Plano para destruir armas químicas sírias aguarda decisão da Albânia
Internacional|Do R7
HAIA, 15 Nov (Reuters) - As conversas sobre um plano detalhado para a destruição das armas químicas da Síria estavam em suspenso nesta sexta-feira enquanto a Albânia analisava um pedido dos Estados Unidos, politicamente oneroso, de abrigar uma instalação que processe milhares de toneladas de lixo tóxico.
Uma reunião do conselho executivo da Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq), entidade premiada com o Nobel da Paz e encarregada de supervisionar o plano sírio de destruição das armas, foi adiada até que um anúncio seja feito na capital da Albânia, Tirana.
O recém-empossado primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, deve informar o país ainda nesta sexta-feira se o seu governo vai aceitar o pedido feito pelos Estados Unidos.
A decisão será divulgada no prazo final ─ 15 de novembro ─ estabelecido para que a Opaq e a Síria cheguem a um acordo para um plano detalhado sobre o local onde serão descartadas 1,3 mil toneladas de gás sarin, mostarda e de outros agentes que afetam o sistema nervoso, considerados perigosos demais para serem destruídos na Síria em meio à guerra civil.
Os Estados Unidos pediram à Albânia, uma estreita aliada do Ocidente, que permita a destruição em seu território e vêm negociando detalhes técnicos em meio a manifestações de protesto em Tirana.
O acalorado debate é um desdobramento indesejado para Rama, que mal completou dois meses no cargo. O caso desencadeia há dias protestos diante dos órgãos do governo e forte oposição no país.
Nesta sexta-feira centenas de manifestantes, incluindo estudante que saíram mais cedo das aulas, se concentraram para criticar o plano. Eles gritavam slogans e pintaram a palavra "não" nos rostos.
Rama procurava garantir à população que a decisão será transparente e atenderá aos interesses da Albânia, um país pobre do Adriático e aliado da Otan, empenhado em se tornar candidato a membro da União Europeia.
"Nenhuma decisão foi tomada sobre as armas químicas da Síria", disse Ilir Meta, Presidente do Parlamento e importante aliado de Rama na coalizão de governo. "Estamos em contato com os países parceiros das Nações Unidas."
A Síria concordou em setembro em destruir todo o seu estoque de armas químicas, como parte de um acordo firmado pela Rússia e Estados Unidos.
O presidente sírio, Bashar al-Assad, aceitou o plano depois que os Estados Unidos ameaçaram usar a força em resposta a um ataque com gás sarin que matou centenas de pessoas em Damasco, em 21 de agosto.
Um esboço do acordo que estava sendo revisado pelo conselho executivo nesta sexta-feira determina a remoção da maioria dos materiais químicos da Síria num prazo de apenas seis semanas, ou seja, até 31 de dezembro, e a destruição das instalações remanescentes de armas químicas até março.
Os Estados Unidos não têm uma alternativa à Albânia e vão pressionar duramente o país para firmar um acordo até esta sexta-feira, disseram fontes.
A Albânia destruiu seu pequeno arsenal de armas químicas em 2007, mas será preciso construir uma cara instalação para processar dezenas de milhares de toneladas de lixo tóxico, subproduto da destruição das armas químicas.
(Por Anthony Deutsch)












