Internacional Pivô de protestos no Iraque, clérigo faz greve de fome até violência acabar

Pivô de protestos no Iraque, clérigo faz greve de fome até violência acabar

Manifestantes invadiram palácios do governo após Muqtada al Sadr anunciar sua retirada da política; número de mortos nos confrontos com as forças de segurança subiu para 23

  • Internacional | R7, com EFE e AFP

Resumindo a Notícia

  • Confrontos armados ocorreram na chamada Zona Verde, área fortemente patrulhada de Bagdá
  • Manifestações deixaram pelo menos 380 pessoas ficaram feridas, algumas atingidas por tiros
  • Autoridades iraquianas anunciaram um toque de recolher em Bagdá
  • Entretanto, manifestações e confrontos continuaram ocorrendo
Líder populista Muqtada al-Sadr faz um discurso televisionado em Najaf, no Iraque

Líder populista Muqtada al-Sadr faz um discurso televisionado em Najaf, no Iraque

Alaa Al-Marjani/Reuters - 03.08.2022

O influente clérigo xiita Muqtada al Sadr iniciou uma greve de fome "até que a violência acabe" no Iraque, após um dia de manifestações violentas depois que ele anunciou sua retirada da política.

"Sua Eminência anuncia uma greve de fome até que a violência e o uso de armas acabem. Porque expulsar os corruptos não dá a ninguém, seja quem for, uma justificativa para o uso da violência", disse um dos líderes do movimento sadrista, Hassan al Azari, em breve comunicado no Facebook.

O comunicado ocorreu após confrontos armados ferozes em torno da chamada Zona Verde, uma área fortemente patrulhada de Bagdá onde ficam o Palácio Presidencial e o Palácio do Governo, ambos invadidos na última segunda-feira (29) por manifestantes sadristas, assim como a sede do Parlamento.

Uma fonte do Comando de Operações de Bagdá disse à Agência Efe, sob a condição de anonimato, que confrontos com disparos de metralhadoras e lança-foguetes antitanque RPG-7 estão ocorrendo perto da Zona Verde entre as forças de segurança e a milícia Saraya al Salam (Brigadas de Paz), ligadas a Sadr.

De acordo com um balanço atualizado, o número de seguidores de Sadr mortos nos confrontos subiu para 23. E pelo menos 380 pessoas ficaram feridas, algumas atingidas por tiros e outras por inalação de gás lacrimogêneo. 

Autoridades iraquianas anunciaram um toque de recolher em Bagdá que entrou em vigor às 15h30 (horário local), e depois o estenderam a todo o país a partir das 19h. Entretanto, a violência retornou na madrugada, com tiros de armas automáticas e disparos de foguetes na Zona Verde.

Fora da região, o restante de Bagdá registrava um clima tranquilo, com um toque de recolher nacional prorrogada para esta terça-feira (30). O comércio permaneceu fechado e poucos veículos circulavam pelas ruas.

A violência envolve os seguidores do clérigo influente contra o exército e os combatentes do grupo Hashed al Shabi (Unidades de Mobilização Popular, PMU), ex-movimento paramilitar pró-Irã agora integrado às tropas oficiais.

Os distúrbios começaram quando oas manifestantes invadiram o Palácio da República. Durante a tarde foram ouvidos os primeiros disparos. Mais tarde a situação piorou: os seguidores de Sadr trocaram tiros com o exército e os integrantes do Hashed al Shabi.

O Iraque enfrenta uma crise política desde as eleições legislativas de outubro de 2021. As forças políticas xiitas, em particular a de Moqtada Sadr, não alcançam um acordo para a designação de um novo primeiro-ministro e um novo governo.

Manifestantes invadem Palácio Republicano no Iraque após líder xiita deixar o governo

Últimas