro nos Estados Unidos — trabalharão de forma independente e isolada.

Dois outros laboratórios, um em Roma e outro no México, também apoiarão o estudo, e a equipe de pesquisa também terá contato com um quinto centro especializado em identificação genética, de modo que, quando todos tiverem concluído os trabalhos, reunirão os dados obtidos.

Lorente admite que existem "limitações a priori". "Não é certo que seremos capazes de obter DNA de todos os ossos em qualidade e quantidade suficientes para poder chegar a uma conclusão", afirmou.

"O que não vamos fazer é forçar as circunstâncias para evitar que isso nos leve a uma conclusão errada, e algum tempo depois alguém possa dizer que o que foi feito em Granada estava errado", acrescentou o diretor da equipe científica, que já considera o estudo "histórico", qualquer que seja o resultado final.

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